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Atacante Gilberto Fortunato já atuou em times do Vietnã, Tailândia, Albânia e Malásia, com muita história para contar sobre o "lado B" do futebol

Brasileiro Gilberto Fortunato joga no futebol da Malásia
Arquivo pessoal
Brasileiro Gilberto Fortunato joga no futebol da Malásia

Você provavelmente não deve ter ouvido falar em Gilberto Fortunato , mas o atacante brasileiro de 30 anos de idade tem moral no futebol asiático, onde está desde 2013. Atualmente vestindo a camisa do tradicional Felda United, da Malásia, ele já balançou as redes por times de Vietnã, Tailândia e Coreia do Sul, além de uma passagem pela Europa, no futebol da Albânia.

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Para quem não conhece o brasileiro , ele se apresenta. "Sou um centroavante de área, tenho 1,85 metro de altura,  88 quilos, sou forte para o futebol e na Ásia isso é muito proveitoso, tendo em vista que os zagueiros locais têm porte físico menor que o meu", disse Gilberto em entrevista exclusiva ao iG Esporte.

Brasileiro Gilberto Fortunato joga no futebol da Malásia
Arquivo pessoal
Brasileiro Gilberto Fortunato joga no futebol da Malásia

"Dentro de campo consigo me movimentar, não me considero lento, mas também não sou velocista. As principais características são as finalizações de cabeça e duas pernas, batalho pela bola, brigo com a defesa, ajudo na marcação. Isso é valorizado no futebol moderno e acho que consigo me encaixar bem", completou o atacante.

Revelado no Guarani de Palhoça , time de Santa Catarina, o jogador foi para o futebol asiático no final de 2012, tudo bancado do próprio bolso. "Eu estava no Guarani, tive contato com alguns empresários e um deles me retornou falando desse teste. Como ele não poderia pagar a passagem de avião, tive que pagar por minha conta, até pedi ajuda para o meu irmão", contou.

"Fui fazer um teste no Vietnã, era um momento de decisão na minha vida, se eu continuaria jogando ou não. Decretei que seria a última chance. Se não conseguisse assinar contrato no Vietnã, eu voltaria para o Brasil para estudar e traçar uma nova meta na minha vida. Mas deu tudo certo, fui bem nos testes e fui contratado no início de 2013", disse Gilberto, que iniciaria ali sua trajetória no exterior, pelo Hai Phong.

Brasileiro Gilberto Fortunato tem rodagem no futebol da Ásia
Arquivo pessoal
Brasileiro Gilberto Fortunato tem rodagem no futebol da Ásia

Jogador e editor de vídeo

Desde quando começou a se aventurar nos campos vietnamitas, Gilberto sempre se preocupou com o futuro. Pensando em dar voos mais altos na carreira, ele vem atualizando um vídeo seu com lances e jogadas para apresentar aos clubes interessados e aumentar suas chances de fechar negócio.

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"Eu que faço a edição dos meus vídeos, uso um programa simples. É só edição básica, cortar os lances, assisto, vejo o que eu quero e atualizo. Alguém do clube sempre grava os jogos, ou pego na televisão, ou compro o DVD. O importante é saber que o jogo está sendo gravado, depois arrumo de alguma maneira", contou.

Perrengues no Vietnã e o "rato gourmet"

Com contrato assinado, era hora de superar as dificuldades no fraco futebol do Vietnã, tanto na questão social e cultural quanto dentro de campo, na estrutura ruim que é proporcionada no país.

Gilberto Fortunato
Arquivo pessoal
Gilberto Fortunato

"Dificuldade sempre tem. Chegando no Vietnã foi aquele choque cultural, a primeira experiência é sempre mais difícil, principalmente pelo fato de eles serem bem frios, de se importar pouco com seu bem estar. Lembro que os estádios lá eram bem mal-cuidados, não tomávamos banho no estádio depois dos jogos, só na volta para o hotel mesmo. Era tudo bem largado", lembrou.

E isso era o de menos. "Uma vez fomos para um jogo bem longe de onde o nosso time ficava, pegamos avião para uma cidade e depois fomos de ônibus até o local da partida. E, de repente, nessa viagem, o ônibus parou e todos os jogadores saíram muito rápido, uma correria, eu e os outros atletas estrangeiros não entendemos o que estava acontecendo", disse Gilberto.

"Depois explicaram. Todo mundo saiu bem rápido porque pararam num restaurante onde se vendia ratos fritos e assados. E essa cidade era famosa por ter o rato mais gostoso do país, o melhor do Vietnã", contou o brasileiro, que preferiu só assistir. "Eu não experimente. Lá é um país bem rústico, não é muito limpo, tem rato em qualquer lugar e é aquela coisa, o animal vivendo no meio da população. Preferi não comer".

As mentiras da Albânia

Gilberto Fortunato em ação
Arquivo pessoal
Gilberto Fortunato em ação

Depois de alguns jogos no Vietnã, o centroavante brasileiro despertou interesse da Europa e foi para Albânia, onde atuou por Tirana e Flamurtari Vlore. E a experiência por lá não foi das mais agradáveis, como ele mesmo falou. 

"Viajei direto para assinar contrato e treinar, mas tive que passar por teste. Mentiram nisso e mentiram também no valor do contrato, me pagaram só metade do que tinha sido ofertado. Em termos financeiros, de todos os lugares que joguei, Albânia é o pior de todos, porque sempre atrasava salário e tudo mais, muito difícil, é um país mais pobre do que os asiáticos. A cultura é parecida com a nossa", disse.

"Lá não tinha bônus por vitória, não existe bicho (premiação dada por jogo). Os jogadores locais, já acostumados com essa realidade, não reclamavam da situação".

Treinos insanos, com direito a carne de cachorro

Em 2015, Gilberto Fortunato acertou com o Gwangju, time da Coreia do Sul. Por ser um país bem mais desenvolvido do que os outros pelos quais já havia passado, a expectativa de fazer sucesso era enorme, mas não foi isso que aconteceu. E ele explicou o motivo.

Gilberto Fortunato
Arquivo pessoal
Gilberto Fortunato

"A principal dificuldade foi a alimentação. A comida é bem exótica e eu realmente não gostei. Junto com os treinamentos insanos que eles faziam, realmente se treina muito pesado por lá. Assim, com a alimentação ruim que eu tinha, não consegui ter o desempenho que eu esperava, acabei não ficando muito tempo. Mas é um país bom para se jogar, a estrutura é bacana, mas difícil de se adaptar", disse.

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"Cheguei a provar cachorro na Coreia do Sul, mais para ter história para contar. Acabei provando para degustar mesmo. Era gostoso até, um sabor diferente, carne macia. Até pela forma que matam o cachorro, matam enforcado. Mas é inevitável pensar no cachorro quando você está comendo, não é muito bacana. Não comeria de novo não", comentou o atacante.

Volta ao Brasil?

Atualmente com 30 anos de idade, Gilberto pretende continuar no futebol asiático, apesar de ter vontade de atuar no Brasil novamente. Segundo ele, o momento de retornar não é agora, principalmente pelo lado financeiro. 

Gilberto em ação pelo Felda
Arquivo pessoal
Gilberto em ação pelo Felda

"Isso é determinante para permanecer aqui, a carreira de jogador é muito curta, ainda mais quando se está sujeito a lesões. Aqui na Ásia não se fazem contratos muito longos. Mas estou sempre aberto para alguma possibilidade, já tiveram alguns interesses, mas acaba que nunca se aprofundam muito", admitiu o jogador.

"Pretendo ficar aqui por mais alguns anos, uns quatro ou cinco anos, sou artilheiro do time. A época está boa, pretendo ficar o máximo de tempo possível. Já pensei no pós-carreira, mas é cedo para falar. Pensei em morar aqui depois, sou solteiro e fica mais fácil a permanência, mas também penso em abrir negócio no Brasil, trabalhar com futebol. Estou aberto a possibilidades, tanto aqui quanto no Brasil, fazer um trabalho bacana, independente da área que for", finalizou o brasileiro Gilberto Fortunato.

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