Parque São Jorge é a sede do Corinthians
José Manoel Idalgo / Corinthians
Parque São Jorge é a sede do Corinthians

Em meio a Data Fifa, o Corinthians ganha holofotes em mais uma polêmica. Uma auditoria interna no Timão identificou um esquema de desvio e venda clandestina de uniformes oficiais dentro das dependências do clube.

Em relatório com quase 100 páginas, uma série de irregularidades são apontadas, revelando falhas com ampla gravidade na gestão, controle e distribuição dos materiais Nike fornecidos ao time alvinegro.

De acordo com documento, 41.936 itens da fornecedora de materiais esportivos foram recebidos pelo Corinthians até outubro (aumento de 24% com relação a 2024), e outros 13.503 itens licenciados adquiridos pelo próprio clube. Mesmo assim, atletas da base e de várias modalidades sofrem com uniformes precários ou nem os recebem.

A soma dos itens destes dois anos resulta num recebimento de R$ 23.772.090,37 em materiais, valor que ultrapassa em R$ 15.772.090,37 o limite de cota contratual.

Os trabalhos de auditoria receberam uma denúncia anônima relatando a existência de comércio irregular de materiais, dentro e fora do Parque São Jorge. O denunciante apontou que funcionários do Corinthians atuavam como intermediários no repasse de itens oficiais Nike a terceiros, recebendo quantias monetárias. As informações do relatório foram divulgadas inicialmente pela Central do Timão.


Vendas clandestinas

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Camisas do Corinthians desviadas

O documento relata que os auditores realizaram uma compra controlada no dia 11 de outubro de 2025, afim de verificar as informações, conseguindo duas camisas oficiais no valor de R$ 150 cada. Dois dias depois, uma terceira camisa foi adquirida. Todos os pagamentos foram realizados via PIX, numa conta bancária pertencente a um funcionário do clube, que posteriormente reconheceu participação no esquema.

Após passar por análise, as camisas tiveram sua autenticidade confirmada pela auditoria, que indicou que realmente eram materiais originais e que pertenciam ao estoque institucional. De acordo com o relatório, o caso implica em três irregularidades principais: comercialização de materiais oficiais do clube, participação direta de um funcionário no esquema e realização de atividade ilícita dentro das dependências alvinegras.

Para além do comércio clandestino de materiais, o documento apresenta anormalidades no processo de controle dos materiais direcionados ao Corinthians pela Nike. Os auditores destacaram um número elevado de retirada de produtos, além de peças em más condições e higiene precária onde os materiais eram armazenados.

Sem camisas

No relatório, uma das ocorrências que chama atenção é o confronto entre Corinthians e Fluminense, no Maracanã, no mês de setembro.

Na ocasião o Alvinegro precisou mudar o uniforme que seria utilizado contra os cariocas após perceber, às vésperas da partida, que não havia camisas brancas suficientes para compor o uniforme principal.

A Nike não conseguiria entregar o material a tempo, por isso, o Corinthians pediu à diretoria do Fluminense para que a partida fosse realizada com ambos jogando com seu segundo uniforme.

Alvo: Armando Mendonça

O relatório foi entregue ao presidente Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e o período de investigação engloba também o mandato de Augusto Melo.

Para além da apuração interna, o caso foi parar na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), com vínculo ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo.

Armando Mendonça é vice-presidente do Corinthians
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Armando Mendonça é vice-presidente do Corinthians

O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, aparece como figura central do relatório. A auditoria aponta que o dirigente, responsável pela gestão fos materiais esportivos desde o mês de maio, retirou 131 sem solicitação formal ou justificativa registrada.

Em contato com o auditor Marcelo Munhoes, Armando teria demonstrado preocupação com a investigação, elevando o tom.

"O diálogo assumiu caráter mais incisivo, com expressões de natureza agressiva e alusões interpretadas como ameaças, dirigidas ao auditor", cita o documento.

Em contato com o Ge, Armando Mendonça nega os apontamentos da auditoria. Veja abaixo:

"É falsa a informação de que sou o responsável pelas diretrizes de distribuição dos materiais da Nike no Corinthians e administração dos almoxarifados.

Por conta do caos encontrado em junho deste ano, quando a gestão Augusto Melo não fazia o necessário controle e, em janeiro de 2025, já havia estourado em muito a cota anual, resolvi pessoalmente ajudar no sistema de cadeia de aprovações de retirada de material, justamente para dar maior transparência e controle à destinação do patrimônio do clube e evitar prejuízos e malfeitos.

Desde então, solicito constantemente melhorias no sistema para o fluxo de controle de retirada de materiais Nike.

É preciso salientar que não é nem nunca foi de minha responsabilidade a definição de política de distribuição interna por departamento, o que normalmente é feito a cada ano.

Minha função é a de analisar os pedidos extras e autorizá-los de acordo com as necessidades, juntamente com o departamento administrativo.

Lamento profundamente informações desconectadas da verdade e desamparada de qualquer material probatório".

O Portal iG Esportes entrou em contato com o Corinthians, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

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