
Na sequência da eliminação sofrida para a Espanha, nesta segunda-feira (6), no confronto das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o técnico Roberto Martínez comunicou a sua saída do cargo e não comanda mais a seleção de Portugal. O fim da linha foi anunciado pelo próprio treinador belga durante entrevista coletiva concedida no AT&T Stadium, em Dallas, nos Estados Unidos.
"Foi um período incrível. Um orgulho que não posso descrever. A força, a energia que tivemos de todo o povo português foi incrível." Roberto Martínez
Ao ser questionado, Martínez confirmou que a partida desta segunda, diante dos espanhóis, foi a sua última no comando da seleção portuguesa. O técnico ressaltou o apoio que recebeu dos torcedores no período em que dirigiu a equipe e destacou também o empenho dos atletas ao longo do trabalho em conjunto.
Contratado em janeiro de 2023, Roberto Martínez somou 32 vitórias, seis empates e sete derrotas no período em que esteve à frente de Portugal. Além disso, o "míster" levou a Seleção das Quinas ao título da Liga das Nações da UEFA (UEFA Nations League) em junho de 2025, derrotando a própria Espanha na final.
Despedida dupla
Além da saída de Roberto Martínez, a seleção de Portugal vive outra despedida, esta, certamente, mais sentida pelos torcedores, afinal, a queda para a Espanha marcou também algo histórico: a última partida oficial de Cristiano Ronaldo, lendário centroavante e ídolo máximo do país, com a camisa da equipe em Copas do Mundo.

Em entrevista coletiva dada no último final de semana, CR7 foi questionado se essa seria sua última Copa. O astro foi direto na resposta.
“Sim, é a minha última (Copa). Vamos lá e aproveitá-la”. Cristiano Ronaldo
A trajetória de CR7 com o time lusitano foi iniciada no dia 20 de agosto de 2003, quando, no intervalo, substituiu Luís Figo em um amistoso contra Cazaquistão, vencido por 1 a 0.
Pouco tempo depois, ganhou a confiança de Luiz Felipe Scolari, sendo convocado para a Eurocopa de 2004, sediada pelo país, e sendo titular durante a campanha vice-campeã.
Na Copa do Mundo de 2006, estreou no maior palco do futebol, e, ao lado de diversos dos maiores jogadores da história de Portugal, se tornou uma referência para a equipe.
Apesar disso, o torneio representou a última vez em muito tempo que o 'Robozão' atuou em uma seleção recheada de grandes nomes. Com o final da carreira de Rui Costa, Luís Figo e Deco, o atacante viu a qualidade técnica dos companheiros abaixar.
Durante mais de uma década, Cristiano Ronaldo viu o seu auge coincidir com uma geração pouco inspirada de Portugal, tendo como seus principais parceiros o zagueiro Pepe, o goleiro Rui Patrício e o ponta-direita Ricardo Quaresma.
Mesmo com o time enfraquecido, o grupo de veteranos conseguiu trazer a maior conquista da história portuguesa no futebol em 2016, com o título da Eurocopa, conquistado com um heroico gol de Éder na prorrogação da final, contra a França.

Após a Copa do Mundo de 2018, uma ótima geração de jovens jogadores do país começou a surgir, com nomes como Rúben Dias, Bernardo Silva e Bruno Fernandes. Apesar disso, CR7 começava a ter um declínio, deixando de ser um atacante completo para se tornar um centroavante goleador na Juventus.
A reta final da carreira do craque ficou evidente no Mundial de 2022, quando, ao longo do torneio, perdeu a posição de titular para Gonçalo Ramos, que está longe de ser um dos principais jogadores do planeta na posição, mas conquistou a vaga com três gols sobre a Suíça, nas oitavas de final. Saindo do banco, o 'Robozão' não conseguiu evitar a eliminação improvável para Marrocos.
Depois da competição, Cristiano se viu em uma situação oposta. O astro tinha uma seleção de ponta ao seu lado, com mais nomes de peso surgindo, como Vitinha, João Neves e Nuno Mendes, mas já não conseguia acompanhar os companheiros.
Apesar dos dois gols contra Uzbequistão, na segunda rodada da fase de grupos, CR7 não fez uma grande Copa do Mundo, marcada pela dificuldade em seguir o intenso ritmo do futebol atual e "condenar" o time a jogar ao seu redor.