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O país ainda pode recorrer na CAS (Corte Arbitral do Esporte) e teria 21 dias, a partir da última segunda-feira, para apresentar o seu recurso

Doping tirou a Rússia das competições esportivas dos próximos quatro anos arrow-options
Reprodução
Doping tirou a Rússia das competições esportivas dos próximos quatro anos

A Wada (Agência Mundial Antidoping) aplicou na última segunda-feira a mais dura punição da história a um país por infrações no combate ao doping. A Rússia está banida por quatro anos de competições, devido à falsificação de dados de atletas entregues à entidade, em janeiro. A medida excluirá os russos dos Jogos de Tóquio 2020 e dos Jogos de Inverno de Pequim 2022.

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O país também está fora dos Campeonatos Mundiais de todas as modalidades, e da Copa do Mundo do Catar, em 2022. É a primeira vez que uma nação é barrada de uma Olimpíada devido a doping.

Os atletas do país que passarem por testes antidoping e comprovarem estarem limpos poderão competir sob bandeira neutra, assim como ocorreu nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em 2018. 

Relembre o desenrolar do escândalo russo.

Relatório revelador

Um relatório do professor Richard McLaren, de julho de 2016, revelou que a Rússia operava um programa de doping patrocinado pelo governo durante quatro anos, com envolvimento da maioria dos esportes olímpicos. 

Desdobramentos 

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Twitter/Reprodução
Por conta de doping, Rússia está banida dos Jogos Olímpicos e Copa do Mundo

Um relatório subsequente afirmou que mais de mil atletas russos se beneficiaram do doping. As investigações apontaram, por exemplo, que amostras de urina de atletas russos que competiram na Olimpíada de Inverno de Sochi-2014 eram passadas por um buraco na parede do laboratório de Moscou para serem alteradas. Os russos faziam a troca de frascos de urinas com substâncias dopantes por outras "limpas". 

Primeiras medidas

Em meio às descobertas, a Agência Antidoping da Rússia (Rusada) foi suspensa e a Rússia acabou proibida de competir nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang-2018. Antes, na Rio-2016, houve apenas uma proibição parcial, e as federações de cada esporte ficaram livres para deliberar sobre a presença do país. Só a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) e a Federação Internacional de Halterofilismo vetaram os russos. O mesmo fez o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) para os Jogos Paralímpicos do Rio.

Cartolas contra a parede

O também determinou a exclusão do ministro do Esporte, Vitaly Mutko, e seu então vice-ministro, Yuri Nagornykh, de qualquer participação em todos os futuros Jogos Olímpicos. Mutko presidiu do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018. Ele renunciou no ano passado ao comando da União de Futebol da Rússia (RFU).

Promessa 

A Rusada foi declarada em conformidade com o código da Wada em setembro do ano passado e prometeu atender à exigência de entregar todos os dados de controle dos atletas suspeitos de doping. O objetivo era aplicar punições a quem tivesse se safado. A divulgação dos controles, armazenados nos servidores do laboratório de Moscou sob a supervisão do Comitê de Investigação da Rússia, era condição imposta pela Wada para retirar a suspensão à Rusada. Como todas as informações ainda não haviam sido apresentadas, houve duras críticas à decisão de recredenciar a agência russa.

Na prática...

E as críticas tinham fundamento. Grande parte das promessas do país de melhorar o combate ao doping ficou apenas no papel. As investigações da comissão de conformidade da agência mundial constataram indícios de que os russos seguem manipulando informações para acobertar atletas sujos. O órgão concluiu que centenas de resultados suspeitos foram apagados antes da entrega dos resultados, realizada em janeiro deste ano.

E agora?

O país ainda pode recorrer na CAS (Corte Arbitral do Esporte) e teria 21 dias, a partir de segunda-feira, para apresentar o seu recurso. A suspensão também é estendida aos membros do governo da Rússia e aos seus dirigentes esportivos em todas as modalidades.