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A possibilidade do goleiro Bruno voltar ao futebol foi rechaçada. Após dias marcados por rumores, pressão da torcida e fuga de patrocinadores, o Operário Várzea-Grandense emitiu uma nota oficial na qual anunciava sua desistência de prosseguir com a negociação com o jogador de 35 anos:

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Goleiro Bruno
Reprodução
Goleiro Bruno



“Pelo presente, viemos comunicar que o Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense não contratará o goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza”.

O interesse em contar com o jogador no elenco para a disputa do Estadual partiu de Roberto Moraes, um dos diretores do Operário-VG.

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– Já conheço bem o atleta, e toda pessoa que passou por isso merece uma oportunidade para se reestruturar. É uma chance para o Bruno como profissional – afirmou Moraes, em contato com o LANCE! na terça-feira passada.

O dirigente trabalhara com Bruno anteriormente no Boa Esporte, clube no qual o goleiro teve breve passagem. No Módulo 2 do Campeonato Mineiro em 2017, chegou a disputar seis partidas e sofrer quatro gols. Roberto Moraes se mostrava seguro quanto a eventuais pressões que o goleiro fosse sofrer em campo.

– Julgamentos vão acontecer, mas o Bruno já lidou com isto, passou por maus bocados. Ele vai se apresentar e buscar seu espaço no elenco – disse.

Contudo, o aceno de uma nova chance a Bruno teve forte repercussão negativa. Patrocinadores do Campeonato Mato-Grossense, Sicredi e Eletromóveis Martinello emitiram notas com duras críticas.

Diretor de marketing da empresa Eletromóveis Martinello, César Cappellari detalhou o que pesou para o clube emitir nota se opondo à chegada do goleiro.

– As notícias do interesse do clube aumentaram com a proximidade do Estadual. E achamos que o esporte forma caráter, a partir dele surgem ídolos. Ter na competição o Bruno, que cometeu um crime gravíssimo, seria negativo tanto para o Estadual quanto para a nossa a imagem também. O que a gente iria transmitir? – afirmou.

Outros patrocinadores do clube anunciaram suspensões, como a Locar Gestão de Resíduos.

A noite de terça-feira trouxe um novo episódio decisivo. Enquanto a torcida chegava para assistir à partida entre Operário-VG e Poconé, que marcava a estreia da equipe na competição, um grupo formado maciçamente por torcedoras protestava na frente do Estádio Dito Souza.

As faixas traziam frases como “Respeitem as mulheres. Bruno não” e "Meu ídolo não é feminicida". As manifestações também se proliferaram nas redes sociais do Chicote da Fronteira. No dia seguinte à vitória por 1 a 0 sobre o Poconé, por sua estreia no Campeonato Estadual, o clube anunciou primeiramente que ia “rever” o interesse. Horas depois, anunciou que estava jogando a toalha.

A pena

Após ter sido condenado a 20 anos e nove meses por homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio e sequestro e cárcere privado de seu filho Bruninho, o goleiro cumpre no momento pena em regime semiaberto. Bruno conseguiu a progressão de pena em 19 de julho após uma decisão da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais do município.

Na Bahia?
Após uma brevíssima passagem no Poços de Caldas em 2019 e especulações, no início deste ano o Fluminense de Feira de Santana chegou a acenar com a possibilidade de contratar o goleiro. Contudo, diante da repercussão negativa, o mandatário Weverton Carneiro desistiu de seguir com as negociações.

Mudança de rumos
No início desta semana, a Justiça de Minas Gerais deu aval para Bruno morar no Mato Grosso e trabalhar em algum clube de futebol no estado. Neste momento, a especulação de uma ida para o Operário-VG ficou ainda mais acentuada.

Repercussão
Após os rumores, as redes sociais do clube foram marcadas por mensagens – tanto de críticas quanto de elogios – pela possibilidade de Bruno desembarcar no clube. O jogador de 35 anos foi pivô de protestos na terça-feira, no Estádio Dito Souza, na estreia do Operário-VG pelo Campeonato Mato-Grossense (por 1 a 0 sobre o Poconé).

'QUEREM ELE MORTO', DIZ ADVOGADA DO GOLEIRO

Em entrevista ao jornal "O Tempo", a advogada do goleiro Bruno, Mariana Migliorini, confirmou o fim da negociação. Além disto, declarou que o jogador de 35 anos ficou "extremamente triste, sem dormir e sem comer" quando soube que não teria nova chance no futebol.

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- Os empresários de Várzea Grande não querem ter o nome do Bruno vinculado a eles por conta da repercussão social. Querem ele morto. Isso não é pena, não é algo civilizatório. O Bruno já cumpriu a pena, Deus perdoa. A sociedade não - declarou.

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