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Mais de mil atletas russos se beneficiaram de um esquema de doping tanto nas Olimpíadas de Inverno de Sochi, em 2015, como em outras competições

A Rusada (Agência Russa Antidoping) desmentiu que sua diretora, Anna Antseliovich, tenha assumido que houve um esquema de doping entre os atletas russos em entrevista dada ao jornal "The New York Times" e publicada nesta quarta-feira.

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"A Sra. Rebecca Ruiz (jornalista) tirou as palavras do contexto, criou uma impressão de que a administração da Rusada admite a existência de tal conspiração institucional de encobrimento doping na Rússia. Gostaríamos de sublinhar que a Rusada não tem autoridade para admitir ou negar tal fato, uma vez que a investigação do caso é tratada pela Comissão de Investigação da Federação Russa", publicou em nota oficial a entidade.

Autoridades russas admitiram esquema de doping no país
Reprodução
Autoridades russas admitiram esquema de doping no país

Essa seria a primeira vez que uma autoridade russa teria admitido que seu país vivenciou um sistema de "larga escala" de doping de atletas. Entretanto, na entrevista, Anna Antseliovich negou que isso tenha sido patrocinado pelo Estado e que "não houve qualquer envolvimento das autoridades do seu país".

Quem também fez uma declaração de mea culpa foi o ex-ministro do Esporte Vitaly Smirnov, que agora comanda um programa criado pelo presidente russo, Vladimir Putin, para banir o uso de substâncias irregulares no esporte do país.

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"Do meu ponto de vista, como um ex-ministro do Esporte e ex-presidente do Comitê Olímpico, nós cometemos muitos erros. Mas não quero falar pelas pessoas que são responsáveis", disse ao "NYT".

Esquema de mais de mil atletas

Segundo um estudo solicitado pela Wada (Agência Mundial Antidoping) e liderado pelo advogado canadense Richard McLaren, mais de mil atletas russos se beneficiaram de um esquema de doping tanto nas Olimpíadas de Inverno disputadas em Sochi, em 2015, como em Mundiais e outras competições internacionais.

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"Uma conspiração internacional foi implementada, com a participação do Ministério do Esporte e dos serviços, como a Rusada (Agência Russa Antidoping), o laboratório de doping de Moscou e da agência secreta FSB para manipular as amostras", acusou o relatório de McLaren.
Apesar de atingir 30 modalidades esportivas diferentes, a maior parte dos casos atingiu o atletismo. Por causa disso, mudanças foram realizadas na IAAF (Federação Internacional de Atletismo).

McLaren acusou os antigos diretores da entidade de acobertar os casos.

Por causa das revelações do relatório de doping, divulgado em duas partes, a Rússia foi parcialmente banida das Olimpíadas do Rio de Janeiro, realizada em 2016 - com cada Federação decidindo se liberava ou não os atletas do país - e toda a delegação Paralímpica foi impedida de competir no Brasil.