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Em 2015, Mick Fanning aguardava a chegada das ondas quando um tubarão acabou ficando preso na corda que os atletas usam para ficarem ligados à prancha

Mick Fanning foi atacado por um tubarão na costa sul-africana no ano passado
WSL/WSL via Getty Images
Mick Fanning foi atacado por um tubarão na costa sul-africana no ano passado


Com a presença de dez brasileiros, a etapa de Jeffreys Bay do Circuito Mundial de Surfe terá segurança reforçada, ainda mais depois do episódio envolvendo um ataque de tubarão ao atleta australiano Mick Fanning na edição do ano passado. Ele conseguiu se salvar, mas a WSL (Liga Mundial de Surfe) quer evitar a todo custo um novo episódio como aquele.

Houve, inclusive, uma conversa com os surfistas para definir se a etapa seria mantida no calendário. O brasileiro Gabriel Medina por exemplo, não queria voltar lá. Mas o próprio Fanning fez questão de dar seu aval para o J-Bay Open e, mesmo machucado no tornozelo, vai para a competição na África do Sul.

Renato Hickel, comissário do Circuito Masculino, lembra que o surfe é praticado na região há pelo menos seis décadas e as competições naquela praia são realizadas desde os anos 1980. “Nunca tinha tido um ataque de tubarão lá. O único caso fatal foi de um nadador, que estava a meio quilômetro da praia. No pico onde se surfa, nunca houve ataque. Já vi tubarão passando, como vi foca, orca. O único caso registrado foi o do Mick Fanning”, conta.

Na final do ano passado, quando enfrentava Julian Wilson, Fanning aguardava a chegada das ondas quando um tubarão, que estava passando por ali, acabou ficando preso na corda que os atletas usam para ficarem ligados à prancha. Quando o animal se sentiu acuado, mordeu para se livrar. Por sorte o surfista não se machucou.

Para Hickel, a confirmação de presença do tricampeão mundial e outros atletas do circuito na etapa é importante. “Todos eles estão comprometidos em comparecer. O surfista, mais do que ninguém, entende que o meio que a gente compete é um hábitat de vida marinha. Se não for para lá, não vai para vários lugares”, lembra.

A WSL sempre manteve o compromisso de colocar os melhores surfistas nas melhores ondas do mundo. Com isso, algumas etapas correm o risco de ter a presença de tubarões. “Os oceanos são dinâmicos, é um campo de ação perigoso, e tubarões fazem parte desse ecossistema”, continua, citando ainda Margaret River, na Austrália, como outro local que os animais costumam aparecer.

Para garantir a segurança dos atletas, a WSL investiu bastante. Só para o uso da Clever Buoy, uma boia inteligente que conta com sonar para detectar a presença de animais no perímetro da competição, foram gastos US$ 40 mil (cerca de R$ 129 mil). “Um dos melhores elementos da efetividade dessa boia inteligente é que ela avisa uma série de pessoas via aplicativo. Vamos ter instalado nos nossos celulares”, explica.

Além dessa boia inteligente, outra novidade que será usada na etapa é o patrulhamento aéreo. Em um avião pequeno, o piloto sobrevoará a área nos dias de competição para verificar a presença de tubarões. Esse tipo de aeronave é usado para fazer a vigilância em regiões de caça ao rinoceronte.

“Também vamos aumentar a segurança na água com mais barcos e um piloto de jet ski para cada atleta, ou seja, ninguém entra remando, ou se o mar estiver pequeno, o atleta será escoltado até onde a onda quebra. Cada um terá seu piloto particular”, avisa Hickel.

Ele espera que a competição, que começa na madrugada desta quarta-feira, às 2h30 (horário de Brasília), e tem prazo para terminar até o dia 17, transcorra sem sustos. E torce para tudo dar certo. “A gente sabe que todas essas tecnologias estão em fase de teste. A WSL está engajada na busca por tecnologias que estão aparecendo no mercado e que possam diminuir o potencial de ataque por vida marinha. Mas não existe no mercado uma tecnologia que seja 100% eficiente”, conclui.

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