
Em atualização publicada nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Governo Federal autorizou a venda de camisas de times de futebol estampadas com marcas de casas de apostas desde que tenham sido fabricadas antes da Medida Provisória (MP 1394/2026), assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro e que proibiu as bets no Brasil.
A Secretaria afirma que a comercialização das mercadorias que já estavam em estoque anteriormente não significa necessariamente novas propagandas, ações de marketing ou patrocínio ativo com os clubes.
A determinação traz um novo desdobramento ao caso e acontece como uma resposta aos questionamentos levantados pela Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (ÁPICE).
A organização, atuante no setor e que reúne empresas influentes do segmento, entre elas Adidas, Nike e Puma, questionou o Governo Federal sobre o destino das vestimentas fabricadas legalmente antes das novas regras, que impedem a atuação das casas de apostas no Brasil.
A liberação, no entanto, não autoriza o uso das peças com marcas de bets por parte dos clubes em partidas, treinamentos, redes sociais ou atividades comerciais. As equipes, inclusive, tiveram até a última segunda-feira para adequar seus uniformes às determinações da MP e desvinculá-los das casas de apostas.
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MP que barra as bets decreta fim do "dinheiro fácil" para clubes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou no dia 25 de setembro, sexta-feira, em São Paulo, uma medida provisória (MP) que decretou o fim dos mercados de apostas, também conhecidos como bets, no Brasil.
A decisão do governante, que busca sua reeleição neste final de ano, afeta diretamente o futebol brasileiro, completamente dominado por publicidades do setor nos últimos anos.

Em entrevista ao iG, o especialista em finanças desportivas Amir Somoggi afirmou que a medida representa o fim do "dinheiro fácil" para as equipes do país, culpando as administrações pela dependência de verbas ligadas às apostas.
"Os clubes são muito responsáveis por terem ficado dependentes de uma única fonte de receita. As casas de apostas representam mais de um terço de toda a receita de marketing dos clubes, é muita dependência. Mas é o que eu chamo do 'easy money', o dinheiro fácil. Por que os clubes iriam atrás de empresas de veículo, banco, telecomunicação, se o setor de apostas pagam tanto?", iniciou Amir, sócio-fundador da Sports Value.
O especialista também citou uma suposta obviedade na decisão de Lula em acabar com as bets no Brasil, e como os times poderiam ter se preparado para isso.
"Os clubes poderiam ter sido mais inteligentes e terem diversificado, neste momento de aumento de receita, terem buscado novas fontes, porque já se sabia que, cedo ou tarde, elas (bets) seriam limitadas aqui no Brasil", afirmou.