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Meia-atacante brasileiro mora na sede do Mundial de 2018 há cinco anos e cogita defender a seleção russa para o maior evento do esporte

Francisco Wanderson do Carmo Carneiro
Reprodução
Francisco Wanderson do Carmo Carneiro

Revelado pelo Fortaleza aos 15 anos de idade, Francisco Wanderson do Carmo Carneiro, passou pelos cearenses Tiradentes e Ferroviário e pelo River do Piauí antes de decolar a carreira no futebol europeu. Mais conhecido somente como Wanderson, o destaque na Taça São Paulo pelo time da capital do Ceará chamou a atenção de um olheiro sueco e em 2007, foi comprado pelo GAIS Göteborg. Hoje, aos 31 anos de idade, o jogador defende o Dinamo Moscou, da Rússia.

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Em entrevista exclusiva concedida ao iG Esporte, Wanderson contou como foi o início da carreira na Europa, os perrengues na nova cultura e a possibilidade de jogar a Copa do Mundo de 2018 com a camisa da seleção da Rússia .

"Um empresário sueco já tinha me visto jogar na Taça São Paulo e então me fez a proposta de ir para a Suécia fazer um teste. Eram para ser 15 dias de teste, mas depois de três dias, os suecos ligaram para o Fortaleza dizendo que iriam me comprar em definitivo. E assim que apareceu a oportunidade, eu logo aceitei. É o sonho de qualquer jogador, ainda mais garoto, jogar na Europa", relembra o atacante.

Wanderson do Carmo com a camisa do Dinamo Moscou, da Rússia
Reprodução
Wanderson do Carmo com a camisa do Dinamo Moscou, da Rússia

No começo, a adaptação na Suécia foi complicada, principalmente por causa da língua. Em seu jogo de estreia, o GAIS contratou um tradutor, que minutos antes do apito de início da partida, repetia 'direita' e 'esquerda' em sueco, para que Wanderson pudesse memorizar. Mas depois de não muito tempo, aprendeu o sueco e em sua segunda temporada foi artilheiro e eleito melhor jogador do campeonato do país.

Em 2010, teve uma rápida passagem pelo Al-Ahli, da Arábia Saudita e dois anos depois, foi mais uma vez emprestado, com contrato de três meses para o Krasnodar, da Rússia. Mas o time russo se interessou pelo brasileiro e renovou para dois anos. "Terminei fazendo história no Krasnodar, como o maior artilheiro do clube de todos os tempos. O clube é novo, mas já estou na história do clube. Infelizmente a gente não entrou em um acordo e agora no final da temporada, saí livre e estou no Dinamo Moscou", conta Wanderson.

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Copa do Mundo

Rumores e questionamentos sobre um dia defender a camisa da seleção russa já apareceram e caso o convite seja oficializado, Wanderson já sabe a reposta. "Se aparecesse a oportunidade, a gente ia pensar com carinho e aceitar, porque é uma oportunidade única. Ainda mais que o Mundial vai ser aqui na Rússia", afirma.

Sobre o clima de expectativa da participação da seleção russa no maior evento de futebol do mundo, ele conta que existe um grande pessimismo. "A seleção não é das melhores e a torcida tambem não acredita. Eles estão bem desacreditados", conta.

Racismo

"Comigo, graças a Deus, nunca passei por nenhum caso de racismo mas já presenciei coisas chatas com o goleiro Guilherme (brasileiro amigo de Wanderson). Esse tipo de ação tem diminuído, mas ainda assim é chato, principalemente acontecer uma coisa dessas no país que vai sedir a Copa", diz.

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Voltar ao Brasil

Wanderson quer encerrar a carreira na Suécia
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Wanderson quer encerrar a carreira na Suécia

Feliz na Europa, retornar ao futebol brasileiro não é uma opção para o jogador cearense. "Já conversei bastante com a minha esposa. No Brasil eu não penso mais em jogar, mas Deus é quem sabe do futuro. Eu penso em encerrar minha carreira onde eu comecei aqui na Europa, que é na Suécia e minha cabeça está preparada para isso", afirma.

No entanto, o plano é voltar ao país depois de se aposentar dos gramados. "No Brasil eu penso em ter uma vida normal com a minha família, deixar as filhas na escola, abrir algum negócio com a minha esposa. Mas para jogar, não tenho esse pensamento. Mas tudo isso é Deus quem sabe", diz o jogador, que mora na Rússia há cinco anos.

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