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Há cerca de dois meses o LANCE! noticiava que a RecordTV era a surpresa da temporada 2021 no mercado de direitos esportivos ao adquirir o Campeonato Carioca, que foi deixado de lado pela Globo, muito por conta do envolvimento de uma empresa estreante no mercado chamada Sportsview, comandada pelo executivo ex-Globo, Marcelo Campos Pinto. A empresa assumiu o pay-per-view do torneio, antes parte do pacote da Globo com o Premiere.

Assim que surgiu no mercado, a Sportsview sugeriu um modelo de negócios mais rentável para todas as partes, inclusive, os clubes cariocas. Em entrevista ao LANCE! , Campos Pinto revelou os números alcançados pela empresa, comparou com o Premiere, da Globo e fez um apelo contra a pirataria.

- (Tenho) motivos de sobra para comemoração, sem dúvidas. Temos um modelo de PPV hoje muito atrativo para os torcedores e para os clubes. O público tem um produto mais acessível, pagando cerca de 30% a menos do que o preço cobrado até o ano passado. Além disso, o produto passou a ser ofertado também pelos próprios clubes, o que é uma revolução e parte da nossa estratégia de colocar o Cariocão na vanguarda das transformações que acontecem neste setor. Os clubes ampliaram a sua fatia de receitas sobre as vendas do PPV. Até o ano passado, com o Premiere, eles ficavam com apenas 44% da mensalidade líquida de impostos, e agora passam a ficar com cerca de 65%. É um ganho extraordinário de praticamente 50%.

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Esse novo modelo de negócio foi possível após uma mudança no mercado, pois a Globo, que queria continuar com exclusividade na TV aberta e fechada, além do PPV, não renovou contrato com a Ferj para o estadual do Rio, já que havia um movimento para a introdução de um PPV que pudesse, inclusive, ser assinado diretamente com os clubes.

Marcelo Campos Pinto destacou ainda que a Sportsview já alcançou uma marca expressiva de assinaturas e que está próxima de bater a meta pré-estipulada para este ano.

- Estamos com cerca de 200 mil assinantes, considerando todas as plataformas de transmissão, número bastante expressivo por ser uma mudança nos hábitos dos consumidores em um período tão curto de tempo. Durante décadas o consumidor do produto futebol se habitou a comprar todos os produtos num só fornecedor, a Globo. A partir do ano passado o futebol passou a ser distribuído por outros veículos, Libertadores no SBT, na FOX Sports, e com pay-per-view sendo vendido pela dupla Claro / Sky, apenas para citar o exemplo mais importante. Nós tivemos apenas um mês para comunicar a mudança aos consumidores, um prazo tecnicamente muito curto. Ainda assim estamos próximos da meta para esse ano, que é de 250.000 assinaturas.

Marcelo relembrou que teve menos de uma semana para se preparar para o campeonato e que esse motivo afetou o processo de marketing para que o produto tivesse uma divulgação mais profunda no mercado publicitário, consequentemente alcançando mais assinantes. Apesar disso, o executivo comemorou o trabalho feito até aqui.

- Assinamos o contrato com os clubes no dia 28 de janeiro, com a Record TV no dia 20 de fevereiro, e o campeonato começou no dia 3 de março. Não tivemos oportunidade de fazer uma transmissão piloto sequer. Somente a partir do final da terceira rodada começamos a atingir nossa meta de qualidade. Estamos muito felizes com o resultado da transmissão. Estão sendo aplicados vários conceitos novos, e isso demanda tempo para que o público se acostume com as novidades - afirmou.

Entre os motivos de comemoração, porém, uma situação em específico vem 'tirando o sono' da empresa: a pirataria. Com o sinal distribuído via internet, é muito comum encontrar perfis que encontram maneiras de burlar o sistema de 'pague para ver' e distribuem o sinal de forma gratuita e ilegal.

- Esse é um problema que estamos combatendo diariamente, porque é péssimo para todos: clubes e empresas parceiras, entre outros. Estamos atacando em três frentes: tecnologia, campanha de conscientização e jurídica. Fizemos acordos com plataformas Facebook e YouTube para derrubar automaticamente transmissões piratas. Apenas nas primeiras rodadas do Cariocão, derrubamos mais de mil exibições ilegais no Facebook e Instagram, além de outras 400 no YouTube. Temos trabalhado com os clubes para lançarmos uma campanha que mostre aos torcedores que a pirataria tira recursos do seu clube de coração, um recurso que faz falta na hora da contratação de um reforço, por exemplo - argumentou.

- A pirataria afeta a arrecadação dos clubes, pois agora eles ficam com 65% do valor da venda do PPV líquido de impostos. Ou seja, o maior prejudicado com a pirataria é o clube do coração do torcedor. E é importante deixar isso bem claro através de campanhas com os clubes e seus jogadores. De nossa parte, trabalhamos para reduzir o preço do produto para o torcedor, de forma a torná-lo mais acessível, e temos certeza que os torcedores farão sua parte assinando o produto oficial. Quanto aos responsáveis pelo compartilhamento do conteúdo não autorizado, devemos sempre lembrar que pirataria é crime e uma das nossas linhas de atuação se dá no âmbito jurídico - concluiu.

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