Uma nova carta do Movimento Nacional dos Clubes de Futebol Profissional, assinada por representantes de 175 equipes de menor expressão por todo Brasil, foi endereçada à CBF nesta segunda-feira, para cobrar medidas mais eficazes que atendam não apenas os clubes que disputam das Séries A a D, mas também os que participam apenas dos torneios estaduais em suas regiões.

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LUCAS FIGUEIREDO/CBF
Conselho da CBF


O documento foi encaminhado depois de a entidade anunciar a doação de R$ 19 milhões ao que chamou de base da pirâmide do futebol brasileiro. A medida atende a 88 clubes das Séries C (20) e D (68), competições que ainda não começaram. E também clubes das Séries A1 e A2 do futebol feminino.

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Para os clubes com os estaduais paralisados, a CBF destinou para cada uma das Federações Estaduais o valor de R$ 120 mil. No caso dos times do Rio, o recurso geraria repasse de R$ 10 mil por equipes. Valor considerado insuficiente. O pedido na primeira carta era de R$ 75 mil.

"Fato é que os clubes que disputam os campeonatos estaduais, não integrantes das Séries nacionais, permanecem com suas necessidades de manter os contratos e os milhares de empregos que geram por todo o País, igualmente necessitando da assistência e atendimento de auxílio emergencial financeiro por parte da CBF. E até com maior intensidade, pois como não terão outras competições e unicamente concentrarão seus esforços em concluir os certames locais, não possuem perspectivas de obtenção de patrocínios ou receitas em outros certames, sendo crucial que sejam também atendidos", diz trecho da carta.

O pagamento dos valores destinados aos clubes será realizado pela CBF a partir desta terça-feira. Com isso, as doações e isenções da CBF aos clubes e Federações alcançam R$ 23.120 milhões. Somadas aos R$ 12.900 milhões em adiantamentos, as ações representam um total de R$ 36.020 milhões.

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CONFIRA A CARTA NA INTEGRA

Carta do Movimento Nacional dos Clubes Profissionais de Futebol

À CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL – CBF

CC: FEDERAÇÕES ESTADUAIS, FIFA

Reportamo-nos à correspondência anteriormente enviada a essa entidade pelo movimento dos clubes de futebol profissional do país, por intermédio da qual, considerando o momento de pandemia por que passa a sociedade e a paralisação dos campeonatos estaduais, foi pedida contribuição financeira para os clubes e isenção de taxas. Congratulamo-nos com a sensibilidade da Presidência da CBF, que prontamente acolheu a pretensão do nosso movimento de isenção de taxas, assim como veio, já agora, a promover a liberação de recursos para ajuda aos clubes que participam das Séries C e D, assim como as Séries A1 e A2 do Campeonato Feminino de futebol, demonstrando sensatez e espírito de colaboração.

Reafirmamos também a importância de continuidade dos campeonatos estaduais, inclusive por serem competições que geram o direito a vagas para a Série D e Copa do Brasil, ressaltando que investimentos expressivos já foram feitos pelos clubes que os disputam, clubes esses atingidos pelos efeitos da pandemia tanto quanto os que disputam as Séries nacionais do campeonato brasileiro. Há ainda razões de ordem jurídica que recomendam a continuidade dos certames estaduais, pois a eventual paralisação poderia ensejar mandados de garantia e procedimentos judiciais outros, o que geraria insegurança jurídica e forte possibilidade de afetar a formação e realização das futuras competições nacionais patrocinadas diretamente pela CBF.

Fato é que os clubes que disputam os campeonatos estaduais, não integrantes das Séries nacionais, permanecem com suas necessidades de manter os contratos e os milhares de empregos que geram por todo o País, igualmente necessitando da assistência e atendimento de auxílio emergencial financeiro por parte da CBF. E até com maior intensidade, pois como não terão outras competições e unicamente concentrarão seus esforços em concluir os certames locais, não possuem perspectivas de obtenção de patrocínios ou receitas em outros certames, sendo crucial que sejam também atendidos.

Os valores repassados às Federações são insuficientes para atendimento mínimo às necessidades de emergência alimentar de atletas, comissões técnicas e funcionários que estão sendo abrigados pelos clubes, razão pela qual se pede a complementação e extensão dos benefícios já concedidos por essa Confederação. Deste modo, considerando o precedente de atendimento parcial feito pela CBF a apenas 88 clubes participantes de suas competições e também a necessidade de viabilização das agremiações esportivas ainda não contempladas, é a presente para reiterar o pedido de atendimento financeiro também aos clubes que disputam os campeonatos estaduais e que não estejam nas Séries A, B, C e D dos Campeonatos Nacionais, reivindicando paridade de tratamento e atenção a situações fortemente emergenciais.

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