Hoje, dia 28 de novembro, completa três anos da maior tragédia do futebol brasileiro. Neste mesmo dia, em 2016, o terrível acidente com a delegação da Chapecoense caiu em Cerro El Gordo, ao se aproximar do aeroporto em Rionegro, em Medellín, na Colômbia. Entre os jogadores da Chape, membros da comissão técnica, jornalistas e tripulantes, tinham 77 pessoas abordo e apenas 6 sobreviventes, entre eles o zagueiro Neto, que, passado tanto tempo, ainda não consegue levar uma vida parecida com a que tinha antes.

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BBC
Zagueiro Neto, da Chapecoense



Em carta escrita para o site da Veja, o zagueiro Neto falou sobre a sua vida mais de mil dias após a tragédia e os planos incertos do futuro. "De lá para cá, minha carreira continua interrompida e quase nada mudou em termos jurídicos. Recebi apenas 11% do valor do seguro ao qual tenho direito", iniciou ele na carta.

Sem jogar desde o final de 2016, o zagueiro renovou sem contrato com a Chape e continua fazendo perícias para atestas seus danos sofridos no acidente e "poder lutar pelo que seu direito".

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"Um mês atrás participei em Londres de uma manifestação, juntamente com viúvas de ex-colegas de Chape, em frente à sede da seguradora Tokio Marine Kiln e da corretora de seguros AON, as responsáveis por emitir a apólice de seguro que permitia a operação da LaMia. A companhia aérea quebrou — o piloto Miguel Quiroga, que morreu no acidente, era um dos sócios da empresa —, e não existe patrimônio para arcar com as indenizações", contou.

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Reprodução Twitter
Zagueiro Neto está sem jogar desde 2016


O intuito, segundo ele, foi chamar a atenção da imprensa internacional, pois a maioria das pessoas conhece o caso de forma superficial, mas Neto diz que as seguradoras estão "se lixando" e ofereceram menos de 1 milhão de reais para cada família em uma indenização que, de acordo com o jogador, teria que estar entre 8 milhões e 16 milhões.

"Dói no corpo e na alma. Não temos ajuda de nenhuma entidade do futebol. Nem da Fifa nem da CBF. A Chapecoense nos auxilia como pode e assumiu sua responsabilidade, tanto que fechou um acordo com 92% das famílias. O clube cresceu em visibilidade, porém é inegável que houve, ainda que sem má intenção, uma certa “empolgação”. Nos últimos três anos, foram várias as mudanças de elenco, de treinadores e mesmo de dirigentes", disse.

"Mais cedo ou mais tarde, a conta chega. O clube foi longe, firmou-se na Série A do Campeonato Brasileiro, bateu de frente com grandes do continente, com uma mentalidade mais “pé no chão”. As atuais dificuldades estão estourando dentro de campo. Mas o grupo é qualificado, e vai lutar até o fim para escapar do rebaixamento", completou.

Neto está hoje com 34 anos e ainda tem esperanças de voltar a jogar, mas com a consciência de que não voltará a ser o mesmo zagueiro. "O máximo que consegui atuar desde o acidente foram trinta minutos em um jogo-treino. Para ser sincero, penso em retornar para, em seguida, encerrar minha carreira", explicou.

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Depois de, definitivamente, se aposentar do futebol, ele buscará algo novo que não tenha a ver com o futebol. "Embora ele seja muito gostoso para quem torce ou para quem joga, não concordo com muito do que acontece nos bastidores. Estou estudando teologia para, talvez um dia, me tornar pastor evangélico. Quero falar sobre Deus com simplicidade e humildade. E não desistirei da luta por justiça. Em nome dos meus colegas que se foram, nos quais penso constantemente, seguirei firme", concluiu Neto .

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