Vítor Pereira
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Vítor Pereira

O Corinthians enfim tem um novo técnico. O português Vitor Pereira, de 53 anos, foi o escolhido pelo presidente Duilio Monteiro Alves para comandar o Timão após a saída de Sylvinho. Bicampeão português com o Porto, o treinador traz bagagem vitoriosa e um estilo adaptável ao clube paulista.

O clube brincou no anúncio, postando foto de uma chaminé com fumaça branca, utilizada pelo Vaticano para anunciar a escolha de um novo papa. "Esta decisão demorou mais do que a gente esperava, mas o resultado é extamente o que a gente queria. Agora, a gente dá as boas-vindas um cara que foi campeão onde passou, que chega ao Brasil pronto para trabalhar com um clube único. E que vai viver com a Fiel a loucura de ser Corinthians. Bem-vindo, Vitor Pereira, o novo técnico do Timão. Vai, Corinthians", anunciou o presidente, em vídeo.

Pereira vem de controversa demissão no Fenerbache, da Turquia, onde teve 11 vitórias, 7 empates e 7 derrotas em 25 jogos. Ele deixou o clube na quinta posição do Campeonato Turco, 14 pontos atrás do líder Trabzonspor. Nas últimas semanas, foi procurado por uma série de clubes, incluindo o Everton, da Premier League.

Ex-auxiliar de Andre Villas-Boas

Pereira acumula cinco grandes títulos na carreira, incluindo dos títulos portugueses. O primeiro deles foi num início meteórico de trajetória em um grande clube, em 2011/12, no Porto. No Estádio do Dragão, o treinador substituiu Andre Villas-Boas, de quem foi auxiliar, após uma temporada histórica, de vitórias na liga nacional e na Liga Europa em 2010/11. Antes de chegar à posição, havia comandado clubes modestos como o Espinho, de sua terra natal, o Sanjoanense e o Santa Clara, além das categorias de base do próprio Porto.

Treinando times da Arábia Saudita, Grécia, Turquia, Alemanha e China, Vitor demonstrou capacidade de adaptação a diferentes propostas de jogo. No Porto, a passagem mais bem-sucedida e segunda mais duradoura da carreira, venceu o Português duas vezes — a primeira, na temporada de estreia, perdendo apenas um jogo, e a segunda, invicto. Por outro lado, sofreu críticas pelo desempenho ruim na Champions e decepções em torneios mata-mata. 

Era o agora treinador do Corinthians quem comandava o Porto no histórico clássico contra o Benfica em que Jorge Jesus caiu de joelhos, em 2013. Naquela partida, colocou o brasileiro Kelvin em campo, que acabou marcando o gol da virada nos acréscimos. O Porto ultrapassou os rivais na tabela, assumiu a liderança e foi campeão na rodada seguinte.


Pressão no adversário e organização na saída

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Por lá, deu o cartão de visitas do que se trata sua ideia básica de jogo: pressão no campo do adversário e amplitude ofensiva. Os pontas e laterais foram peças importantíssimas em seus esquemas: os primeiros davam opções abertas enquanto os segundos buscavam espaços entre as linhas adversárias.

Durante a construção de jogo, seus times tentam sufocar o oponente em seu próprio campo por meio da superioridade numérica e passes rápidos, subindo suas linhas. Os jogadores de lado costumam ser responsáveis pelo último passe, acionados assim que o adversário fornece espaços.

Seus defensores também costumam ser bem exigidos na construção. O português alterna entre três, quatro ou até cinco na linha defensiva e não abre mão saída de bola organizada, precisa na troca de passes — verticai, sempre que possível — e buscando a superioridade numérica enquanto tenta evitar pressão. 

O estilo deu muito certo em Portugal e surpreendeu com um dos melhores ataques do país: média de 69,5 gols por temporada nos dois anos em que esteve lá. As principais dificuldades são defender contra-ataque: seus times costumam levar muitos gols na transição após erros ofensivos enquanto têm a linha de defesa adiantada.

Conhece brasileiros

A penúltima experiência de Vítor foi no Shangai SIPG, da China. Por lá, treinou um time que tinha um trio de ataque poderoso, formado pelo austríaco Arnautovic e os brasileiros Oscar e Hulk. Por lá, mudou um pouco seu estilo de jogo e passou a comandar de forma mais cautelosa, defendendo em bloco com linhas de meias e defensores no seu próprio campo, buscando os contra-ataques.

A estratégia deu certo e o português conquistou a Liga Chinesa em 2017/18, além de acumular recordes no futebol do país. Essa capacidade de adaptação rendeu bons números na carreira de Pereira.

Entre seus melhores aproveitamentos, teve 69% de vitórias no Porto, 58% no Shangai e 66% no Olympiacos, da Grécia — onde foi campeão nacional. Ao mesmo tempo, viveu passagens fracas no Al Ahli (Arábia Saudita) e no 1860 Munich (Alemanha) — onde viu sua equipe ser rebaixada para a terceira divisão.

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