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Zagueiro Felipe, ex-Corinthians

A quarentena é uma realidade em grande parte do mundo. A recomendação de ficar em casa se tornou um ato da saúde pública, já que o isolamento é imprescindível para evitar novos contágios do coronavírus. No entanto, esse afastamento obrigatório não precisa ser cercado de improdutividade e pode ser usado para o início ou a retomada de alguma atividade.

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É o caso do zagueiro Felipe , ex- Corinthian s e que atualmente está no Atlético de Madrid, da Espanha. Enquanto segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de ficar em casa, o jogador resolveu retomar o antigo amor pelos desenhos.

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Em entrevista exclusiva ao iG, o atleta explicou o que o motivou. “A minha relação com os desenhos vem desde moleque. Por volta dos 14 anos comecei a me interessar e vi que tinha um pouco de talento. A partir daí, comecei a desenhar e virou um hábito. Comprei um caderno, folha sulfite e copiava tudo que via nos livros. Fiz isso até os 17 anos. Agora, ficando em casa o tempo todo, deu vontade de desenhar”, revela o jogador, que deu alguns passos a mais em relação ao que produzia quando jovem. “Sempre gostei dos desenhos animados, Pica Pau e Mickey, por exemplo, que são traços mais fáceis. Agora, na quarentena, que tenho mais tempo, comecei a desenhar a parte realista, em preto e branco, que exige um pouco mais de atenção. Hoje, vejo vídeos no Youtube e procuro fazer igual”.

Mesmo sem nunca ter feito aula, Felipe já traça alguns objetivos ambiciosos a curto prazo. “Procuro sempre melhorar para conseguir desenhar minha mãe, meu pai e amigos. Até o momento que o pessoal vai começar a pedir para ser desenhado. Não é fácil, mas, tem que ter atenção e fazer o passo a passo que você consegue. Estou começando com rosa, flor e olho, que é o que dizem ser o mais fácil para iniciar (no realismo)”, comenta.

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Desenho do zagueiro Felipe

Aos interessados em se aventurar na arte, o zagueiro dá algumas dicas e indica dois profissionais que o inspiram atualmente. “O primeiro de tudo é ver as tutorias que os profissionais fazem. Eu, por exemplo, acompanho o Charles Laveso e, na parte do colorido, o Juninho Desenhos. São dois que gosto de ver os vídeos e tentar fazer igual para melhorar. A dica que dou é a pessoa procurar com quem se identifica e começar a fazer tudo, desde o início, aprendendo sobre o lápis correto, o sombreamento e assim ela vai evoluindo a cada dia”, diz.

Nos próximos dias, porém, o zagueiro provavelmente terá que se afastar novamente dos desenhos, por conta do futebol. Ontem, ao lado do restante do elenco do Atlético de Madrid, Felipe foi submetido uma série de testes, entre eles, o de diagnóstico para Covid-19. A medida faz parte de um protocolo estabelecido pelo Conselho Superior de Esportes, órgão do governo da Espanha, que prevê um exame médico completo, com inclusão do teste PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction), para que os jogadores voltem a trabalhar nos centros de treinamentos dos clubes.

Além do Atlético, os jogadores do Barcelona e do Real Madrid também se submeteram a avaliação, que durou cerca de 20 minutos. A partir da divulgação dos resultados, que devem sair até amanhã (8), os atletas poderão iniciar as atividades individualizadas. A ideia da Liga é que o futebol retorne na Espanha, sem a presença de torcedores, em junho. Porém, isso só será concretizado se não ocorrer uma segunda onda de infecções.

Vale lembrar que Felipe está com muita moral no território espanhol. Recentemente, o jogador foi eleito a melhor contratação do Atlético de Madrid na temporada. Em votação realizada pelo site “Mundo Deportivo”, o zagueiro alcançou 75% dos votos, superando Llorente, que teve 9% e Trippier, que teve 6%. O brasileiro chegou a clube no fim de maio de 2019 e custou 20 milhões de euros, assumindo a titularidade do time de Diego Simeone e atuando em 31 dos 38 jogos.

Com essas credenciais, aumenta a expectativa do zagueiro em voltar à seleção brasileira e também vislumbrar a conquista do principal título europeu. “Todos os jogadores têm o sonho de conquistar uma Champions League e uma Copa do Mundo. Claramente tenho esses dois objetivos traçados e sei o quanto é difícil. Mas, trabalhando tudo é possível. Tenho que fazer o que estou fazendo, independente da idade, e focar. Vou fazer meu máximo, tentar uma evolução maior da que já venho tendo, para ser selecionado, chegar a uma Copa do Mundo e, quem sabe, conquistá-la”, aponta.

Um fator que pode facilitar a vida do zagueiro é o atual treinador do Brasil. Felipe chegou ao Corinthians em 2012 e, após desconfiança e cobranças duras da torcida, consolidou-se como titular na zaga com Tite, hoje responsável pela seleção. Até hoje, aliás, o jogador é grato pelo apoio dado pelo técnico. “Com o Tite, creio que aprendi quase tudo e trago muita coisa que aprendi. Ele é muito humano, honesto e tranquilo. Nunca meu deu uma bronca grotesca. O Tite conversa, você aceita, trabalha e já dá certo. É um cara que sempre foi correto e é muito transparente”, revela.

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Hoje sob o comando do argentino Simeone, Felipe vê semelhanças e diferenças entre os dois treinadores. “São dois grandes técnicos, que trabalham bastante a parte defensiva e com muita eficiência. Acabei aprendendo muito com os dois. Aqui (no Atlético) ainda estou no início, mas já apresento uma evolução. O Simeone também gosta de conversar bastante, principalmente sobre a parte que o jogador tem mais dificuldade, mas é um pouco mais exigente que o Tite. Ele cobra do jeito dele. É mais durão, mas, os jogadores sabem que é para o bem”, conclui.

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