Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou nesta quinta-feira, em comunicado, que o presidente da entidade, Thomas Bach, cobrou, via teleconferência, o chefe do Comitê Olímpico do Japão (COJ), Yasuhiro Yamashita, por mudanças no país para erradicar o abuso no esporte japonês. Isso porque a Human Rights Watch (HRW) divulgou o relatório "I Was Hit So Many Times I Can’t Count” (“Fui atingido tantas vezes que não posso contar”), no mês passado, sobre o tema, que ainda atinge várias nações.

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Olimpíadas foram adiadas para 2021


Tóquio estaria, nesse momento, realizando os Jogos de verão, que foram adiados para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus. A populçao, em geral, quer seu cancelamento. E o comitê local admitiu que a próxima edição da Olimpíada pode ser mais simples mesmo sem a descoberta de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus.

Segundo a HRW, crianças e adolescentes que são atletas no Japão sofrem com abusos físico e verbal e, ocasionalmente, sexual durante os treinos. A entidade entrevistou mais de 800 atletas, incluindo olímpicos e paralímpicos, de 50 modalidades.

O documento expôs o esporte japonês na semana que os Jogos Olímpicos de Tóquio começariam se não houvesse a pandemia de coronavírus.

— Os abusos específicos que documentamos incluem socos, tapas, chutes ou golpes com objetos (e) comida e água em excesso ou insuficiente — declarou, à época, Minky Worden, diretora de iniciativas globais da HRW.

O relatório não só examinou e mostrou as punições físicas no esporte japonês, como documentou narrativas dos próprios atletas. De acordo com os dados expostos, os abusos citados explicam o suicídio de muitas vítimas.

Segundo o COI, ambos os presidentes enfatizaram nesta reunião a vontade e determinação de suas organizações na luta contra qualquer forma de abuso.

Durante a discussão, Yamashita enfatizou as diferentes medidas adotadas pelo esporte japonês para tentar evitar abusos. Em 2013, o COJ prometeu tomar medidas para acabar com a violência entre suas federações esportivas depois que uma pesquisa interna revelou que mais de 10% de seus atletas foram vítimas de bullying ou assédio.

Desde então, um novo código de governança para organizações esportivas foi estabelecido no Japão, mas a HRW disse que não é suficiente.

"À luz dos incidentes ocorridos no passado, vários esforços foram feitos para eliminar os abusos no mundo do esporte", disse o COJ em seu próprio comunicado desta quinta-feira. "Juntamente com cada NF (National Sporting Federation) e outros órgãos relevantes, o COJ fará todo o possível para voltar ao entendimento fundamental de eliminar o abuso de atividades esportivas de elite".

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