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Abertura dos Jogos foi transmitido para cerca de 3 bilhões de pessoas e serviu para mandar mensagem de política ao mundo

Estadão Conteúdo

Na Olimpíada "a la Brasil", a cerimônia de abertura dos Jogos do Rio de Janeiro pede tolerância no mundo e o respeito pela diversidade. Nesta sexta-feira, a abertura do evento esportivo transmitido para 3 bilhões de pessoas serviu para mandar ao mundo uma mensagem política. Mas os organizadores adotaram medidas para evitar uma vaia ou protestos contra o presidente interino, Michel Temer.

Cerimônia de abertura do Rio 2016
Reprodução Twitter
Cerimônia de abertura do Rio 2016

Seu nome não foi anunciado no início do evento e apenas os alto-falantes destacaram a presença do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach. No programa distribuído a um grupo de jornalistas, a entidade também eliminou a referência ao presidente brasileiro.

Em seu discurso, Bach citou o presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman. Mas fará apenas uma referência geral às autoridades brasileiras, sem citar Temer. O primeiro a falar foi o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Em uma mensagem em vídeo, ele pediu que as "armas se silenciam" e que as divisões sejam superadas. Mas o discurso de Thomas Bach e o cenário brasileiro com foco no multicultural que deram o tom.

Temer chegou minutos antes do início do evento e se sentou ao lado de Ban Ki-Moon e Bach. Os demais chefes de estado, porém, ficaram mais distantes. Nas arquibancadas, um grupo chegou a puxar um coro de "Fora Temer". Mas foi abafado por outro grupo de torcedores, vaiando a manifestação política. Durante o evento, uma vez mais um grupo tentou gritar quando o estádio fez silêncio.

Cerimônia de abertura do Rio 2016
Reprodução Twitter
Cerimônia de abertura do Rio 2016

Em seu discurso, o alemão voltou a citar o fato de haver "um momento muito difícil na história do Brasil". Mas complementa: "será uma Olimpíada a la Brasil". "Sempre acreditamos em vocês", disse.

No total, 45 chefes de estado e de governos viajaram até o Brasil para o evento. O número é bem inferior ao que foi registrado há quatro anos, em Londres. Mas, ainda assim, todos os que desembarcaram no Rio tinham uma agenda própria e seus interesses políticos a cumprir.

Segurança no Maracanã para abertura do Rio-2016 teve 2,2 mil agentes especiais

Os 2,2 mil caçadores da face padrão do atentado - rosto pálido, atitude tensa, traje em desacordo com o clima, olhar fixo, gestos furtivos - ocuparam nesta sexta-feira acessos, arquibancadas, terminais de transporte coletivo, zonas de estacionamento e até áreas onde estão os bebedouros no estádio do Maracanã, no Rio; tudo isso muito antes da chegada do público, a partir das 16h30, para a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio.

No total estimado, 3.000 homens e mulheres trabalharam “de várias formas” só nesse procedimento, de acordo com um oficial ligado à Secretaria Extraordinária dos Grandes Eventos (Sesge). Estavam lá infiltrados em meio à multidão e também nos pontos onde havia sensores eletrônicos de identificação facial, capazes de fornecer em segundos, com base em pontos de referência anatômica, identidades de suspeitos.

O esquema adotado nesta sexta-feira, com ajuda de serviços de inteligência de diversos governos como os de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Israel, contemplava duas vertentes: reprimir um atentado - que, se houvesse, seria obra de um “lobo solitário”, o extremista independente, difícil de ser detectado - e conter manifestantes que ultrapassassem os limites da segurança.

Problemas no transporte coletivo atrapalham chegada em abertura do Rio-2016

Problemas no transporte coletivo - ironicamente, recomendado pelas autoridades nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - marcaram a chegada do público à solenidade de abertura da Olimpíada, no estádio do Maracanã, na tarde e noite desta sexta-feira. Estações e composições lotadas e falta de informações atrapalharam o desembarque do metrô.

Faltaram indicações corretas sobre o melhor lugar para desembarcar em relação ao respectivo portão de ingresso, o que confundiu muita gente. E quem descia no Maracanã, por segurança, era obrigado a andar, pela passarela, até a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - uma volta que prolongou a caminhada. Apesar do policiamento, houve queixas de furto e ação de cambistas, esta à vista dos policiais militares.

Muita gente, aparentemente, seguiu a recomendação dos organizadores: evitou levar mochilas ou sacolas, o que poderia causar demoras ainda maiores nas revistas. Outros procuraram chegar cedo, já que portões foram abertos às 16h30. Mas tantos círculos de segurança e checagem tornavam o caminho ainda mais longo.