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Velejador campeão mundial venceu o prêmio Brasil Olímpico e conta que mobilizou amigos e família e aproveitou o tempo na faculade para garantir votos

Poliana Okimoto e Jorge Zarif com os troféus de melhores do ano nos esportes olímpicos
Wander Roberto/Inovafoto/COB
Poliana Okimoto e Jorge Zarif com os troféus de melhores do ano nos esportes olímpicos

O velejador Jorge Zarif poderia ser considerado o azarão da noite do prêmio Brasil Olímpico. Ele encarava o nadador Cesar Cielo, tricampeão mundial nos 50m e donos de medalhas olímpicas, e o ginasta campeão olímpico e mundial Arthur Zanetti na briga pelo troféu de melhor atleta do ano de 2013. Quando teve seu nome chamado ao palco do Teatro Bradesco, em São Paulo, na noite de segunda-feira, ele quase não acreditou. O lobby com amigos e familiares tinha dado certo e o velejador havia faturado o prêmio máximo. 

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“Não acreditei na hora e achei que fossem chamar os três finalistas para depois anunciar o vencedor. Fiquei até meio parado ali. Mas aí chamaram a Poliana também e caiu a ficha”, conta o atleta. “Cielo e Zanetti são muito mais conhecidos do que eu, mas a campanha que eu fiz, mesmo que para poucas pessoas, surtiu mais efeito”, admitiu Jorge Zarif, que em agosto faturou o mundial na classe Finn e encerrou um jejum de 41 anos para o Brasil. Um mês antes havia faturado o bicampeonato mundial júnior.

O melhor do ano de 2013 foi eleito por votação popular e por um júri composto por jornalistas, dirigentes, ex-atletas e personalidades do esporte. Cada parte tinha o peso de 50%. Zarif se aproveitou do formato para fazer a sua parte na corrida pelo prêmio. “Olhei o Facebook do Cielo e tinha 600 mil seguidores. Olhei o meu e tinha 3 mil. A matemática era meio cruel, mas acho que os três mil foram fiéis e votaram bastante e deu para ganhar”, afirma.

Poliana Okimoto e Jorge Zarif são eleitos os melhores atletas brasileiros de 2013. Veja todos os vencedores por modalidade

Ele ainda conta qual foi a tática para angariar votos. “Há umas duas semanas estava na faculdade e não estava entendo nada da matéria porque viajei muito esse ano. Então eu levei três laptops - o meu, o da minha mãe e o da minha irmã - para a aula para o pessoal ficar votando. Foram duas horas e meia votando uns três dias por semana”, relata o velejador. “Eu perdi o semestre, mas pelo menos deu par ganhar aqui”, brinca. Zarif disse ainda que deve ter votado nele mesmo mais de 100 vezes e, no final, falou a situação real na faculdade. “Não, não perdi o semestre. Mas perdi duas matérias”, disse o estudante do quarto semestre do curso de administração de empresas.

Jorge Zarif também comentou futuro na vela e importância do prêmio Brasil Olímpico. Assista ao vídeo: 


Campanha com ajuda de peso

No feminino, a eleita melhor do ano foi Poliana Okimoto, campeã mundial da maratona aquática. A nadadora, que ainda faturou uma prata e um bronze no torneio em Barcelona, também fez a sua campanha.

Poliana Okimoto exibe o prêmio de melhor atleta de 2013
Wander Roberto/Inovafoto/COB
Poliana Okimoto exibe o prêmio de melhor atleta de 2013

“Em 2009 eu bati na trave e acho que esse ano eu fiz a minha parte que era ganhar as competições, ir bem e trazer medalhas para o Brasil. Como em 2009 eu perdi no voto popular, esse ano eu mobilizei meu Facebook e pedi para todo mundo me ajudar e votar”, disse Poliana, com o troféu nas mãos.

Poliana ainda contou com um “cabo eleitoral” de peso. Cesar Cielo disse que não fez tanto movimento por si, mas entrou na torcida pela companheira de modalidade. “Coloquei alguns posts na minha página, mas não sou muito fã de internet, não. Na semana passada eu fui e postei uma foto do meu cachorro e minha mãe ficou brava e falou: ‘Posta para votarem em você’. Acho que se tiver que votar, vai votar. Eu acho que não influenciaria muito no resultado”, falou o nadador.

Entretanto, quando foi questionado sobre Poliana, o discurso mudou. “Para a Poliana eu fiz bastante (campanha) porque eu acho que ela merecia. Já há alguns anos está disputando e não ganhava e nesse ano eu não via como alguém justificar que ela não ganhasse. A Rafaela (Silva, judoca e outra finalista ao prêmio ao lado de Yane Marques) está de parabéns com o campeonato dela, mas a Poliana ganhou três medalhas. E no judô nem tem como a Rafaela ganhar mais de uma medalha. Quando um atleta está tão acima das outras como eu vi no Mundial é difícil falar outra coisa”, sentenciou Cielo.

A maratonista e melhor do ano espera colher os frutos da premiação. “Tenho só que agradecer quem votou em mim. Isso acaba mudando um pouco até a visão da maratona aquática. Vencer pelo voto popular ajuda a minha modalidade a ser mais conhecida e mais popular”, completou. “Esse troféu veio para fechar com chave de ouro um ano perfeito”, afirmou Poliana Okimoto.

Assista ao vídeo com Poliana Okimoto após o prêmio:


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