A dívida de R$ 10 milhões do Atlético-MG com a Udinese-ITA , pela compra do meia Maicosuel, em 2014 , tem prazo para pagamento até o fim de abril, conforme determinação da FIFA. O clube mineiro perdeu um processo na entidade máxima do futebol movida pelos italianos e não cabe mais recurso. Com isso, o clube irá pedir à FIFA mais seis meses para quitar o débito, alegando que a pandemia do coronavírus afetou o caixa.

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Divulgação
Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético-MG


Em entrevista, Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético-MG deu sua versão sobre o caso:

Como você herdou o Atlético com relação às dívidas da FIFA?
Quando eu assumi o Galo, tínhamos um cenário de endividamento elevado, muito embora o ex-presidente Daniel Nepomuceno, a quem sucedi, já tenha efetuado a amortização de quase 27 milhões. É uma herança complicada, mas é um desafio e tanto. Estamos tentando reajustar toda esta situação. Nesses 2 anos e meio do meu mandato, pagamos quase R$ 50 milhões em na Fifa. Se juntarmos com o que foi pago pelo Daniel, chega a absurdos 80 milhões de reais! Temos demonstrado responsabilidade de gestão. 
Se o Galo continuasse do jeito que estava, a essa hora estaríamos cruzeirando

Fazer este trabalho que é invisível aos olhos do torcedor é difícil. Vínhamos de gestões que contratavam muito, jogadores mais velhos e sem mercado para o futuro. Isso sem falar em dívidas junto a empresários, banco etc. A conta não fecha. Então organizamos a casa e fizemos um trabalho sério, de choque de gestão, pensando exclusivamente no futuro do Atlético.

Qual é a atual situação do clube na esfera financeira e no futebol?
Com todo o trabalho de gestão que fizemos nestes primeiros anos de mandato, o ano de 2020 era bem promissor. Conseguimos, com seriedade, ajustar algumas contas, mesmo com todas as dificuldades que encontramos. Mantivemos um time razoável neste período de organização, porque era preciso. Estávamos com um plano bem promissor até o Corona Vírus. Neste momento, é repensar alguns aspectos e manter o otimismo no trabalho que podemos realizar, tudo com um casamento perfeito entre Gestão e Futebol.

Estima-se que a dívida do Atlético gire em torno de R$ 700 milhões? Este valor reflete a realidade?  O que já foi feito na sua gestão para reduzir e melhorar o perfil da dívida do time?
Repeti diversas vezes em entrevistas e fiquei marcado por isso: austeridade. Precisávamos organizar o Atlético, como uma empresa mesmo. Controle de gastos, enxugar a folha, patrocínios melhores, investidores de confiança e responsabilidade com o clube.

Como você tem feito para administrar a expectativa da torcida por um bom time e a responsabilidade de uma boa gestão financeira?
Eu vim da arquibancada e sei como o torcedor que ver o time vencer, conquistar títulos. Mas, na minha vida profissional, aprendi a ter frieza ao olhar cenários como o Galo. Eu poderia ser irresponsável e pensar só no que dá ibope, mas tenho amor real pelo clube, não quero me servir dele. Não estou aqui para o Atlético me alavancar. Foi preciso arregaçar as mangas e trabalhar. Sabíamos que não íamos agradar no início, mas é um projeto para o futuro do Atlético: sem farra, sem dívida e com títulos.


Recentemente o senhor citou o Flamengo como exemplo de equacionamento da questão financeira para um ganho posterior em conquistas. O que o senhor tem feito neste sentido?
O presidente Bandeira de Melo fez muito parecido com o que estamos fazendo aqui. A diferença é a receita que o Flamengo tem com patrocínios e cota de TV. Mas não tem receita pronta, cada clube tem um jeito, um estatuto, uma aldeia diferente.


Recentemente, o clube definiu pela redução dos salários do elenco em 25%. Como foi a aceitação dos atletas em relação a esta questão? Houve acordo com todos? Algum jogador relutou em aceitar a proposta?
Acredito que ninguém fica completamente satisfeito com nenhuma redução, mas é importante olhar o cenário como um todo. Vivemos uma época sem precedentes na história. Tem muitas empresas quebrando, desemprego aumentando e o país está atônito. Eles sabem que isso é necessário, muitos têm seus próprios negócios ou administram com algum familiar. É necessário para o clube.

Recentemente, foi citado por um diretor que a situação financeira dos clubes era “desesperadora” por conta do impacto do novo coronavírus. Particularmente no Atlético, quanto tempo o clube irá demorar para retomar um cenário mais equilibrado em termos econômicos?
Complicado fazer previsões. Sabemos que existe a pandemia, mas não há nenhuma orientação de quando isso acabará, de fato. O que esperamos é que, quando ela for embora, nossa torcida nos ajude bastante, abraçando o clube neste momento complicado para sairmos lá na frente com receitas novas, com dinheiro da TV, venda de camisas, bilheteria. No fim do ano, creio, teremos situação equilibrada

O Atlético trouxe dois nomes de peso para esta temporada: o técnico Sampaoli e o diretor Alexandre Mattos. Com essas contratações, o que o clube pode almejar em termos de conquistas e/ou resultados para esta temporada?
O cenário sobre o futuro do calendário e competições é incerto, mas converso com o Alexandre Mattos e o Sampaoli para termos as mesmas expectativas. Com tudo parado, como está, só torcemos para que tudo volte ao normal. Quando voltarmos, esperamos que o Atlético brigue por títulos, como precisa ser.

Como você enxerga a questão do calendário do futebol brasileiro pós-coronavírus? Você é favorável ao término dos estaduais?
Acredito que vamos ter muitos jogos em sequência, vai ser muito puxado. Sobre os estaduais, é preciso bom senso e maleabilidade de todos os lados. O que tiver que ser, vamos respeitar.

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