Edwin Tumiri
Reprodução / Universal de Televisión
Edwin Tumiri

Quatro anos e três meses após sobreviver à tragédia com o voo da Chapecoense , Erwin Tumiri utilizou o mesmo procedimento de bordo que o salvou, em novembro de 2016, para escapar da morte em um grave acidente de ônibus. Na terça-feira, dia 2, o ex-técnico de aeronave estava em um veículo que caiu de um barranco no quilômetro 72 na rodovia Cochabamba-Santa Cruz, na Bolívia . O veículo capotou perto da cidade boliviana de Ivirgarzama. Até o momento, 21 pessoas morreram e 30 ficaram feridas, entre elas Tumiri, que está com 30 anos. Em entrevista à imprensa local, o sobrevivente contou que o motorista dirigia em alta velocidade pela estrada e que pressentiu que sofreriam um acidente.


Erwin Tumiri relembrou tudo que lhe foi ensinado como técnico de aeronave e se protegeu entre o seu banco e o assento da frente. Assim, evitou que sofresse algo mais grave ou morresse. Esse procedimento, aliás, foi utilizado pelo boliviano durante a queda do voo da Chapecoense, no distrito próximo à cidade de Medelín, na Colômbia. Ele foi um dos seis sobreviventes da tragédia que deixou 71 mortos em 2016.

"O ônibus estava correndo, daí eu me agarrei no assento da frente, sabia que íamos nos acidentar porque estávamos em grande velocidade. Eu segui me agarrando, não me desesperei até chegar ao solo. Saí de quatro, me sentei, meu joelho estava ferido e disse 'Outra vez? Não posso crer". Logo vieram nos resgatar, não estava inconsciente. Creio que fui o primeiro que levaram para cima. Eu me sinto abençoado. Sempre dando graças a Deus", disse em declarações reproduzidas pelo jornal argentino "Olé".

Ferimentos leves

Tumiri se recupera bem no hospital e teve apenas ferimentos no joelho, um corte, além de arranhões nas costas. Imagens do canal "Universal de Televisión", da Bolívia, mostram ele sorrindo e bem, mesmo ainda internado. A irmã do sobrevivente do voo da Lamia, Lucía Tumiri, afirmou que ele está vivo por milagre divino. Em entrevista ao jornal Los Tiempos, ala disse que ele teve apenas ferimentos leves e está bem.

“Ele está estável, graças a Deus, mais uma vez ele foi salvo. Ele teve ferimentos leves. Fiquei muito preocupada, sinto-me feliz pelo meu irmão. Ele está com ferimentos no joelho e arranhões nas costas, está com um corte no joelho. Eu conversei com ele e ele disse que está bem. É com a força do Senhor, ele sempre cuida de nós e tem o seu tempo”, afirmou a irmã à publicação local.

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Ao jornal argentino "Olé", Lucía disse que foi avisada do acidente por volta das 22h (horário local). Evangélica, assim como o próprio ex-técnico de aeronave, ela reforçou que a fé deles o ajudou a sobreviver mais uma vez.

"Me ligaram às 22h e me falaram que ele estava naquela frota. Me falaram que ele estava estável, internado na sala comunal. Estou tranquila, nosso Pai Criador tem poder. Ele protegeu meu irmão, e agradeço ao Senhor. Sou evangélica, meu irmão também tem seu grupo", disse.


Depois do acidente, Tumiri resolveu estudar e se formou como piloto. Atualmente, ele trabalha para aeronaves particulares na Bolívia. Até 2019, ele estudava no país para ser piloto de aviões comerciais.

Problemas em 2016

Na época do acidente, Tumiri concedeu uma entrevista exclusiva ao “Fantástico” em que ele fez duas revelações: a primeira, a de que em nenhum momento os pilotos avisaram aos passageiros e a tripulação de que a aeronave estava enfrentando uma emergência. A segunda, relacionada à causa da queda, foi ter sido informado pouco antes da decolagem que não haveria a escala para reabastecimento em Cobija, na fronteira da Bolívia com o Brasil.

— Como técnicos, nós recebemos o plano de voo, e nós nos preocupamos. A Lamia tem os seus gerentes que estipulam o volume de combustível. Eu faço meu trabalho (abastecer), e sigo o que me mandam. Eu fiz o relatório de que íamos até Cobija, mas no momento da decolagem quando voltei a perguntar: “Vamos até Cobija?” Foi quando me responderam “Não, vamos direto a Medellín“. Mas acho que pode não ter sido uma boa ideia a do piloto ou a do responsável.

Em março de 2019, Rafael Henzel, um dos quatro brasileiros sobreviventes da queda do avião da Chapecoense, morreu aos 45 anos, após sofrer um infarto durante partida de futebol em Chapecó.Henzel t rabalhava na Rádio Oeste Capital e voltara ao batente um ano após sobreviver à tragédia.

Em 2017, Henzel lançara o livro "Viva Como se Estivesse de Partida". Nele, o autor fala sobre o incidente e a mensagem de importância à vida. Na tragédia da Chape, além de Henzel, sobreviveram o o goleiro Jackson Follmann (que teve uma perna amputada), o lateral Alan Ruschel e o zagueiro Neto.

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