Após quase uma década no São Paulo e um currículo vasto de títulos pela base do clube do Morumbi, Felipe Araruna realizou o sonho da maioria dos jogadores do país: atuar no futebol europeu. Com 41 partidas pelo tricolor e uma rápida experiência pelo Fortaleza, então comandado pelo ídolo Rogério Ceni, o atleta foi anunciado, no início do ano, pelo Reading, da Inglaterra.

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Felipe Araruna


O sonho, porém, quase se tornou um pesadelo, quando o meio-campista se viu em meio a pandemia do coronavírus no território inglês, sem a proximidade de nenhum familiar.

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“Nas primeiras semanas foi assustador ver as prateleiras dos supermercados vazias, não tendo coisas que você está acostumado a comer. Ninguém imagina ficar dentro de casa, sem poder fazer as coisas normais da vida. Em Reading (cidade que está entre Londres e Oxford), o movimento caiu bastante, mas, tem restaurantes abertos, o shopping também funciona, com algumas lojas fechadas, e os supermercados e farmácias estão disponíveis. Pelo que estou acompanhando, há uma liberdade maior que a que está tendo no Brasil”, afirma o jogador, em entrevista exclusiva ao iG. 

Porém, mesmo com cerca de 250 mortes no Reino Unido por conta do vírus, há a possibilidade de o jogador retornar aos treinos já no início de abril. Preliminarmente, o clube estipulou a volta no dia 3 de abril. Se a previsão se concretizar serão 15 dias de quarentena, já que o atleta treinou com o restante do elenco até o último dia 19. “Como nenhum funcionário, atleta ou membro da comissão apresentou qualquer sintoma, nós treinamos até quinta-feira passada, até que foram cancelados todos os treinos. Agora, estou aguardando uma atualização para saber se vamos retornar realmente”, explica.

Enquanto aguarda o sinal verde, o atleta continua seguindo à risca as recomendações que foram passadas pela direção da equipe, como de somente sair de casa para ir ao mercado e a farmácia e não viajar. Para que a parte física não seja afetada, o clube também passou alguns exercícios por meio do WhatsApp e Araruna também está realizando, por conta própria, atividades que considera “fundamentais” para um atleta. A ideia é não perder o ritmo e continuar ganhando chances de mostrar seu futebol, que chegaram mais rápido que o imaginado.

“De cinco ou seis jogos que estava disponível consegui jogar três. Não esperava algo tão rápido. Achava que teria um processo de adaptação maior. O treinador conversou muito comigo, que era interessante que assistisse um pouco os campeonatos e os jogos para entender melhor. Mas, o time acabou precisando e já atuei em algumas partidas”, conta ele, falando das diferenças em relação ao futebol brasileiro que sentiu nos treinamentos e nos jogos. “É diferente a velocidade do jogo, a intensidade e a força física, que é algo muito relevante na Champioship. Sei que preciso aprender e acostumar em alguns quesitos nesse novo estilo de jogo, mas, com o tempo, tenho certeza que as coisas vão melhorando e se encaixando”.

Em adaptação nos campos, mas, plenamente inserido fora dele. Com o inglês na ponta da língua e a total ajuda do clube e dos jogadores, Araruna não se vê retornando ao futebol brasileiro nesse momento, já que almeja “passos maiores” dentro da Europa. “No São Paulo fui muito feliz. Tenho um carinho eterno pelo clube, que me revelou e me formou como pessoa e profissional. Tive boas experiências, boas oportunidades e tentei aproveitar da melhor maneira possível. O Fortaleza também foi um clube muito querido e que me recebeu de braços abertos. Mas, sempre tive o sonho de jogar na Europa e é o momento que vou poder desfrutar”.

A chegada ao Reading, porém, poderia ter sido ainda mais facilitada, pois o clube inglês esperava contar com os serviços do dirigente brasileiro Alexandre Mattos, ex-Palmeiras e Cruzeiro, que abdicou do cargo na última hora. “Foi uma surpresa a desistência do Alexandre. Para mim seria muito bom, por ser mais um brasileiro no time. Acho que é um cara vencedor no Brasil, fez trabalhos de sucesso em grandes clubes e tenho certeza que faria aqui também. O pessoal estava com a expectativa de conhecê-lo, mas os objetivos continuam e vida que segue. Espero que a gente passe essa fase do vírus, as coisas voltem ao normal e eu possa fazer o que amo fazer que é jogar futebol, buscando alcançar todos os objetos do Reading nessa e nas próximas duas temporadas”, conclui.

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