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18/12 - 20:37, atualizada às 21:03 18/12

Oito horas no avião, cinco minutos na piscina
Atleta do Tuna Luso, do Pará, chegou ao Clube Pinheiros em meio ao período do aquecimento na quinta-feira. Desgastado, ficou dois segundos acima do seu tempo médio nos 100 metros borboleta. Nesta sexta, desempenho ficou abaixo do esperado

Marcelo Monteiro, iG São Paulo

Enquanto nomes reconhecidos internacionalmente – como Cesar Cielo, Joanna Maranhão e Thiago Pereira – nadam atrás de recordes, medalhas e marcas históricas, parte dos atletas que disputam o Campeonato Brasileiro de natação, no clube Pinheiros, quer apenas experiência ou uma simples oportunidade para pegar ritmo de competição.

Em alguns casos, nem poderia ser diferente. A pequena delegação do Tuna Luso, por exemplo, partiu de Belém às 5h50min e, depois de algumas escalas, desembarcou no Aeroporto de Congonhas às 14h40min de quinta-feira. Acompanhados pelo técnico Fernando Wilkinson, os nadadores Miquéias Cardoso e Anna Neri, ambos de 19 anos, chegaram ao Clube Pinheiros somente 10 minutos antes do final do período para aquecimento. “Eu mal me molhei”, conta Anna, que nesta sexta-feira disputou a prova dos 100 metros peito.

Embora recebam o apoio do Tuna Luso com a estrutura para os treinamentos, os atletas paraenses tiveram que bancar as despesas com passagens e estadia na capital paulista. Por isso, optaram por viajar apenas no dia da competição, reduzindo, assim, os custos de hospedagem. Segundo Wilkinson, os gastos totais do trio deverão chegar a algo entre R$ 6 mil e R$ 7 mil até domingo. “É tudo na base do ‘paitrocínio’”, revela.

De acordo com o treinador, no caso de Miquéias, a competição em São Paulo servirá como uma forma de adquirir experiência. O atleta, porém, não se conforma com o fato de ter chegado pouco antes do começo das provas, após mais de nove horas de deslocamento, incluindo o trecho aéreo e quase uma hora e meia no trânsito paulistano. “A viagem atrapalhou um pouco”, diz o nadador, que costuma percorrer os 100 metros borboleta na marca dos 1m57. “Marquei 1m59”, lamenta-se.

Já Anna Neri, que já chegou a ser recordista dos 100 metros peito nos tempos de categoria Infantil, pretende recuperar o espaço perdido com as mudanças de clube pelas quais passou nos últimos anos. Em 2005, a nadadora participou da equipe do Minas Tênis, em Belo Horizonte, mas, sem conseguir se adaptar, decidiu retornar a Belém. “Estou voltando aos poucos”, comenta Anna. “A ideia dela é voltar a ser competitiva”, completa o treinador, que no futebol torce pelo Paysandu, embora trabalhe com seus pupilos diretamente no rival Tuna Luso.

Nesta sexta-feira, Miquéias entrou na piscina para a prova dos 100 metros borboleta. “Quero ver se chego no mínimo em sexto”, planejou, antes da prova. Não deu. Chegou em sétimo. Já Anna, aguardou a hora de disputar os 100 metros peito mas valeu a pena: foi terceira na categoria Júnior 2. Para ambos, horas de viagem para menos de cinco minutos de competição.

Marcelo Monteiro
tuna luso
Miqueias, Anna e Fernando, na piscina do Pinheiros

Mais atletas do que torcedores
Imagine o Maracanã, hoje com capacidade oficial para abrigar 87 mil pessoas, recebendo mais de 200 mil pessoas na final do Brasileirão. Guardadas as proporções, é mais ou menos o que está acontecendo nos Campeonatos Brasileiros Júnior e Sênior e no Troféu Open de natação, disputados na piscina olímpica do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.

Até o próximo domingo, o ginásio – com capacidade para 405 pessoas no piso superior, onde ficam as arquibancadas – recebe mais de 800 atletas, quase todos acompanhados por seus treinadores e alguns seguidos de perto pelos pais corujas. Esse contingente, somado às equipes de arbitragem, aos jornalistas e aos profissionais envolvidos na organização, ultrapassa mil pessoas – em um espaço, teoricamente, reservado para metade disso.

Mas, ao contrário do que se poderia imaginar de um Maracanã superlotado, a maioria esmagadora é de atletas – não de torcedores. E, incrivelmente, apesar da aparente superlotação, tudo funciona bem e sem qualquer tipo de incidente.

Enquanto grupos de três a oito atletas disputam as provas na piscina, grande parte dos atletas permanece nas arquibancadas, descansando ou torcendo por seus colegas de clube. Já no andar, ao mesmo nível da piscina, algumas dezenas assistem às provas em pé. Outros circulam pelos vestiários, colocando seus maiôs high tech para a próxima série. E outro grupo fica do lado de fora do ginásio, degustando sanduíches de atum ou comprando roupas ou acessórios nos estandes de material especializado.
 
E, diferentemente do futebol, pouca gente comparece ao Pinheiros só para torcer ou acompanhar as competições. Entre os presentes, 99% são atletas, treinadores e profissionais envolvidos no evento. Torcedor, que é bom, quase nenhum.

Marcelo Monteiro
pinheiros
Atletas e técnicos dividem espaço nas arquibancadas


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Marcelo Monteiro

Nadadora no Campeonato Brasileiro

Anna Neri
Jovem de 19 anos teve pouco tempo para se aquecer, mas conseguiu medalha em sua prova

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