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Recurso vem sendo utilizado pela primeira vez no Campeonato Brasileiro e tem causado polêmica

Árbitro durante jogo da Chape
Reprodução/Cristiano Andujar/Futura Press
Pela primeira vez na história, os árbitros do Brasileirão terão o VAR à disposição.

Recurso comum em diversos campeonatos ao redor do globo, o VAR finalmente está sendo utilizado no Campeonato Brasileiro . Com a novidade, os árbitros passaram a rever jogadas e lances polêmicos logo após acontecerem com o intuito de evitar erros e tomarem decisões justas. E, segundo dados divulgados pela CBF, a utilização do VAR já mostra resultados positivos.

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Em 58 partidas contabilizadas pela entidade, foram revisados 35 lances, sendo que em 30 deles o árbitro mudou a interpretação da jogada. Vale ressaltar também que, após a implementação do VAR , a média de faltas caiu de 30,5 para 27,8 por jogo, o que resultou numa queda na quantidade de cartões amarelos também: 225 em 2018 contra 207 nesta edição.

Porém, apesar da CBF considerar o recurso um sucesso, a opinião da torcida ainda está dividida. Para muitos, o uso da tecnologia abre margem para mais injustiças e não ajuda a resolver lances que dependem da interpretação do árbitro.

É isso que o estudante e torcedor do Grêmio Pedro Teodoro, 18, defende. Para ele, como a tomada decisão continua a mercê da interpretação do árbitro, sua utilização ainda não gerou benefícios. “O VAR ainda é muito dependente da interpretação do árbitro. [...] Portanto, não vejo essa novidade trazendo grandes benefícios ao campeonato brasileiro”, afirma Pedro.

Para defender seu ponto, o estudante cita um caso que aconteceu fora do Brasileirão, na final do Campeonato Gaúcho. “No segundo jogo da final do Gauchão 2019, o pênalti marcado a favor do Grêmio provocou uma ferrenha discussão similar aos tempos em que não existia essa tecnologia, que, ao meu ver, não foi bem utilizada”, afirma Pedro.

Árbitro testando o VAR
Reprodução / CBF
Apesar de ser considerado um sucesso pela CBF, o VAR divide a opinião dos torcedores.

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Já Regys Silva, torcedor do Ceará, considera que os árbitros do país não souberam utilizar o recurso de vídeo, o que fez com que o recurso não fosse aproveitado do jeito correto. “Atrapalhou, mas não por causa do VAR em si, mas pelo fato dos juízes não conseguirem usá-lo da maneira mais adequada”, afirmou o advogado de 41 anos.

Existem também torcedores que apoiam o uso do VAR, mas questionam a forma como ele vem sendo utilizado. Esse é o caso de Guilherme Dietrich, estudante e torcedor do Fluminense. Segundo ele, apesar do bom propósito, o uso da revisão por vídeo deveria acontecer como em outros esportes que dispõem do recurso.

“O VAR vem com o objetivo de deixar mais justo os resultados das partidas. Mas acho errado a forma como ele é aplicado. Para mim o uso dele deveria ser como no vôlei ou tênis: cada equipe tem direito a pedir o uso do VAR 2/3x no jogo”, afirma o estudante de 23 anos.

Árbitro consultando o VAR
FIFA/ Divulgação
O VAR já é utilizado em diversos torneios do mundo e foi acionado durante a final da Copa do Mundo de 2018.

Porém, apesar de não ter agradado parte da torcida, a novidade parece ter deixado uma outra parcela de torcedores contente. É o caso do gerente de conta Rhanan Gomes, torcedor do São Paulo. Ressaltando que as equipes de arbitragem precisam utilizar corretamente o recurso e que precisam ser feitas mudanças, o torcedor de 33 anos apoia o uso da tecnologia.

“(o VAR) Ainda precisa de melhorias, principalmente em relação ao tempo de análise no qual os lances são verificados. Outro ponto importante é a organização utilizar de forma correta, para não se repetir o acontecido no último jogo entre Palmeiras x Botafogo, onde depois do jogo já reiniciado, o juiz voltou para assinalar o pênalti. Apesar desse ocorrido,  o VAR já se mostrou útil e se bem utilizado, irá evitar inúmeros erros”, afirma Rhanan.

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Gustavo Gomez batendo pênalti
Rudy Trindade / FramePhoto / Agência O Globo
Suposto uso indevido do VAR causou polêmica após o jogo entre Botafogo e Palmeiras.

A opinião do torcedor do Goiás João Pedro Bolzam, 22, vai de encontro à de Rhanan. Para o esmeraldino, apesar de pausar a comemoração nos estádios, o recurso tras justiça ao esporte. “Apesar de ter "pausado" nossa comemoração no estádio  mais de uma vez, a justiça prevaleceu”.

A questão da justiça também citada pela publicitária Julia Savietto, torcedora do Atlético-MG. Para Julia, o jogo deve seguir as regras, independentemente da emoção envolvida. “Sou muito de seguir regras independente da emoção. Então, para mim, ajudou porque tornou o campeonato mais justo”.

O torcedor do Athletico-PR David Iubel diz que o recurso de vídeo é benéfico ao futebol, embora não seja capaz de extinguir lances polêmicos. "Em relação às polêmicas de lances duvidosos, estas não são ocasionadas por causa da presença da tecnologia mas sim em virtude do modo como a regra é feita, ao qual cabe - em alguns casos - a interpretação do juiz. Uma vez que tem interpretação humana, a unanimidade sempre é difícil acontecer! O que a tecnologia faz é somente mostrar o lance de várias perspectivas o que tende a auxiliar mais que atrapalhar!", afirma o torcedor.

Qual sua opinião a respeito do VAR no primeiro mês de Brasileirão? Opine abaixo:


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