Mercedes vem enfrentando dificuldades neste início de temporada da F1
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Mercedes vem enfrentando dificuldades neste início de temporada da F1

Como toda mudança de regulamento na Fórmula 1, algumas equipes se adaptam melhor do que outras às novas regras. Surpreende, no entanto, que a Mercedes, a grande beneficiária da introdução dos motores híbridos, em 2014, não tenha seguido o ritmo de Ferrari e Red Bull, e chega a Melbourne, neste fim de semana, ainda como uma incógnita na temporada. A corrida será domingo às 2h da manhã. A Band transmite.

Veja abaixo galeria de fotos dos carros da atual temporada de Fórmula 1:


O chamado "efeito golfinho", que afetou todas as escuderias em maior ou menor grau, não permite saber o quão bom e rápido é o W13 em condições normais. A fábrica da Mercedes tem trabalhado desde os testes do Bahrein para corrigir o problema que faz o carro quicar em alta velocidade e perder desempenho. Nos simuladores, nenhuma equipe conseguiu visualizar a questão em sua totalidade. Mas Ferrari e Red Bull foram capazes de encontrar uma solução, ainda que parcial, rapidamente.

Na pausa de duas semanas entre a Arábia Saudita e a Austrália, a equipe utilizou todo o tempo para encontrar o melhor caminho. Porém, não é garantido que em tão pouco tempo tenha achado a solução definitiva.

A frequência constante do "efeito golfinho" atrapalha a postura do carro nas freadas e anula a eficiência das regulagens do monoposto. As equipes, incluindo a Mercedes, testaram subir as suspensões para aumentar a distância entre o fundo do carro e o solo. Porém, essa decisão ocasiona na perda de estabilidade e reduz a pressão aerodinâmica.

– Foi essa a solução adotada pela Mercedes nos dois primeiros GPs do ano, já que a outra é bem mais demorada: a construção de um  novo assoalho que neutralize essa tendência. Até agora, a equipe já testou algo como cinco assoalhos diferentes, sempre sem sucesso – diz Lito Cavalcanti, comentarista de F1, acrescentando que a equipe corre contra o tempo.– Se não reagir agora, se reduzem drasticamente as possibilidades da equipe anglo-germânica lutar pelos títulos ou até mesmo por vitórias neste ano. Para isso, ela terá de recuperar o terreno já perdido para duas adversárias de peso, que já superaram, pelo menos parcialmente, esse problema, a Ferrari e a Red Bull. E nada leva a crer que essas duas equipes deixarão de evoluir ao longo do tempo. É um desafio mesmo para uma equipe octacampeã.

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O chefe de engenharia de pista da Mercedes, Andrew Shovlin, admitiu, em entrevista ao site "Autosport" nesta semana, que essa é a prioridade número um da Mercedes.

– Estamos bem cientes de que existem outras equipes que superaram esse problema mais rápido do que nós. E esse não é o padrão com o qual normalmente trabalhamos. Todo o esforço da fábrica está sendo feito para superar isso, garantindo que não negligenciemos o desenvolvimento normal do carro. Mas há muito trabalho tentando nos tirar dessa situação no momento.

O que é o "Efeito Golfinho"
O problema que surpreendeu todas as equipes nos primeiros testes da temporada é um reflexo direto do novo regulamento. Para transformar a Fórmula 1 numa categoria cheia de disputas e ultrapassagens em todas as voltas, a principal mudança foi a adoção do efeito solo. Ou seja, a pressão aerodinâmica, que cola o carro no chão e permite mais aderência e velocidade nas curvas, é gerada pelo assoalho do monoposto, não pelo aerofólio.

Porém, quando os carros atingem velocidades próximas a 300 km/h, o "efeito golfinho" (porpoising, em inglês) aparece por uma questão física. Quanto maior a velocidade, maior a pressão para o carro se manter próximo do solo – gerada pelo ar canalizado da frente até a traseira do monoposto por túneis no assoalho. Em algum momento, a pressão chega ao limite e o assoalho toca o solo. O ar, até então canalizado pelos túneis, escapa pelas laterais e a pressão zera.

O comentarista Lito Cavalcanti  explica como o efeito age sobre o carro:

– Sem pressão para empurrá-lo para baixo (a chamada downforce), o carro se ergue e o ar volta a ser canalizado da frente até o difusor, uma peça colocada na parte traseira inferior, bem debaixo do aerofólio traseiro, que intensifica essa pressão por permitir que o ar escoe mais velozmente. Isso faz com que o ar volte a percorrer toda a parte inferior do carro e volte a gerar pressão descendente. E como ela volta com a mesma força, o ar escoa pelas laterais quando o fundo do carro volta a tocar no asfalto e, mais uma vez, a pressão aerodinâmica cai a zero. Sem ela, o carro volta a se erguer e se reinicia a geração da pressão descendente. Esses ciclos ocorrem em frações de segundo, o que leva o carro a corcovear, ondular ou golfinhar nas retas. Daí a expressão porpoising (porpoise significa golfinho, em inglês).

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