Racismo
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A Polícia Civil do Paraná decidiu que vai indiciar por racismo dois torcedores do Athletico que foram flagrados apontando para a pele e fazendo supostas imitações preconceituosas durante a final da Copa do Brasil no mês passado. Irmãos e advogados, eles serão ouvidos nos próximos dias em Londrina, município onde moram.

A dupla, que não teve os nomes revelados, foi identificada pelo próprio Athletico às vésperas do Natal em colaboração com as investigações conduzidas em Curitiba. Os depoimentos dos torcedores estavam previstos para ocorrer somente após o período de festas, já que um dos advogados aproveitou o recesso do Judiciário e viajou a outro estado.

Uma carta precatória, instrumento de comunicação entre juízos, foi enviada às autoridades de Londrina para realização do interrogatório na cidade onde os suspeitos têm domicílio. Após analisar as imagens e ouvir testemunhas e pessoas ligadas ao Athletico, o delegado Luiz Carlos Oliveira, responsável pelo caso, decidiu que indiciará os torcedores depois que forem ouvidos.

— As imagens falam por si. E elas (testemunhas) relatam o que todo mundo vê, os atos racistas que eles (torcedores) cometem em referência à torcida adversária. Se fosse dirigida diretamente a uma pessoa, seria injúria racial. Quando é dentro da coletividade, o crime é racismo — disse o delegado ao GLOBO. 

Após o interrogatório, a carta precatória retorna a Curitiba para a conclusão do inquérito. O delegado, então, encaminhará à Justiça o relatório a respeito dos fatos apurados. Uma vez feito o indiciamento, o Ministério Público analisa se oferece ou não denúncia.

A reportagem não localizou a defesa dos suspeitos. O espaço segue aberto a manifestação.

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Torcedora indiciada

Além dos irmãos advogados, uma outra torcedora do Athletico, de 24 anos, foi indiciada ainda no mês passado ao ser filmada em um camarote da Arena da Baixada supostamente imitando um macaco. Em depoimento, ela relatou que gesticulou para torcedores do próprio time que teriam provocado o empresário Luciano Hang — dono de uma empresa varejista e apoiador do presidente Jair Bolsonaro —, atingido por um copo de cerveja durante o jogo. A mulher alegou que eles estariam agindo como "primatas", movito pelo qual fez a imitação.

Na gravação, é possível ver que um grupo de athleticanos se revolta com a situação e começa a xingá-la. Um deles tenta subir em uma mureta e se aproximar do camarote, onde a mulher estava acompanhada de um outro homem. Enquanto fazia os gestos, ela ria em direção à torcida.

O caso será também analisado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Athletico pode ser punido conforme o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). As penas previstas podem variar entre advertência, multa, perda de pontos e até mesmo exclusão do campeonato, a depender da gravidade dos fatos.

Em nota após os episódios, o Athletico afirmou que "racismo é inaceitável e, mais do que isso, criminoso". O clube também se comprometeu a "investigar os acontecimentos, identificar os responsáveis e repassar todas as informações às autoridades competentes".

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