Tamanho do texto

Velocistas chegam a gastar mais de R$ 200 mil para competir em alto nível nos esportes paralímpicos

Treino da Seleção de Atletismo, com Alan Fonteles e Yohansson Nascimento; saiba quanto custa ser atleta paralímpico
Cleber Mendes/MPIX/CPB
Treino da Seleção de Atletismo, com Alan Fonteles e Yohansson Nascimento; saiba quanto custa ser atleta paralímpico

Ser atleta paralímpico não é fácil e, financeiramente falando, não é nada barato. Alguns dos atletas que competirão nos Jogos Paralímpicos do Rio, que começam nesta quarta-feira (07), com a cerimônia de abertura no estádio do Maracanã , chegam a gastar mais de R$ 100 mil só em equipamentos para atingir níveis elevados de competição. Mas quanto custa exatamente ser um atleta paralímpico?

Os representantes do atletismo são bons exemplos do quanto custa caro ser um esportista paralímpico. Apenas as lâminas de corrida simples, suficientes para um corredor amador, chegam a custar de R$ 9 mil a R$ 12 mil em sites de compra e venda brasileiros, como Mercado Livre e OLX. As lâminas, utilizadas especialmente por amputados femorais ou tibiais, seminovas, são exclusivas para a prática esportiva, sendo assim, inviáveis para uso no dia a dia.

As opções encontradas pelo iG Esporte no mercado alternativo brasileiro já vem com um solado desenvolvido pela Nike, integrado a camadas de uma sola exterior, intermédia e termoplástica de uretano, feita a partir de sacos reciclados da Nike Air. Eles servem como moderadores entre a sola e a lâmina de fibra de carbono. Nove separadores de nylon funcionam como dedos que envolvem a lâmina do Flex-Run para um bloqueio mais seguro.

Shara Reinertsen utiliza lâmina de corrida com solado da Nike
Divulgação
Shara Reinertsen utiliza lâmina de corrida com solado da Nike

Esse primeiro protótipo da sola Nike, citado como exemplo, foi utilizado  usado pela americana Sarah Reinertsen, a primeira mulher amputada a completar uma prova de Iron Man. 

E MAIS:  Cinco tecnologias incríveis que ajudarão atletas na Paralimpíada

Os liners buscam o alto conforto do usuário, e são um dos primeiros itens avaliados na confecção de encaixes protéticos. Eles custam cerca de R$ 2.900
Divulgação
Os liners buscam o alto conforto do usuário, e são um dos primeiros itens avaliados na confecção de encaixes protéticos. Eles custam cerca de R$ 2.900

Se correr for além do amadorismo, como é o caso dos maiores atletas que competirão nos Jogos Paralímpicos do Rio, o valor das lâminas de corrida sobem de R$ 12 mil para, no mínimo, R$ 70 mil. Mas somente as lâminas não fazem um atleta. É preciso abastecê-los com inúmeros acessórios, como encaixes para as lâminas, comercializados a partir de R$ 8 mil, liners, aproximadamente R$ 3 mil, além das próteses para uso cotidiano, essenciais para qualquer atleta. As próteses diárias mais avançadas e confortáveis são dificilmente encontradas por menos de R$ 45 mil, assim como os pés adaptados, que podem chegar a R$ 30 mil.

Sem patrocínio, boa parte dos paratletas tem de recorrer a campanhas colaborativas para sonhar em atingir o patamar exigido pelos esportistas paralímpicos, como é o caso do Felipe Silva, que espera arrecadar R$ 80 mil para lâminas de corrida  e custos de manutenção para seguir com o sonho da corrida.

Quanto custa: amputados x biamputados

Uma lista de acessórios básicos para um atleta paralímpico amputado ficaria em torno de R$ 113 mil*, enquanto um biamputado, como o brasileiro Alan Fonteles, teria um custo ainda mais alto: R$ 219.8 mil*. Confira quanto custa:

- Lâminas de corrida: R$ 70 mil 

- Liners: R$ 5.800

- Encaixes de joelho: R$ 16 mil

- Próteses diárias: R$ 90 mil

- Pés: R$ 30 mil

- Manutenção: R$ 8 mil

*Valores referentes a setembro de 2016, baseados em sites de compra e venda brasileiros, americanos e produtos ortopédicos