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Agência mundial antidoping acusa até o serviço secreto russo de participação em sistema de acobertamento de resultados positivos

EFE

Savinova e Poistogova foram ao pódio em Londres
Cameron Spencer/Getty Images
Savinova e Poistogova foram ao pódio em Londres

Uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (WADA) recomendou nesta segunda-feira a suspensão da Federação Russa de Atletismo, devido a práticas irregulares, bem como o descredenciamento do laboratório antidoping de Moscou.

A entidade internacional divulgou o relatório elaborado pela comissão, que acusa, inclusive, o serviço secreto russo. O documento solicita o banimento do esporte de cinco atletas e cinco treinadores. Os nomes de atletas citados são os de Mariya Savinova e Ekaterina Poistogova (ouro e bronze, respectivamente, nos 800m em Londres), Anastasiya Bazdyreva, Kristina Ugarova e Tatjana Myazina.

A Rússia descartou taxativamente o risco de exclusão de seus atletas dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. "Essa é uma declaração politicamente motivada da série das punições adotadas contra a Rússia. Não tem nenhum fundamento", disse Vladimir Uiba, chefe da Agência Federal Médico-Biológica da Rússia (AFMB), à agência de notícias "Interfax".

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O médico russo alegou que os exames antidoping dos atletas são feitos pela própria delegacia da Wada e que eles não sabem quando os examinadores da organização aparecerão. "Não podem falar de nenhuma privação de medalhas, mesmo olímpicas, ou de desqualificação, incluindo dos treinadores", disse.

Por sua vez, o ministro de Esportes, Vitali Mutko, lembrou que a Wada apenas fez recomendações. Ele afirmou que os atletas condenados por doping nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, foram punidos, e que demitiu o ex-presidente da Federação Russa de Atletismo (FRA), Valentin Balajnichev.

"Na Rússia criamos um sistema normal. Não encobrimos ninguém. Estamos trabalhando, mas ninguém está encobrindo ninguém", reiterou o ministro.

Associação Brasileira de Controle de Dopagem apoia WADA - A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) aproveitou o ensejo para, por meio de um comunicado, expressar seu apoio à iniciativa da Agência Mundial Antidopagem. "A ABCD apoia firmemente todas as iniciativas a favor da luta contra a dopagem no esporte. O resultado das investigações hoje apresentado pela Comissão Independente formada pela Agência Mundial Antidopagem (WADA), que recomenda à Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) a suspensão da Rússia das competições da modalidade, deixa claro que não pode haver, e não haverá, espaço para fraude no esporte, e que todos os que trabalham para proteger os atletas estão vigilantes".

No mesmo texto, a ABCD embutiu uma propaganda de seu novo laboratório, que foi credenciado pela WADA. O antigo laboratório brasileiro, o Ladetec, fora descredenciado em agosto de 2013, depois de falhar em três exames. Na época, o presidente da Comissão Antidopagem da CBAt, Thomaz Mattos de Paiva, deu uma dimensão da gravidade do problema. "Ter o laboratório descredenciado é muito ruim, traz um reflexo muito negativo para o esporte brasileiro. Isso significa um atestado de incompetência muito grande do país".

A assessoria de imprensa do Ministério do Esporte procura envolver o novo laboratório, o LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem, com uma nova imagem. "O LBCD, com suas moderníssimas instalações, parque de equipamentos de última geração e equipe de alta qualidade, após rígido programa de testes e auditoria, foi credenciado pela WADA e está definido como o laboratório para o controle de dopagem dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. No Brasil, a luta contra a dopagem no esporte constitui-se, pois, em política de Estado", diz o comunicado.

Com agência EFE

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