Racismo
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Dois torcedores do Athletico suspeitos de gestos racistas na final da Copa do Brasil e recém-identificados pela Polícia Civil do Paraná, conforme revelou o GLOBO nesta terça-feira, devem depor somente após as festas de fim de ano.

Além de irmãos, como ambos são advogados em Londrina, um deles aproveitou o recesso do Judiciário e viajou a outro estado.

Uma hipótese para que os depoimentos ocorram antes do período seria os dois se apresentarem de maneira voluntária à delegacia. A Polícia, que já instaurou inquérito, pretende ouvir os advogados juntos. As autoridades avaliam um deslocamento até Londrina ou uma carta precatória, instrumento de comunicação entre juízos para o cumprimento de determinada diligência.

Um vídeo gravado pela jornalista Bianca Molina e publicado em seu perfil no Twitter após a decisão da Copa do Brasil na semana passada mostra os torcedores apontando para a pele e fazendo imitações em direção aos rivais atleticanos. Outra gravação compartilhada nas redes sociais exibe uma mulher em um camarote da Arena da Baixada supostamente imitando um macaco.

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A atlheticana, de 24 anos, cujo nome não foi revelado, foi indiciada pela Polícia Civil após prestar depoimento. Em sua versão, ela relatou que gesticulou para torcedores do próprio time que teriam provocado o empresário Luciano Hang, atingido por um copo de cerveja durante o jogo. A mulher alegou que eles estariam agindo como "primatas", motivo pelo qual fez a imitação.

Na gravação, é possível ver que um grupo de athleticanos se revolta com a situação e começa a xingá-la. Um deles tenta subir em uma mureta e se aproximar do camarote, onde a mulher estava acompanhada de outro homem. Enquanto fazia os gestos, ela ria em direção à torcida.

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O caso será analisado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). As denúncias também foram encaminhadas ao Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que recebeu ao todo 53 denúncias de racismo relacionadas ao futebol brasileiro em 2021. O levantamento inclui casos ocorridos em estádios, na internet e fora desses dois espaços.

De acordo com o advogado especializado em direito desportivo Rodrigo Marrubia, sócio do escritório Carlezzo Advogados, o Athletico pode ser punido conforme o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Ele explica que as penas previstas podem variar entre advertência, multa, perda de pontos e até mesmo exclusão do campeonato, a depender da gravidade dos fatos.

Em nota após os episódios, o Athletico afirmou que "racismo é inaceitável e, mais do que isso, criminoso". Disse ainda que tomou conhecimento dos atos por meio dos vídeos publicados nas redes sociais e disse que vai "investigar os acontecimentos, identificar os responsáveis e repassar todas as informações às autoridades competentes".

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