Tamanho do texto

Vanessa Cozzi era bailarina até pouco tempo e começou na modalidade há pouco tempo, arranjando uma dupla perfeita

Conhece aquele ditado: antes tarde do que nunca? Pois ele serve para a brasileira Vanessa Cozzi. Atualmente ela está com 32 anos de idade, mas quando tinha 28, há pouco mais de três anos, ela era bailarina e jamais poderia imaginar que chegaria a agosto de 2016 mãe de uma menina de 1 ano e meio, afastada do emprego enquanto treina para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Isso em uma modalidade que ela nunca havia praticado até 2013: o remo.

E mais:  veja mais informações sobre o remo nos Jogos do Rio

Nadadora de algum destaque na juventude, tendo como especialista as provas mais longas, como 400 metros e 800 metros livre, além dos 200 metros peito, Vanessa largou cedo a natação. Com 22 anos, se tornou bailarina . Também se arriscou no surfe, mas faltava a adrenalina que só uma competição com largada e chegada proporciona. "Meu sonho sempre foi disputar uma Olimpíada. Com a natação não consegui e o sonho ficou meio adormecido. Eu sempre gostei de competir, estava procurando algo assim", disse.

Vanessa Cozzi (direita) era bailarina até pouco tempo
Facebook
Vanessa Cozzi (direita) era bailarina até pouco tempo

Mas o remo não chegou por acaso. Vanessa Cozzi é casada com Renan Castro, medalhista de prata da modalidade nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Foi dele a sugestão para treinar diariamente na Raia Olímpica da USP, em São Paulo, antes mesmo de o sol raiar, bem de manhã.

"Eu fiz balé  e fui bailarina dos 22 aos 28 anos. Eu me dedicava bastante. Aos sábados, chegava a fazer três aulas, ficava seis horas no estúdio para compensar a falta de tempo durante a semana", lembrou a atleta, que visava exclusivamente conciliar a rotina no escritório com uma prática esportiva.

E veio a gravidez

Enquanto se dedicava aos treinamentos no remo, o destino colocou a pequena Larissa na vida de Vanessa, que se afastou do remo por alguns meses para o nascimento da filha e, quando voltou, estava ainda mais rápida. "A maternidade me deu uma calma, uma confiança dentro de mim que eu não tinha. E ter minha filha me dá forças para ter mais garra, me sinto mais forte, mais confiante. Quero ser sempre um exemplo bom para ela", contou.

Confira:  Dupla do remo concilia paixão pelo esporte com a maternidade

Só quando Fabiana Beltrame, um dos maiores nomes do remo feminino brasileiro, escolheu tentar a vaga olímpica no single skiff é que a comissão técnica da CBR (Confederação Brasileira de Remo) começou um trabalho específico para formar uma dupla no double skiff peso leve, outra prova na qual Beltrame poderia competir. Isso foi há menos de nove meses dos Jogos do Rio.

Vaga olímpica e parceria

Incentivada por Larissa, ainda um bebê de colo, a ex-bailarina foi uma das duas mais rápidas da seletiva realizada em fevereiro de 2016 na raia da USP, onde iniciou sua jornada no esporte. No cronômetro, ganhou como parceira Fernanda Nunes, mãe de um menino de quatro anos. A maternidade uniu duas atletas absolutamente desconhecidas uma para a outra e, com 50 dias de treino, elas estavam classificadas para as Olimpíadas no Brasil.

Não só venceram o Pré-Olímpico Continental - o que Fabiana Beltrame também fez, no single skiff -, como fizeram o melhor índice técnico da prova. Pelas regras de classificação determinadas pela federação internacional da modalidade, o Brasil só poderia voltar da competição com uma vaga e o índice era o critério de desempate determinado pela CBR.

E mais:  Equipe de remo dos EUA não responsabiliza água da Lagoa por mal estar coletivo

Para poder treinar, Vanessa, que é formada em administração de empresas, foi afastada do trabalho. "Não dava mais para conciliar. Para estar em um clima olímpico, tem que focar naquilo. Gostaria de virar atleta, mas já tenho 32 anos de idade, uma filha, e a ajuda de custo do clube não é suficiente. Preciso de um patrocínio", avaliou a remadora, que não sabe se volta para o escritório. 

Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, a meta da antiga bailarina é bastante ousada: disputar uma final A, a decisão principal, entre seis barcos. Na história do remo feminino brasileiro, o melhor resultado foi um modesto 13º lugar. "Atualmente a gente está no nível, por tempo, de final C (sem disputa por medalha). Nossa realidade é um final B (também sem medalha)", admitiu.

*Com Estadão Conteúdo

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.