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É a primeira vez, no UFC, que brasileiro volta ao octógono em prazo tão curto após uma luta. Além do pouco tempo de preparação e um oponente embalado, Spider encara o peso da desconfiança

Anderson Silva vai lutar em Curitiba
Reprodução/UFC
Anderson Silva vai lutar em Curitiba


Anderson Silva está incomodado. Sua insistência para figurar no histórico card do UFC 198, que será realizado neste sábado (14) em Curitiba, e não no também histórico UFC 200, como preferia Dana White, mostra que o Spider, mais do que vontade de lutar, está faminto para calar críticos que tentam lhe finalizar desde a primeira derrota para Chris Weidman, em julho de 2013.

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De lá para cá, a vida do Spider dentro e fora dos octógonos não tem sido fácil. Da assustadora lesão na revanche contra Weidman à derrota para Michael Bisping em fevereiro último, passando pelo mal explicado caso de doping, o ex­campeão dos médios tem sido sucessivamente colocado contra a parede. Pelo histórico de conquistas no MMA em geral, e no UFC em particular, é natural que Anderson Silva se sinta pressionado a provar que ainda é relevante para o esporte.

Depois que perdeu para Bisping em Londres e questionou sem muita elegância o resultado, o brasileiro autorizou seus empresários a fecharem uma nova luta. Ele estava disposto a dissipar aquela má impressão que, somada ao doping, punha seu legado no UFC em risco. O iraniano naturalizado holandês Gerard Mousasi foi a luta oferecida pelo UFC. Duro e bastante completo, o iraniano consistia em um desafio à altura para o Spider da atualidade. Era uma luta perigosa, mas as chances do Spider eram melhores do que contra Uriah Hall, o jamaicano que será seu adversário na Arena da Baixada no próximo sábado.

Anderson Silva vai enfrentar o jamaicano Uriah Hall no UFC 198
Divulgação/UFC
Anderson Silva vai enfrentar o jamaicano Uriah Hall no UFC 198

Mousasi estava receptivo à ideia de encara Anderson em Las Vegas no UFC 200. Ele venceu Thales Leite no mesmo evento que Anderson perdeu para Bisping. Mas Anderson queria lutar em Curitiba. Mousasi queria mais tempo para fazer um camping apropriado.

Anderson Silva, vale registrar, desde que se tornou campeão do UFC em 2006, jamais entrara no octógono em tão pouco tempo após uma luta. O UFC 198 acontece menos de dois meses depois da derrota para Bisping, ocorrida em 27 de fevereiro. Mousasi não via razão em arriscar sua preparação desse modo. Anderson, sim. Com o iraniano fora de cena, o convite feito a Hall colocou o Spider como uma das principais atrações do card deste sábado recheado de titãs brasileiros do MMA.

Mas o pouco tempo para se preparar não é a única fragilidade pairando sobre o pressionado Spider. Com 41 anos, dez a mais do que seu oponente, Anderson não é o mesmo lutador que perdeu o cinturão para Chris Weidman. A confiança na esquiva persiste, mas a esquiva não está tão em dia como antigamente. Bisping bateu, e bateu bastante, em Anderson em Londres. Uriah Hall tem mais poder de punch do que o inglês e parece pouco provável que Anderson levante a guarda contra o jamaicano. Hall é mais ágil também; e muito eficiente no ground and pound, fundamento que Anderson já demonstrava precariedade nas lutas contra Weidman.

Uriah Hall, adversário de Anderson Silva
Divulgação
Uriah Hall, adversário de Anderson Silva

O jamaicano tem mais envergadura e maior capacidade de absorção de golpes. Além de ainda não ter sido nocauteado ou mesmo finalizado no UFC. Suas derrotas, desde a perda na final do TUF 17, foram por decisão. Não obstante, ainda venceu Mousasi, o adversário original de Anderson.

Os riscos desta luta para Anderson Silva não se resumem apenas ao que pode acontecer no octógono. Uma derrota, algo extremamente possível, ampliaria a maior série de revezes da carreira do ex­campeão dos médios. O Spider só tinha quatro derrotas na carreira até a primeira luta contra Weidman. Nenhuma delas no UFC. De lá para cá só perdeu e teve o no contest contra Nick Diaz. “Eu não me sinto pressionado. Eu luto porque eu gosto”, observou na coletiva de imprensa para divulgar o evento no fim de março.

Seria improvável que um lutador da estatura do Spider fosse demitido pelo UFC, ainda que a praxe da organização seja demitir os atletas com o desempenho que o Spider apresenta atualmente. No entanto, na ânsia por reaver o controle de seu legado, o maior atleta do MMA de todos os tempos pode comprometê­lo para sempre.