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Pesquisa inédita revela que atletas paralímpicos não praticavam esporte antes da deficiência

Treino da seleção masculina de vôlei sentado; perfil apresentado revela característica comuns entre os atletas
Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Treino da seleção masculina de vôlei sentado; perfil apresentado revela característica comuns entre os atletas

A aproximação dos Jogos Paralímpicos do Rio, que serão realizados entre os dias 07 e 18 de setembro, faz com que o interesse acerca da história dos atletas que representarão o Brasil na competição aumente. A menos de uma semana para o início da disputa, o Senado Federal, encabeçado pelo ex-jogador e atual senador Romário, divulgou os dados de estudo que analisou o perfil dos atletas paralímpicos brasileiros.

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O perfil apresentado em pesquisa levantada pelo DataSenado, em parceria com o gabinete do senador Romário e o Comitê Paralímpico Brasileiro, mostra a importância do esporte na reabilitação de pessoas com deficiência e no combate ao preconceito. Confira alguns dados revelados pela pesquisa:

- 49% dos atletas não praticavam esporte antes da deficiência;

- 56% começaram a praticar esporte para se manter saudável ou para ajudar na recuperação;

- Os homens são maioria entre os paratletas: 72%

- 70% têm deficiência física;

- 53% têm Ensino Médio completo;

- 59% vivem com até dois salários mínimos;

- 67% vivem exclusivamento do esporte;

- 76% afirmam ainda sentir preconceito nas ruas;

- 41% dos paratletas em atividade no Brasil são financiados pelo Bolsa-Atleta. Dos que participarão dos Jogos Paralímpicos, 90% recebem o auxílio .

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O Instituto DataSenado ouviu 888 pessoas, sendo 82% atletas em atividade e 18% ex-atletas. Os dados revelaram ainda que o setor público é o maior investidor do esporte paralímpico nacional e que a falta de patrocínio, de acessibilidade e de técnicos são as principais dificuldades dos paratletas brasileiros.

Os Jogos vem aí

A cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos acontece no próximo dia 07, quarta-feira, no estádio do Maracanã. Uma das principais atrações já anunciadas para o show que marca o início da disputa paralímpica é o do maestro João Carlos Martins, que sofreu uma perfuração no nervo ulnar, no braço, em 1966, o que o impossibilitou de tocar por um ano. Já em 1995, em um assalto, o artista brasileiro sofreu uma pancada na cabeça que afetou os movimentos de seu braço direito. A partir de 1999, o maestro passou a tocar apenas com a mão esquerda. Ele ainda superou todas as dificuldades impostas por 20 cirurgias para voltar a tocar. 

Até o dia 18 de setembro, o Rio de Janeiro receberá 4.350 atletas, sendo 287 brasileiros, muitos deles dentro do perfil apresentado no estudo.