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Paulista que vive na Califórnia passou por Kelly Slater e irá enfrentar o sul-africano Jordy Smith. Atualmente ele ocupa a 17ª posição no Circuito

Filipe Toledo está na semifinal da etapa da Califórnia
WSL / Kirstin
Filipe Toledo está na semifinal da etapa da Califórnia

O paulista Filipe Toledo é apontado como um surfista quase imbatível em praias com fundo de areia (beach breaks) como Lower Trestles, em San Clemente, onde ele mora na Califórnia, Estados Unidos. E ele confirmou isso contra o recordista de títulos Kelly Slater, ao batê-lo com duas notas acima de 9 para garantir o Brasil nas semifinais da etapa norte-americana do Circuito Mundial de Surfe. Ele vai enfrentar o sul-africano Jordy Smith e enquanto Tanner Gudauskas, o outro semifinalista, disputa a segunda vaga na decisão com o australiano Joel Parkinson, que venceu os brasileiros Jadson André e Alex Ribeiro na segunda-feira.  As provas estão previstas para acontecer nesta quarta-feira.

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“Desde que eu nasci, desde que eu conheço o surfe, o Kelly (Slater) é o surfista mais incrível do mundo com tudo que conquistou, então é sempre bom surfar contra ele numa bateria", disse Filipe Toledo, que já subiu da 17ª para a 11ª posição no ranking com a classificação para as semifinais. "Eu tive que fazer meu melhor, pois ele está num bom ritmo no momento, ganhou no Taiti e estava surfando muito bem aqui. É uma benção competir com ele e poder vencê-lo. As ondas estão divertidas, minhas pranchas estão boas, então espero continuar neste ritmo e quem sabe tirar uma nota 10 ou outro nove alto também nas semifinais, vamos ver", completou.

A bateria entre Filipinho e Slater foi uma verdadeira batalha de tática de prioridade, onde eles podem escolher a próxima onda, e o brasileiro, com apenas 21 anos de idade, soube jogar muito bem contra o maior recordista da história, com seus 44 anos, sendo que 25 só de Circuito Mundial. O confronto de gerações começou com Filipe mostrando suas armas numa onda pequena que só rendeu 5,5. Slater preferiu aguardar mais e começar bem com nota 7,33. A outra série só iniciou nos 10 minutos finais, quando Filipe acha a primeira onda boa para usar sua incrível variedade de manobras modernas e progressivas de borda, além dos aéreos também para potencializar suas notas. 

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O brasileiro ganhou nota 9,17 na onda, mas Kelly deu o troco na seguinte, jogando água pra cima com batidas e rasgadas muito fortes para manter a ponta com 8,27. Depois, tudo foi decidido em outra série com boas ondas e Filipe deixou uma ruim para o norte-americano usar sua prioridade nela, para ficar com a de trás, que era melhor. A direita abriu uma longa parede para Filipe destruir cada ponto crítico com sua prancha e finalizar com outro aéreo perfeito. Os juízes deram nota 9,20 para sacramentar uma combinação de 18,38 pontos no maior vencedor da etapa de Trestles, com seis títulos. 

"Eu estraguei tudo na escolha de ondas e o Filipe (Toledo) pegou as certas. Ele é muito mais rápido que todo mundo e o cara mais perigoso de enfrentar nestas condições de mar", destacou Kelly Slater, que entrou no seleto grupo dos top 5 do ranking com o quinto lugar no Hurley Pro. "Eu tive a chance de vencer, eu tinha ele nas cordas com uma boa vantagem, aí eu fui à primeira onda daquela série e ele veio na de trás para tirar 9,20. Eu ouvi a multidão gritando e eu realmente não poderia fazer mais nada, quando vi que era para ele que estava na onda atrás de mim", continuou.

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Filipinho e o seu oponente na primeira semifinal na Califórnia, Jordy Smith, estão invictos no campeonato, pois ganharam todas as baterias que disputaram em Trestles, sem passar por nenhuma repescagem. A vítima do sul-africano na segunda-feira foi o vencedor da triagem, Brett Simpson, californiano que tinha despachado o taitiano Michel Bourez no primeiro confronto masculino da segunda-feira em San Clemente. Jordy Smith já assumiu a quarta posição no ranking e se chegar na final em Trestles, entra na disputa pela liderança na próxima etapa, em outubro na França, ou seja, se passar por Filipe Toledo.

"Cada bateria que eu passo, me aproximo mais deles, mas os top 3 do ranking ainda têm uma enorme vantagem e só quero conseguir o máximo de bons resultados que eu puder", disse Jordy Smith. "Tanto o Kelly (Slater), como o Filipe (Toledo), são referências no nosso esporte, então acho que vai ser um grande desafio para mim na semifinal e uma oportunidade para fazer o meu melhor. Eu estava me sentindo muito nervoso durante todo o dia hoje, mas procurei me concentrar bastante para enfrentar o Brett (Simpson), que é um surfista incrível e não tinha nada a perder na bateria. Felizmente, deu tudo certo", revelou.

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O outro convidado desta etapa é o natural de San Clemente, Tanner Gudauskas, que também não perdeu nenhuma bateria competindo em casa. Ele é o dono da única nota 10 da etapa neste ano, recebida quando derrotou o ex-vice-líder do ranking, Matt Wilkinson. Depois do australiano, também impediu que o campeão mundial Gabriel Medina continuasse tentando tirar a lycra amarela do havaiano John John Florence, eliminando o brasileiro no resultado mais polêmico do campeonato. E na segunda-feira, não teve dificuldades para vencer o australiano Stu Kennedy por 15,13 contra 9,17 pontos.

BARRANDO BRASILEIROS

O adversário de Tanner Gudauskas na segunda semifinal será o australiano Joel Parkinson, que tirou dois brasileiros da disputa do título, o potiguar Jadson André na quinta fase e o paulista Alex Ribeiro no último confronto do dia, que fechou as quartas de final. Nesta bateria, o campeão mundial usou toda a sua experiência nas trocas de prioridades. O brasileiro até começou bem, com três manobras fortes numa boa esquerda, para largar na frente com nota 7,50. Parkinson demorou um pouco para pegar uma onda boa, mas entrou na briga quando conseguiu uma nota 6,00.

Alex Ribeiro caiu nas quartas de final para Joel Parkinson
WSL / Kirstin
Alex Ribeiro caiu nas quartas de final para Joel Parkinson

Alex Ribeiro também pegou uma direita com espaço para mostrar seu backside e trocou sua segunda nota, de 2,83 por 4,90. Parko entrou na seguinte e aproveitou o máximo que ela proporcionou para somar 5,90, com o brasileiro mantendo-se na frente com 6,41 pontos de vantagem nos 8 minutos finais. A prioridade da próxima era dele, que ficou marcando de perto o campeão mundial, mas deixou passar uma direita que acabou rendendo uma série de seis manobras, com batidas, rasgadas, tail slide, para Parko arrancar 8,27 dos juízes e assumir a ponta. Depois, Alex falha de novo indo numa onda ruim e a prioridade fica para o australiano, que conseguiu trocar a nota 6,00 por 6,50 e fechar a vitória por 14,77 a 12,40 pontos. 

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Contra Jadson André, as condições do mar e do vento favoreciam o surfe de Joel Parkinson com seus longos arcos nas paredes das direitas, então o potiguar procurou as esquerdas para também surfar de frontside como o australiano. Jadson só foi pegar sua primeira direita nos 5 minutos finais, depois do campeão mundial já ter tirado notas 6,17 e 7,60, mas ela perdeu pressão e só conseguiu nota 5,20. Depois, pegou outra esquerda precisando de 7,94 pontos e ela abre para Jadson manobrar forte e finalizar com um aéreo. Foi certamente sua melhor onda, mas a nota 7,0 não foi suficiente para vencer. O placar ficou em 13,77 a 12,83 pontos, com o australiano seguindo para enfrentar Alex Ribeiro nas quartas de final. 

Mesmo com as derrotas, os dois ganharam posições no ranking do Circuito Mundial. Com os 4.000 pontos do nono lugar, Jadson André entrou no grupo dos 22 primeiros que são mantidos na elite para o ano que vem. Além dele, apenas o australiano Stu Kennedy conseguiu isso na Califórnia e um dos que saíram da zona de classificação para o CT foi o paulista Miguel Pupo. Já Alex Ribeiro festejou o seu melhor resultado no ano, pois só tinha vencido uma bateria nas outras sete etapas. Em Trestles ganhou três, despachando dois ponteiros do ranking, o quarto colocado, Adrian Buchan, e o número 5, Julian Wilson, que ficou em último. Alex marcou 5.200 pontos com o quinto lugar e subiu da 38.a para a trigésima posição no ranking. Filipe Toledo está atualmente em 17º lugar, mas pode subir caso vença em sua “casa”.