Marcelo Crivella, prefeito do Rio
Hermes de Paula / Agência O Globo
Marcelo Crivella, prefeito do Rio

A volta do público aos jogos de futebol no Rio de Janeiro não esta garantida para o dia 10 de julho. O prefeito Marcelo Crivella afirmou que a liberação para esta data não implica numa imediata abertura dos estadios de futebol. Segundo ele, fatores como os impactos no sistema de transportes e na própria segurança pública serão avaliados, assim como a opinião da população a respeito do tema.

- Queria só esclaracer que uma coisa é o conselho científico determinar uma data de liberação. O prefeito não é autorizado a fazer a abertura antes dessa data. Mas eles me autorizam a fazer depois. Porque entendem que o prefeito tem que avaliar a área de transportes, de segurança e como a população recebe estas medidas. Isso é uma avaliação política. E é isso que estamos avaliando agora. O conselho diz dia 10. Mas não quer dizer que vai ser dia 10 - afirmou Crivella, em coletiva realizada nesta terça-feira.

- Não está garantido que no dia 10 vai ter torcida. Estamos analisando, vamos pedir a ajuda da Polícia Militar, para que possamos realmente garantir que só entrem pessoas de máscara, para que no tranporte não vá ter aglomeração, e fazendo pesquisas para ver como o público encara isso. É um fator importante. A prefeitura sai na rua e pergunta às pessoas o que elas acham da medida. A gente quer mostrar que está voltando aos poucos e com fiscalização. Temos que garantir que em cada passo dado, a fiscallização vá conter excessos, loucuras, imprudências. É dentro deste espírito que estamos agora. Assim que tiver garantias de que a torcida pode voltar sem correr riscos vamos avisar.

A permissão para o retorno do público nos jogos de futebol tem gerado muita polêmica desde que foi publicada no Diário Oficial da prefeitura, na última sexta-feira. Pelo decreto, será permitida a presença de torcedores com limitação de 1/3 da capacidade dos estádios. Além disso, é preciso garantir um espaço de 4 metros quadrados entre as pessoas. No caso do Maracanã, por exemplo, este um terço equivale a 22 mil pessoas.

Ao comentar estas determinações, o superintendente de Educação da Vigilância Sanitária Flávio Graça explicou que eles trabalham com uma expectativa de público menor. Isso porque as contas da pasta não leva em consideração o público total dos estádios. No Maracanã, seria de cerca de 12 mil espectadores.

- Quais foram os parâmetros levados em consideração para colocar o fuitebol na fase 3? Primeiro que as arenas são espaços abertos. Segundo, que quando se fala em público de 22 mil pessoas, está se levando em consideração a lotação máxima possível dentro do estádio. Mas quando se fala em um terço, o gabinete científico colocou mais especificamente um terço da capacidade onde fica o público, permitindo o que, em conversas com a administração do Maracanã, dá em torno de 12, 13 mil pessoas. Isso diminui bastante o que vocês estão imaginando. Mesmo assim, é uma colocação levando em conta que é um espaço aberto, que as pessoas vão manter um distanciamento - coentou Graça, também reforçndo que a decisao em relação ao dia 10 não está tomada.

- Agora é hora de avaliar todas as outras condições: o impacto no tranporte público, na segurança pública, se o estádio consegue ter um controle de só aquele público acessar o estádio ou se muitos torcedores vão se aglomerar. Tudo está sendo conversado com os setores de segurança pública e de transportes para que possamos tomar a decisão final.

A liberação do público aos jogos de futebol pegou de surpresa até mesmo a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj). Em nota (confira no final da matéria), a entidade afirmou não dispor ainda de dados que permitam emitir uma opinião sobre esta decisão e pediu um debate com todos os setores envolvidos.

A Ferj divulgou nesta segunda a tabela das semifinais e final da Taça Rio. As fases serão disputadas, respectivamente, nos dias 5 e 8 de julho. Como o Flamengo pode ser campeão carioca caso vença o segundo turno e se mantenha como líder na classificação geral, o campeonato pode terminar antes mesmo de um eventual retorno do público.

A prefeitura se baseia num manual elaborado pela Vigilância Sanitaria para organizar o retorno do público ao estádio. Além das regras de distanciamento, o documento prevê que os ingressos devem ser vendidos por um sistema online ou por caixas de auto-atendimento. Também é definido que a entrada dos torcedores ocorra de forma escalonada, para evitar que todos acessem ao mesmo tempo. Para isso, os bilhetes devem conter o horário em que cada espectador deve entrar.

Nota da Ferj sobre o assunto

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro teve ciência da fase 3 de flexibilização do Governo Municipal referente às medidas restritivas e, no momento, ainda não dispõe de dados em que possa se basear para opinar sobre a viabilidade imediata da realização de jogos de futebol com a presença de público.

Entende que em algum momento, embora ainda não definido na prática, tal situação deverá vir a se concretizar e para tanto torna-se fundamental um debate, em razão da complexidade do tema, em que possam ser analisadas as diversas variáveis que fazem parte das operações de jogo, com a participação das várias instituições envolvidas no evento (Transporte Público, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Controle Urbano, Secretarias de Saúde, dentre outras...).

E não apenas clubes, federação e estádios, de modo à elaboração de um protocolo e planejamento de ações e contingências com os objetivos de segurança à saúde individual e coletiva, prevenção e combate à disseminação da Covid-19.

Nesta data, a FERJ tem agendada uma reunião preliminar com os médicos dos clubes e representantes da Secretaria Municipal de Saúde e da Sub-Secretaria de Vigilância Sanitária para ouvir desses órgãos subsídios que permitam estudos, na área médica, para que sejam delineadas as diretrizes que possam ser viabilizadas e seguidas quando forem necessárias.

Por questões temporais, face à proximidade do término das partidas do Campeonato Carioca, as conclusões do estudo devem contemplar as competições nacionais, motivo pelo qual a inclusão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nos debates torna-se fundamental.

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