Menem e Maradona
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Menem e Maradona

O ex-presidente da Argentina e atual senador pela província de La Rioja, Carlos Menem , morreu neste domingo aos 90 anos, por conta de problemas cardíacos . Ele, que governou a Argentina entre 1989 e 1999, tem o seu nome muito ligado ao futebol daquele país, porém, de uma forma não muito agradável. 

Desde a sua presença na estreia da Argentina na Copa de 90, quando a seleção daquele país - apontada como ampla favorita -, perdeu para o Camarões por 1 a 0, o político ganhou a fama de pé-frio entre os amantes do futebol e passou a ser considerado uma grande fonte de azar, algo que se espalhou na opinião pública a tal ponto dele não comparecer à final daquela Copa, na qual a Argentina enfrentou a Alemanha.

Na ocasião, mesmo sendo fanático por futebol, optou por enviar seu irmão, o então senador Eduardo Menem. Com a derrota argentina na grande final, a fama de pé-frio espalhou para toda a família. Diante desse cenário, teve início na Argentina o que muitos chamam de "Síndrome de Menem", algo que contribuiu para que nenhum político argentino comparecesse de forma oficial a uma Copa do Mundo nos últimos 30 anos. 

Para se ter uma ideia, em 2010, Cristina Kirchner e os ministros de seu gabinete não foram África do Sul. O mesmo aconteceu em 2014, quando a Copa ocorreu no Brasil. Mesmo com a grande amizade com a então presidente Dilma Rousseff , a proximidade dos dois países e a presença dos argentinos na grande final, Cristina optou por não vir ao Brasil. 

Ela cancelou a viagem e alegou uma inflamação na garganta. A informação foi comunicada em carta enviada à presidente Dilma e divulgada pela Casa Rosada. Nela, Cristina alegou que estava atravessando "uma faringolaringite aguda severa, que me impossibilitou de realizar de forma normal tarefas de governo". No âmbito político, porém, fontes indicam que por trás desta enfermidade estava o temor de ter sua imagem vinculada a uma derrota da seleção. 

Crendice bizarra "ajuda" a espantar o azar

A convicção dos torcedores que Menem dá azar é tão forte na Argentina que só o simples fato de alguém falar ou escutar o nome do político, que assinou a quebra daquele país com uma enganosa paridade cambial em 1991, já é motivo para trazer má sorte.

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Diante disso, uma crendice popular foi criada e "instituída" como a única forma de afastar tal possibilidade. Caso o nome de Menem seja citado em uma conversa, o homem deve tocar imediatamente o testículo esquerdo. Já as mulheres devem fazer algo semelhante com o seio do mesmo lado. 

Vale lembrar que o fato passou a ser usado também por torcedores de outros países para afrontar os argentinos. Na final da Libertadores de 2012, entre Corinthians e Boca Juniors, torcedores alvinegros chegaram a levar placas com a cara de Carlos Menem para levar azar aos argentinos.

Verdade ou mentira, o que se viu em campo foi o título do alvinegro paulista, com dois gols do atacante do Corinthians, Emerson Sheik, e uma falha incrível do zagueiro rival.

Comparação com o cantor Mick Jagger

A história do azarado Menem faz lembrar o que ocorre hoje com um dos maiores nomes do rock mundial, o cantor  Mick Jagger , que ganhou uma forte fama de 'pé-frio' no Brasil. A história do vocalista dos Rolling Stones remete à Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul. Na ocasião, a presença do músico foi notada em diversas partidas - sempre na torcida pelo lado perdedor.

Primeiro ele apoiou os Estados Unidos, que perderam por 2 x 1 para a seleção de Gana. Na sequência, apoiou sua própria seleção, a Inglaterra, que foi goleada por 4 x 1 diante da Alemanha. O mesmo ocorreu com a seleção argentina.

Desde o fato, os torcedores brasileiros consideram o cantor azarado e costumam colocá-lo com a camisa dos seus rivais para "garantir" a vitória.

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