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Uma derrota no esporte ou uma decepção na vida pessoal podem ajudar os atletas a superar seus limites

Muitas emoções: Djokovic chora ao ser eliminado no Rio 2016
Rio 2016/REPRODUÇÃO
Muitas emoções: Djokovic chora ao ser eliminado no Rio 2016

As emoções do atleta são tão importantes quanto o condicionamento físico dentro de uma competição. Quem avalia é o psicólogo Alessandro Vianna, afirmando que sem equilíbrio emocional o atleta pode acabar se tornando uma vítima de si próprio. “Todo atleta de alta performance é treinado e cobrado exaustivamente. Porém, é importante lembrar que ele também tem sua vida pessoal e isso, de alguma maneira, pode interferir em sua motivação e concentração. A importância do emocional equilibrado é justamente minimizar as chances das emoções o abalarem em momentos decisivos".

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Atualmente, uma boa preparação do atleta para competições de alto nível, como são os Jogos Olímpicos, deve incluir não só alimentação balanceada e condicionamento físico adequado, mas, também, um acompanhamento psicológico individualizado. O atleta precisa preparar as emoções para enfrentar os momentos decisivos de uma competição. “Em todos os setores de nossas vidas, quanto maior nosso equilíbrio emocional, maior nosso rendimento”, explicou Alessandro.

Na disputa recente dos Jogos Olímpicos, as reações emocionais de algumas estrelas do esporte chamaram tanta atenção quanto as conquistas expressivas. E são inúmeros casos, como o do brasileiro Neymar e do sérvio Novak Djokovic. Neymar não conseguiu enfrentar a cobrança de torcedores e imprensa diante do fraco desempenho da seleção olímpica do Brasil nos primeiros jogos, enquanto o tenista não escondeu a frustração de ter sido eliminado do torneio em que era considerado o maior favorito.  

Superação fala mais alto

O lado positivo da influência psicólogica e das emoções no rendimento atlético fica por conta de histórias de superação ,como a da brasileira Rafaela Silva, medalha de ouro no judô do Rio 2016. A sua trajetória até a vitória mereceu destaque, já que ela superou uma batalha contra a pobreza e o preconceito antes de brilhar no lugar mais alto do pódio. E mostrou como tristeza e decepção, se trabalhadas adequadamente, podem servir de combustível para melhorar o desempenho do atleta.

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“Muitos treinadores utilizam a raiva como um aliado para promover uma explosão positiva de seu atleta. Não é por acaso que podemos observar a oscilação da expressão facial entre concentração e raiva quando estão competindo. Todos os sentimentos que temos, de forma equilibrada e treinada, podem servir como aliados para evoluirmos”, disse Alessandro Vianna.

Além de aprender a lidar com suas emoções, seja uma frustração por ter perdido uma disputa ou algo da vida pessoal, o atleta tem ganhos significativos quando é acompanhado por um psicólogo esportivo que pode otimizar ainda mais seu rendimento por meio de técnicas ligadas a motivação interior. Nos esportes coletivos a ideia é a mesma. Entretanto, o psicólogo adiciona mais um fator que pode influenciar o bom rendimento de um grupo.

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"Pensando em time, de uma forma simplista, cada um deve ter suas emoções e atuar de acordo com sua personalidade. Ou seja, existe a pessoa que tem um perfil de liderança, outro que funciona melhor sendo liderado. Se você colocar cada peça em seu lugar, o rendimento de uma equipe certamente será melhor", finalizou o especialista.