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Comissão do STJD entendeu que foram usados e-mails falsificados, mas que o Inter não foi responsável pelas adulterações. Mesmo assim, auditor pede a denúncia do clube, que pode até ser expulso, e de mais sete pessoas

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva concluiu nesta quarta-feira o inquérito sobre a falsificação de e-mails e documentos por parte do Internacional no caso Victor Ramos . A comissão entendeu que foram usados e-mails falsificados, que não foi feitos pelo Inter, mas que o clube os usou nos processos. Por este motivo, uma das punições cabíveis para esse tipo de caso é a exclusão do clube do Campeonato Brasileiro da Série B .

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O inquérito pede ainda a denúncia do ex-presidente do Inter Vitório Piffero, do ex-diretor jurídico Giovani Gazen, dos advogados do clube Felipe Baumann, Daniel Cravo, Rogério Pastl e Diego do Canto, e do ex-gerente de Futebol do Vitória, Anderson Barros. O relatório será analisado pela Procuradoria, que deve fazer a denúncia nos próximos dias.

Inter usou e-mails falsificados para tentar se livrar do rebaixamento em 2016 no
Site oficial
Inter usou e-mails falsificados para tentar se livrar do rebaixamento em 2016 no "caso Victor Ramos"

Alterações nos emails

A invetigação foi conduzida pelo auditor Mauro Marcelo, delegado de polícia em São Paulo e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Foram feitas duas perícias nos e-mails em locais diferentes pelo Inter e pela CBF, sendo uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.

Todo o conteúdo das mensagens foi comparado e uma das perícias apontou que os e-mails enviados pelo Inter foram modificados e que estar modificações descaracterizaram o conteúdo da mensagem original.

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Uma das frases do e-mail enviado pela Confederação Brasileira de Futebol diz o seguinte: "O Palmeiras e o clube mexicano devem dar uma conclusão ao TMS sobre o empréstimo do atleta para o Palmeiras". Já no que foi enviado pelo Inter diz: "Precisa-se analisar se o empréstimo estiver concluído, o ITC permanece no Brasil e o jogador não terá mais vínculo com o mexicano".

Pelas perícias realizadas pelo clube gaúcho, descobriu-se que elas passaram nas mãos de advogados e empresários antes de chegaram ao Beira-Rio. O primeiro a fazer as adulterações foi o representante de Victor Ramos, Francisco Godoy. Ele repassou as mensagens ao Monterrey, que encaminhou o e-mail ao empresário Décio Berman.

Artigos pedem expulsão

Entre as punições cabíveis, estão o artigo 61 do Código Disciplinar da Fifa e o 234, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). No artigo 61 da federação internacional, o clube pode ser expulso das competições que disputa ou ainda ser proibido de contratar jogadores. Este artigo é utilizado para a infração de falsificação de documentos ou seu uso, que foi o que o Inter fez, de acordo com o STJD.

Já o artigo 234 prevê suspensão de seis meses até dois anos e também uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil. Ele fala sobre 'falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular, omitir declaração que nele deveria constar, inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita para o fim de usá-lo perante a Justiça Desportiva ou entidade desportiva'.

Leia a nota oficial do STJD abaixo

"O Auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva concluiu na manhã desta quarta, dia 31 de maio, o inquérito sobre a falsificação de e-mails juntados pelo Internacional em dois processos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol. De acordo com o relator, o Internacional não foi o responsável pela falsificação, mas fez uso dos documentos adulterados. Em sua conclusão, Mauro Marcelo opina pela denúncia do Internacional, do ex-presidente Vitório Piffero, ex-diretor jurídico Giovani Gazen, dos advogados do clube Felipe Baumann, Daniel Cravo, Rogério Pastl e Diego do Canto e do ex-gerente de Futebol do Vitória, Anderson Barros. Com a conclusão, o relatório será encaminhado para a Procuradoria da Justiça Desportiva para possível denúncia aos jurisdicionados e encaminhado para a CBF e Ministério Público para análise das condutas dos intermediários.

No dia 7 de dezembro de 2016 o Internacional entrou no STJD do Futebol como terceiro interessado no caso Victor Ramos e reiterou a denúncia contra o Vitória por suposta escalação irregular do jogador. O clube gaúcho juntou como provas novas cópias de seis e-mails trocados entre a Diretoria de Registro e Transferência da CBF e o Vitória em conversa privada onde se discutia acerca da transferência do jogador (nacional ou internacional). Ciente da documentação, a CBF oficiou o STJD informando sobre a adulteração dos correios eletrônicos e com pedido de apuração da falsificação. Diante dos fatos foi aberta uma Notícia de Infração que resultou na instauração do presente inquérito 012/2017."

Relembre o caso

No fim do Campeonato Brasileiro de 2016, o Inter questionou a inscrição do zagueiro Victor Ramos pelo Vitória na competição. De acordo com o clube gaúcho, o zagueiro tinha transferência irregular e não poderia atuar pelo time baiano no torneio. O clube gaúcho pediu o julgamento no STJD, mas foi arquivado.

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A intenção do Inter era se salvar do rebaixamento à Série B, já que o Vitória era um dos times que brigava contra o descenso. A CBF encontrou mudanças nos documentos utilizados pelo Internacional  na solicitação e abriu inquérito para investigar as adulterações. A investigação originou o que foi divulgado nesta quarta-feira.

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