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Grupo de Tite chega ao mundial como um dos favoritos, mas crer que uma equipe vá sair de um 7 a 1 para uma grande conquista é otimismo demasiado

Alemanha precisou se reconstruir três vezes para triunfar em 2014; por que seria diferente com a seleção brasileira?
Copa 2014/Divulgação
Alemanha precisou se reconstruir três vezes para triunfar em 2014; por que seria diferente com a seleção brasileira?

O Brasil já sabe o  nome dos 23 jogadores que estarão na Rússia representando a camisa verde-amarela na Copa do Mundo. A estreia da seleção brasileira vai ser daqui a exatamente um mês, no dia 17 de junho, contra a Suíça, em jogo válido pelo grupo E – que conta ainda com a Sérvia e a Costa Rica.

A seleção brasileira comandada pelo técnico Tite chega ao mundial – mais uma vez – como uma das favoritas ao título, mas há razões para reconhecer que as chances disso acontecer não são tão grandes assim. Confira alguns desses motivos abaixo:

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Fator Neymar

O fato de o principal jogador da equipe de Tite não pisar num gramado desde fevereiro é a maior preocupação da torcida brasileira. Médicos do PSG e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) garantem que o atacante está recuperado, mas é indiscutível que a falta de ritmo de jogo possa afetar o desempenho do craque.

O próprio  Neymar reconhece que disputar a Copa nessa condição será um "desafio" para ele. "Essa lesão vem sendo difícil, e o maior desafio agora é a Copa do Mundo, vindo de lesão, três meses sem jogar. A expectativa é muito grande para os torcedores, para mim também. Acho que é o maior desafio da minha carreira", disse o atacante em entrevista ao canal Desimpedidos .

As escolhas de Tite

Lesão tirou Neymar da reta final da temporada pelo PSG; será que o craque estará 100% na Copa do Mundo?
Reprodução
Lesão tirou Neymar da reta final da temporada pelo PSG; será que o craque estará 100% na Copa do Mundo?

O técnico Tite assumiu a seleção após desempenho pífio de Dunga, ressuscitado por Marco Polo Del Nero, e deu uma nova cara à equipe. Novos jogadores como Gabriel Jesus e Philippe Coutinho ganharam espaço e outros que antes eram tidos como cartas fora do baralho, como Paulinho e Renato Augusto, retornaram à seleção para dar equilíbrio ao time.

Tite conseguiu um desempenho excepcional nas Eliminatórias e fez do Brasil a primeira seleção a se classificar para a Copa do Mundo – antes mesmo da atual campeã, Alemanha. Mas, apesar de todos os méritos do ex-técnico do Corinthians, é perceptível também o quanto ele pode ser 'cabeça-dura' em seu trabalho.

Adenor, por exemplo, relutou em convocar o zagueiro Pedro Geromel, do Grêmio, enquanto insistia no contestado Rodrigo Caio, do São Paulo. O gremista (felizmente) acabou dentro da lista final que vai à Rússia. No gol, o santista Vanderlei tem feito exibições fabulosas há duas temporadas, mas nunca foi lembrado por Tite, que confia no corintiano Cássio e o escolheu para ir à Copa.

Mais espantoso que os casos acima é a opção por Taison, meia-atacante do Shakhtar Donetsk que nunca encheu os olhos de ninguém vestindo a camisa verde-amarela. O ex-atleta do Internacional nem ao menos chega a ser o principal brasileiro de seu clube, onde Marlos e Bernard tiveram maior destaque ao longo da temporada.

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Jogadores em má fase

Além de Neymar e de Taison, a fase também não é das melhores para outros jogadores importantes da seleção brasileira. O próprio Paulinho, titular com Tite, teve uma segunda metade de temporada bem abaixo no Barcelona e ficou no banco de reservas a maior parte do tempo.

Outro atleta importante que não terminou bem a temporada europeia foi o meia-atacante Willian, que foi largado na reserva pelo técnico do Chelsea, Antonio Conte.

Da água para o vinho?

Gabriel Jesus contou com falha do goleiro alemão Trapp para fazer gol solitário em amistoso realizado em março
Pedro Martins / MoWA Press
Gabriel Jesus contou com falha do goleiro alemão Trapp para fazer gol solitário em amistoso realizado em março

"Lá vem eles de novo"... "Virou passeio". Todos se recordam muito bem do que aconteceu no mundial de 2014, com os acachapantes 7 a 1 sofridos para a Alemanha em pleno Mineirão. Não soa um bocado otimista imaginar que o Brasil sairia daquele vexame diretamente para uma grande conquista no mundial seguinte?

A própria Alemanha, por exemplo, foi derrotada na final da Copa de 2002 (viva, Ronaldo) e tentou se reconstruir para 2006, quando acabou eliminada na semifinal para a Itália. O grupo foi mais uma vez remodelado para tentar o título em 2010 na África do Sul, onde o time jogou bem, mas acabou caindo para a Espanha. Foi aquela geração que, com novos ajustes, conseguiu triunfar em 2014 na final contra a Argentina no Maracanã. O planejamento para alcançar o topo do mundo não é algo que se cumpre em apenas quatro anos.

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Seleção 'doméstica'

A seleção brasileira foi arrasadora nas Eliminatórias contra os times da América do Sul, isso é bem verdade. Mas a equipe de Tite encontrou muitas dificuldades em seus únicos testes contra seleções europeias.

Contra a Inglaterra, que figura já há algum tempo no segundo escalão das seleções europeias, o Brasil criou pouco e ficou num empate em 0 a 0 em amistoso realizado em novembro do ano passado. Já no amistoso contra um time alternativo da Alemanha – sem Neuer, Thomas Müller ou Özil – a seleção venceu pelo placar mínimo de 1 a 0, contando com falha do goleiro Trapp no gol solitário de Gabriel Jesus.

Superstição conta? Então toma:

Além dos fatores (razoavelmente) objetivos, também há um motivo sobrenatural que justifica o por que de o hexa não vir em 2018: O Brasil nunca foi  campeão da Copa do Mundo sem atletas de Palmeiras e São Paulo em seu elenco.

Além disso, também não há nenhum jogador do futebol carioca entre os selecionados de Tite. Em todos os títulos mundiais até agora, a seleção brasileira contava com atletas de Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo ou até mesmo do Bangu, que foi representado pelo zagueiro Zózimo nos anos de 1958 e 1962.

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