Julie Sauvé
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Julie Sauvé

Cinco ex-nadadoras que integraram a equipe do Canadá de nado sincronizado se reuniram para denunciar os abusos que dizem ter sofrido nas mãos de diferentes comissões técnicas, entre elas, a comandada pela técnica Julie Sauvé. Elas exigem indenizações à federação esportiva local.

As ex-atletas Gabrielle Boisvert, Chloé Isaac, Gabriella Brisson, Erin Wilson e Sion Ormond entraram com uma ação coletiva contra o Canada Artistic Swimming (CAS), buscando indenização por danos coletivos, após supostamente sofrer abuso psicológico e assédio durante treinamentos. 

As atletas que ajuizaram a ação disputaram competições entre 2010 e 2020, e buscam indenização de R$ 1,3 milhão por danos punitivos, além de danos morais no valor de R$ 66 mil por atleta e ano passado na equipe. Os técnicos Meng Chen e Leslie Sproule, também são acusados.

Erin Willson, por exemplo, que treinou com a equipe de 2007 a 2013, disse que era regularmente submetida a assédio pela técnica Julie Sauvé. Ela, que pesava entre 58 e 61 quilos, teria sido repreendida por sua treinadora por estar acima do peso e recebeu várias advertências por escrito por quebrar seu contrato de peso com a federação.

“O momento mais chocante para mim foi a primeira vez que ouvi alguém falar assim sobre meu corpo. A treinadora me disse que meus seios eram grandes demais para o nado sincronizado. Também recebi comentários sobre minhas pernas, em geral que eu era grande demais", disse Willson.

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Segundo a nadadora, foi dito aos atletas que quem perdesse mais peso durante o verão seria recompensado com uma vaga na equipe. Willson teve que abandonar o treinamento depois de receber autorização médica e teve que procurar tratamento para seu distúrbio alimentar.

Também a ex-nadadora Chloé Isaac, que treinou com Sauvé, garantiu que sua técnica lhe disse que ela tinha um corpo "musculoso". Isaac admite que durante anos ela foi anoréxica e bulímica por conta das críticas.

Vale lembrar que a técnica campeã olímpica do nado artístico, Julie Sauvé, morreu no ano passado, de causa não revelada pela família. Durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, ela atuou como consultora e auxiliar técnica da seleção brasileira.

Ao longo dos seus 35 anos como treinadora, se tornou uma unanimidade profissional no nado artístico, conquistando mais de 100 medalhas internacionais. Em 2014, ela passou a dar consultoria para a seleção brasileira e, no ano seguinte, atuou diretamente em parceria com a comissão técnica até a disputa das Olimpíadas Rio 2016.

Só em Jogos Olímpicos, Julie conquistou um total de oito medalhas: dois ouros em Seul 1988, duas pratas em Los Angeles 1984, um ouro e uma prata em Barcelona 1992, uma prata em Atlanta 1996 e um bronze em Sydney 2000.

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