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A votação de quinta-feira, no Conselho Deliberativo do Vasco, deu sinais claros sobre o passado e o futuro do clube. Não apenas a aprovação do empréstimo de R$ 70 milhões, originário da 777 Partners, mas principalmente a vantagem expressiva dos a favor em relação aos contrários.

O placar de 180 a 26 (12 votos contra e 14 abstenções) indica que o Vasco está efetivamente mais perto da criação da sociedade anônima de futebol e da sua posterior venda para o grupo americano que fez o repasse milionário. Tirando as ameaças já existentes de beneméritos como Roberto Monteiro, de recorrer à Justiça para impedir o andamento do processo, talvez a disputa no âmbito político acabe não sendo tão traumática quanto outras na vida do clube. 

Ainda que a sessão tenha deliberado, na teoria, apenas sobre a validação do empréstimo, ela representou, na prática, um indicativo de que mesmo a ala mais conservadora do Vasco está disposta a abrir mão do controle. 

Entre os grandes beneméritos e beneméritos, o número de votos a favor do empréstimo (36), conseguiu ser superior ao número de votos contra (12) e de abstenções (13). Eles são atualmente 139, o que indica que nem a metade compareceu à sessão virtual para votar. Quem é contra a criação e venda da SAF precisa se escorar nesse grupo para tentar reverter o quadro. Há margem para isso, mas será necessária uma mobilização enorme, de conselheiros de idade muito avançada e já bem afastados da vida política do clube.

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Entre os conselheiros eleitos, a vitória a favor da SAF foi esmagadora. Eles são 150 no total e, na votação de quinta-feira, absolutamente todos que compareceram votaram sim. São membros da chapa de Jorge Salgado, presidente, e de Julio Brant, segundo colocado.

E é aí que reside o sinal claro a respeito do passado do Vasco. Mais precisamente, a história escrita em dezembro de 2020. A decisão das correntes políticas que não apoiavam nem Salgado, nem Brant, de não participarem da votação eletrônica que elegeu Salgado foi a aposta de todas as fichas na eleição que ocorreu em São Januário, com resultado a favor de Luiz Roberto Leven Siano. 

Unidos, esses grupos provavelmente seriam, no mínimo, a segunda chapa vencedora da eleição. Teriam hoje 30 nomes eleitos no Conselho Deliberativo e mais seus representantes entre beneméritos e grande beneméritos. Ao insistirem em um processo eleitoral judicializado, com uma tese que se mostrou fraca, entregaram o Conselho Deliberativo de bandeja a dois grupos que, apesar de diferentes, são iguais em diversas pautas. Incluindo a formação de uma SAF.

Até setembro, quando o Vasco pretende levar a discussão da criação e da venda da SAF para as votações no Conselho Deliberativo e Assembleia Geral, muita coisa ainda pode acontecer. Mas a diretoria está com a faca e o queijo nas mãos para ganhar esse jogo. Tem maioria no Conselho Deliberativo e R$ 70 milhões para tentar reforçar o elenco e bancar uma campanha sem sustos na Série B, diferente da do ano passado. Com a proposta vinculante da 777 Partners de R$ 700 milhões na mesa e um futebol vitorioso, apenas uma guinada absurda fará com que o futebol do Vasco não seja vendido.

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