
A personalidade de Clarence Seedorf voltou a ser assunto após Roberto Carlos, ex-companheiro do holandês no Real Madrid, afirmar que o ex-jogador era “chato para caramba”. A declaração repercutiu nesta terça-feira (13) e resgatou episódios da passagem de Seedorf pelo Botafogo, entre 2012 e 2013, quando o meio campista protagonizou atritos com companheiros e propôs mudanças que geraram repercussão nos bastidores do clube.
Entre as histórias mais conhecidas estão uma discussão com o ex zagueiro Antônio Carlos, as cobranças sobre a rotina dos jogadores e a insatisfação com um trecho do hino do Botafogo. Os episódios foram relatados por ex jogadores e jornalistas ao longo dos anos e ajudam a contextualizar a fama de exigente atribuída ao holandês, que agora inicia um novo capítulo na carreira como técnico do Corinthians.
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Antônio Carlos relembrou discussão no vestiário
Em entrevista ao Charla Podcast, o ex zagueiro Antônio Carlos contou que teve um desentendimento com Seedorf durante uma partida contra o Boavista, pelo Campeonato Carioca de 2013. Segundo o defensor, o holandês estava insatisfeito com o desempenho dele e de Fábio Ferreira e fez cobranças no intervalo, quando o Botafogo perdia por 2 a 0. Antônio Carlos se levantou para confrontá lo, e outros jogadores precisaram intervir para evitar que a discussão aumentasse.
O ex zagueiro contou que ficou preocupado com a possibilidade de um novo confronto depois da partida, mas o técnico Oswaldo de Oliveira pediu que os dois se abraçassem para encerrar o episódio. Antônio Carlos também brincou com a situação ao lembrar a diferença entre as trajetórias dos dois, destacando os títulos conquistados pelo holandês no futebol europeu.
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Seedorf quis mudar até o hino do Botafogo
Uma das histórias mais conhecidas da passagem do holandês pelo Rio de Janeiro envolve o hino alvinegro. Em abril de 2018, o apresentador André Rizek contou no Seleção SporTV que ouviu o episódio do próprio Seedorf durante um jantar. Segundo o jornalista, o ex jogador se incomodava com o trecho “Não podes perder, perder para ninguém” e defendia uma mudança na letra para destacar a obrigação de vencer.
Na versão relatada por Rizek, Seedorf chegou a dizer que já havia conversado com o presidente do clube sobre o assunto. O holandês comparava a letra do hino alvinegro à do Flamengo e considerava que a referência à derrota transmitia uma mentalidade perdedora. A ideia não avançou. De acordo com o ge, a proposta provocou desconforto interno, e o jogador chegou a se reunir com dirigentes, que pediram que ele não insistisse publicamente na questão.
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Cabides, alimentação e temperatura do ônibus
As exigências de Seedorf também alcançavam detalhes da rotina. Segundo o GE, o holandês queria receber o uniforme em cabides, em vez de encontrar as camisas dobradas no vestiário. O episódio ganhou contornos curiosos quando, conforme relato de Rizek, Seedorf apareceu com sacolas contendo cerca de 200 cabides para que as roupas fossem penduradas. O jogador também defendia que os dirigentes não frequentassem o vestiário em dias de jogos, por considerar aquele espaço reservado aos atletas.
A alimentação era outro ponto de atenção. Seedorf não queria que os jogadores comessem feijão antes das partidas, pois acreditava que o alimento poderia deixá los pesados, e sugeriu a substituição da linguiça de porco pela de boi. Também reclamava da temperatura do ar condicionado do ônibus, que deveria ficar em 21 graus. As histórias foram relatadas por Rizek, que destacou a quantidade de mudanças propostas pelo holandês em pouco tempo.
Apesar dos conflitos, a avaliação sobre Seedorf não era unanimemente negativa. Em entrevista ao ge, Fellype Gabriel afirmou que muitas das ideias do holandês faziam sentido, mas que ele tentava implementá las rápido demais. O ex goleiro Jefferson também disse ao Lance! que o colega queria estabelecer padrões diferentes dos hábitos brasileiros e que, por isso, precisou conversar com ele para pedir mais adaptação à cultura do elenco.