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Grindel rejeitou as afirmações de racismo, mas em comunicado divulgado no site oficial da DFB, assumiu erro em não apoiar o meia alemão

Paul Gilham/Getty Images
"Para Grindel e os que o apoiam, sou alemão quando vencemos e imigrante quando perdemos", declarou Özil


Nesta quinta-feira (26), o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Reinhard Grindel, reconheceu que deveria ter defendido o jogador Mesut Özil, na polêmica envolvendo racismo, que resultou na aposentadoria do atleta na seleção do país.

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Grindel foi alvo de fortes críticas ao não concordar com a foto de Özil , de origens turcas, tirada ao lado do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, no último domingo. No comunicado ele diz “rejeitar firmemente’’ o racismo.

"Como presidente, olhando em perspectiva, eu deveria ter dito com toda clareza que qualquer forma de assédio racista é insuportável, inaceitável e intolerável", escreveu.

E continou. “Esse foi o caso de Jerome Boateng, que é o caso de Mesut Özil, e é o mesmo para qualquer jogador de nível de base que tenha antecedentes migratórios. Nós vivemos nossos valores. Por isso questionamos criticamente a foto com o presidente Erdogan. Lamentamos que isso tenha sido usado para ataques racistas", acrescentou Grindel .

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Relembre alguns trechos da publicação de Özil

"O tratamento que recebi da federação alemã e de muitos outros faz com que não queira mais vestir a camisola da seleção. Sinto-me indesejado e sinto que aquilo que conquistei desde a minha estreia internacional, em 2009, foi esquecido", declarou o meia.

"É de coração pesado, mas após muita consideração, que tendo em conta os acontecimentos recentes decidi que não vou representar a seleção enquanto tiver este sentimento de racismo e desrespeito. Antes, usava a camisa do meu país com orgulho, mas agora não. Mas, quando até os altos dirigentes da federação me tratam como trataram, desrespeitando as minhas origens turcas e tornando-me, de forma egoísta, num objeto de propaganda política, não tenho outra opção", acrescentou.

"O que mais me frustrou nos últimos meses foi o tratamento que recebi da Federação alemã, e em particular do presidente da Federação, Reinhard Grindel. Depois da fotografia que tirei com o presidente Erdogan, foi-me pedido por Joachim Low que encurtasse as férias e regressasse a Berlim para emitir um comunicado a esclarecer toda a polémica. Quando tentei falar com Grindel sobre a minha herança cultural, sobre a minha história, ele estava mais interessado em falar sobre as suas crenças políticas", disse.

Veja o tweet:


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Özil também aproveitou para cutucar o presidente: "sou alemão quando vencemos e imigrante quando perdemos".