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O velocista Paulo André, que chega à final do Big Brother Brasil, nesta terça-feira, aumentou em 100 vezes (pelo menos até aqui) seu alcance nas redes sociais, após participação no programa da TV Globo. E segundo, especialistas em marketing esportivo, o atleta, que pode lucrar com a imagem positiva que mostrou durante o confinamento, também deve alavancar o próprio esporte, o atletismo.

Paulo André entrou no BBB com 78 mil seguidores no Instagram (dado de 9 de janeiro) e atualmente tem mais 7,6 milhões. É o segundo atleta do mundo, no atletismo, em número de seguidores, atrás apenas de Usain Bolt (11,3 milhões), segundo levantamento da Federação Paulista de Atletismo (FPA).

— Nem se fosse medalhista de ouro dos Jogos Olímpicos conseguiria se manter em evidência na TV aberta, em horário nobre, por cerca de três meses seguidos. Ou seja, ele conseguiu uma exposição que o atletismo nunca teria dado a ele... E uma exposição muito positiva — analisou Erich Beting, professor, palestrante e consultor de marketing esportivo. —Valorizou sua imagem e a do próprio esporte. Acho até que influenciou Douglas Souza, do vôlei, a aceitar o desafio da Dança dos Famosos. Porque o PA foi corajoso. Deixar a carreira de lado para ficar confinado por tanto tempo, sem treino e com o Brasil inteiro te olhando... Quando se analisa de fora perece que o cara surtou. Mas como o negócio deu certo... 

Desde que bombou no Instagram, durante os Jogos de Tóquio, Douglas Souza, ex-ponteiro da seleção brasileira, também tem dado prioridade a carreira digital em detrimento à do vôlei. No Japão ele conquistou seu primeiro milhão de seguidores, com postagens engraçadas e bastidores da viagem. Hoje tem 2,6 milhões de seguidores e não tem contrato com time no vôlei. Desde dezembro, voltou ao Brasil ao abandonar a equipe Tonno Callipo, da Itália.

— Talvez não imaginasse que chegaria tão longe no programa. E talvez não tenha a dimensão do impacto. Poderá se associar a marcas além do esporte pelo tamanho conquistado no BBB 100 vezes maior do que o tamanho que tinha quando entrou. Ele, inclusive, pode se tornar ícone para questões de diversidade, uma vez que representa diferentes segmentos da sociedade.

Maior estrela para 2024?

PA ultrapassou o campeão olímpico Neeraj Chopra, ídolo indiano, atleta do lançamento de dardo, em número de seguidores. O campeão mundial júnior e asiático tem 5,7 milhões de seguidores.

Perde, no entanto, para a maior estrela do atletismo, Usain Bolt, tricampeão olímpico nos 100m, 200m, dono de dois ouros no 4x100m, além de recordista mundial nestas provas. O jamaicano tem11,3 milhões de seguidores no Instagram. 

PA tem mais influência digital que Eliud Kipchoge, campeão olímpico e recordista mundial da maratona, considerado o melhor na distância de todos os tempos, e que tem 1,7 milhão de seguidores na mesma plataforma. Kipchoge é um dos "garotos propaganda" dos Jogos de Paris-2024.

E também em relação a Elaine Thompson-Herah, a mulher mais rápida do mundo, bicampeã olímpica nos 100m e 200m e ouro no 4x100m em Tóquio-2020 e que acaba de ganhar o Laureus de melhor atleta do mundo, tem cerca de 500 mil seguidores. E sobre o brasileiro Thiago Braz, dono de um ouro e uma prata olímpicas, tem 559 mil seguidores.

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Fábio Wolf, dono da Wolf Sports, que atua na área de contratos de patrocínio, afirma que Paulo André, conhecido no meio do atletismo, era desconhecido do grande público. E que soube usar o BBB como uma vitrine.

— Por mais que fosse relevante dentro do atletismo era um desconhecido no mercado. E agora saltou para o segundo atleta com mais seguidores do mundo no Instagram —observa o executivo.— No início, quando entrou na casa, foi criticado no âmbito esportivo. Mas no Brasil, sabemos muito bem, à parte do futebol, os outros esportes precisam ser criativos e pró-ativos para ter visibilidade. É uma missão difícil encontrar patrocínios porque não tem regularidade de exposição na TV.

Wolf afirma que se ele souber usar as redes sociais, poderá ganhar muito dinheiro. E chamar a atenção para outros atletas também.

— Se bem trabalhadas, representam muito dinheiro. No quesito celebridade foi bom, inclusive para o que faz de melhor. Ao sair da casa, retomar os treinos e obter performance terá outra visibilidade. Hoje ele é uma pessoa pública e poderá conciliar a carreira nas pistas com a de celebridade. E isso ele deve ao BBB.

Para Bernardo Pontes, socio da Alob Sports, empresa do segmento esportivo, especializada em conectar atletas e personalidades a marcas, o BBB propiciou ao PA uma oportunidade única de prolongar a carreira de atleta, uma vez que poderá firmar novas parcerias.

Além disso, observa o executivo, engatou uma nova carreira que pode ser tocada em paralelo e durante a aposentadoria nas pistas. Para ele, assim como Pedro Scooby, que continuará sendo surfista, PA não largará o atletismo.

— Independente do resultado, PA foi o vencedor — opina Bernardo, que trabalhou como executivo de marketing no Flamengo, Cruzeiro, Vasco e Fluminense — O BBB é uma grande aposta. Pode se sair da casa como um fenômeno ou cancelado. Muitos acharam que ele era maluco, mas teve tanta confiança em si, que zerou os riscos e mostrou quem ele é. Mostrou humildade, carisma e competitividade. Foi sincero, amigo e emotivo. 

E Bernado faz uma aposta:

— Em Paris-2024, talvez, o PA seja o maior atleta olímpico do Brasil. Haverá grande expectativa em relação a ele.  Muita gente vai querer saber como ele chegará nos Jogos Olímpicos. O Brasil vai junto com ele agora.

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