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Bastou a Fifa divulgar que os argentinos foram os torcedores estrangeiros que mais deram entrada na compra de ingressos para a Copa do Mundo do Qatar, no último dia 20, que contas do país vizinho nas redes sociais passaram a questionar como tanta procura poderia vir de um lugar onde quatro de cada dez pessoas são pobres, de acordo com o último dado do Instituto Nacional de Estatística e Censos, o IBGE da Argentina.

Além da histórica desigualdade socioeconômica da América Latina, que faz com que parte dos seis não pobres da estatística não tenham sentido tanto os efeitos da pandemia, há componentes peculiares que ajudam a explicar a grande demanda dos argentinos por bilhetes. Basicamente se tratam de dois “Lionel”: o Scaloni e o Messi. 

Há um otimismo crescente do torcedor com o desempenho da seleção do técnico Scaloni. Ele ganhou corpo mesmo com o título da Copa América, em cima do Brasil, ano passado, mas teve início antes, com a sequência de invencibilidade que vem desde 2019. São 28 partidas sem perder — a última, uma vitória sobre o Chile por 2 a 1, em Santiago, quinta-feira. Faltam apenas três, justamente a quantidade de jogos restantes nas Eliminatórias, para a albiceleste quebrar o recorde estabelecido entre 1991 e 1993. Amanhã, recebe a Colômbia, às 20h30, em Córdoba.

— Voltamos a nos encantar com a seleção, depois da decepção na Rússia — afirmou o jornalista argentino Lucas Ajuria, em referência à eliminação nas oitavas em 2018: — Temos novos nomes em cena, como Martínez, do Aston Villa (ING), finalmente um goleiro de nível de futebol europeu, como não tínhamos há muito tempo.

Despedida do 10

Além disso, existe a expectativa de Messi disputar, no Oriente Médio, sua última Copa do Mundo pela Argentina. Ele estará com 35 anos na época do Mundial, o quinto de sua carreira. A relação do craque com os torcedores já foi de altos e baixos. Depois do triunfo na final contra o Brasil no Maracanã, o camisa 10 se firmou na fase de lua de mel. 

O resultado disso são relatos de torcedores argentinos nas redes sociais colocando bens à venda para conseguirem bancar os ingressos da competição, programada para começar em novembro. Vale lembrar que, nesta primeira fase de comercialização, os torcedores ainda não tiveram de efetivamente pagar pelas entradas. O período de solicitação vai até o próximo dia 8. No dia 8 de março, os torcedores receberão a resposta quanto aos pedidos. Em seguida, será divulgado o prazo até quando deverão pagar pelos ingressos.

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De acordo com a última atualização do Comitê Organizador, do dia 24, 2,3 milhões de ingressos foram solicitados por torcedores. As dez nacionalidades com mais pedidos são Qatar, Argentina, Inglaterra, México, Estados Unidos, Emirados Árabes, Índia, Alemanha, Brasil e Arábia Saudita.

A diferença na procura entre brasileiros e argentinos reflete em parte a percepção diferente de seus torcedores a respeito das respectivas seleções. Líder das Eliminatórias, com quatro pontos a mais do que a seleção de Messi, o Brasil sofreu críticas depois da atuação no empate com o Equador. Na partida, os pentacampeões igualaram o recorde de invencibilidade em jogos classificatórios para Mundiais (31).

Avaliação do momento

A falta de partidas contra adversários europeus leva à relativização do aproveitamento da equipe de Tite, na casa dos 78%. A questão também cerca os argentinos, mas a reação a ela é diferente. Dia 1º de junho, está programado um amistoso entre Argentina e Itália, campeão da Copa América e da Eurocopa. Um bom resultado deve elevar a procura por parte dos argentinos. 

— Acredito que essa demanda seja resultado das duas coisas, tanto do momento da seleção quanto da chance de ver o Messi jogar o Mundial pela última vez — afirmou o argentino Hernán Sisto, do canal TyC Sports”. — Além disso, o torcedor argentino sempre foi muito apaixonado.

Na Copa da Rússia, o Comitê Organizador compilou as nacionalidades de torcedores que fizeram uso de Fan IDs durante a competição. Os argentinos apareceram em terceiro lugar, com 36 mil torcedores. Ficaram atrás dos anfitriões e dos mexicanos. Os brasileiros ficaram em quarto.

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