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Matheus Costa*
Ex-lateral da Seleção Brasileira ajuda comunidade onde nasceu com doações durante pandemia


"Eu sou um moleque igual esses outros moleques, que a única diferença é que não esquece de onde vem". A letra da música Hat-Trick, do rapper Djonga, é profunda e precisa ao refletir a realidade de muitos brasileiros que vencem na vida partindo de origens mais humildes. Muitos jogadores, obviamente, não fogem à regra do trecho.

Com passagens por Internacional e pela Seleção Brasileira, o lateral Geferson não foge à regra. Nascido em Itapuã, em Salvador, Bahia, o jogador não esqueceu de suas raízes mesmo atuando na Europa. Principalmente durante a pandemia do Covid-19. Não só de sua comunidade, mas de muitas outras que estão passando por dias difíceis durante a crise sanitária que já vitimou quase 150 mil pessoas no país.

Desde o início da pandemia, Geferson, seu irmão e um amigo de infância ajudam todo mês uma comunidade de Salvador. Juntos, eles doam cerca de 50 cestas básicas para cada comunidade e realizam a entrega no local. Atitudes que já juntam ao jogo beneficente, realizado desde 2015, para arrecadar mantimentos que são doados para ONGs da região. Tudo para que, assim como ele, todos possam ter a oportunidade de vencer na vida.

Ao LANCE!, ele explicou como surgiu a ideia de ajudar durante a pandemia e afirmou que seguirá fazendo as doações até o fim da pandemia do Covid-19.

- Eu sempre ajudei muito as pessoas lá na minha comunidade. Já é o quinto ano que faço um jogo beneficente para arrecadar alimentos e doar para entidades que auxiliam o próximo. E nessa pandemia, Deus acabou tocando meu coração e quis ajudar também nesta época tão difícil para tanta gente e não apenas em dezembro como é o caso do jogo beneficente. Já estamos no quarto mês de doações e pretendo ajudar até o final da pandemia. -

Atuando pelo CSKA Sofia, da Bulgária, que compete na Liga Europa, o lateral-esquerdo nunca esqueceu de suas raízes. A conexão é tão grande que sua família brinca com o amor por sua casa. E sempre que pode, é claro, ele volta para visitar suas raízes.

- Agora com a tecnologia e redes sociais não é tão difícil se comunicar com a família e amigos no Brasil. Então eu estou sempre conversando com todos, lendo e acompanhando bastante notícias e procurando saber como está a situação na minha terra. Minha família sempre brincou também que tenho o umbigo enterrado lá na minha comunidade (risos). Porque eu saí de lá, mas a minha comunidade nunca saiu de mim, independentemente de onde eu estiver. Esse é um ditado que a gente fala lá em Salvador. Sempre que estou de férias já corro logo para Salvador e fico próximo das minhas raízes. - confessou.

"E agora ninguém vai chorar meu choro, mas até quem eu não conheço quer sorrir o meu sorriso". Junho de 94, de Djonga. Geferson confessa que sua alegria e seu jeito mais descontraído, que destoa da seriedade búlgara, acaba contagiando seus companheiros e sendo um diferencial na equipe.

- Acho que no Brasil, não em todos os lugares, mas particularmente de onde eu sou, o povo é mais ‘pra frente’, ‘mais dado’, mais alegre, mais receptivo... Aqui na Bulgária - além de eu não sair muito e ser mais caseiro - já é um povo mais fechado, na dele, difícil de fazer amizade. Mas como sou de Salvador e um cara mais alegre, no vestiário eu consigo contagiar os búlgaros. Acho que isso é o diferencial - finalizou.

* Estagiário, sob supervisão de Tadeu Rocha .

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