Há 39 anos, o telefone fixo tocou na casa do jovem Müller, de 20, atacante do São Paulo . Do outro lado da linha, uma funcionária da CBF com o objetivo de informá-lo sobre um dos momentos mais importantes na vida do jogador de futebol brasileiro na época.
Era desse jeito que funcionava a convocação para a Seleção Brasileira nos anos 80, segundo o relato de Müller, ex-craque e multicampeão pelo São Paulo. Em entrevista ao podcast Prieto TV , ele descreveu todo o processo burocrático para estar na Seleção e lembrou que o cronograma das viagens era enviado por fax ou telegrama.
"A convocação era o seguinte na época: a Terezinha, da CBF, ligava na tua casa, pelo telefone fixo. 'Müller, você foi convocado para o amistoso da seleção brasileira, tá bom? E o planejamento a gente vai mandar por fax e telegrama para o seu clube'. Era assim. Aí, você chegava no clube, o gerente te falava 'olha, você foi convocado, parabéns, vai viajar amanhã', etc. Aí, a gente ia sozinho, de carro, ou de taxi para o aeroporto. Pegava a ponte aérea de Congonhas para o Rio de Janeiro. Em 40 minutos, estava lá ", disse.
A facilidade na comunicação e acesso a informação que encontramos nos tempos de hoje na palma da mão era uma realidade muito distante na época. Outra dificuldade daqueles tempos, segundo o ex-jogador, era estar presente na lista dos melhores atletas brasileiros de futebol.
Na conversa com o apresentador Nivaldo Prieto, Müller contou como encontrou seus ídolos durante amistosos preparatórios para a Copa do Mundo de 86, no México. A primeira partida dele foi contra a Alemanha em Frankfurt, onde foi titular, mesmo diante de craques consagrados no Brasil.
"Imagina eu titular? Renato Gaúcho, todos aqueles cara no banco. Naquela época tinha que ser bom mesmo para (merecer) estar em uma convocação, não pra Copa do Mundo. Tinha muita gente boa. A safra era rica. Imagina, só: eu molecote chegando na seleção e os 'puta velha' tudo. Renato Gaúcho, Casagrande, Éder, Careca, Zico, Sócrates, Falcão, Dirceu", lembrou.
Seleção de Ancelotti
Müller lembrou de nomes históricos que ajudaram a criar a mística da camisa amarela brasileira. Pretígio que o italiano Carlo Ancelotti tem o desafio de recuperar.
Contratado para tentar conquistar o hexa para o Brasil, Ancelotti tem mais dois compromissos - os últimos - no início do mês de setembro pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
Para as partidas contra o Chile, no dia 4, no Maracanã; e Bolívia, dia 9, na altitude de El Alto, o treinador já entregou uma lista com 50 jogadores selecionáveis. Entre eles está Neymar Jr. que não participou da primeira convocação do técnico.
Desse grupo, 23 serão convocados. Seja pelo Whatsapp, chamada de vídeo, ou pelas redes sociais, eles ficarão sabendo com mais rapidez e facilidade. Resta saber se serão capazes de representar o Brasil, assim como os craques de antigamente.
Veja o trecho da entrevista