Tamanho do texto

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, formada por cinco ministros, derrubou a decisão de fevereiro do ministro Marco Aurélio Mello

Formada por cinco ministros, a Primeira Turna do Supremo Tribunal Federal, (STF) decidiu nesta terça-feira mandar imediatamente o goleiro Bruno, do Boa Esporte, de volta à prisão. Por 3 votos a 1, os ministros derrubaram uma decisão de fevereiro do ministro Marco Aurélio Mello, que havia determinado a liberdade do atleta. Com isso, Bruno será reconduzido à cadeia imediatamente enquanto aguarda o processo ser julgado em Segunda Instância.

Leia também: Ex-técnico argentino sobre estupro: "Sou contra, mas há mulheres que provocam"

O pedido foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que afirmou que a liminar deveria ser revogada porque o processo demorou para ser analisado em Segunda Instância em razão dos recursos apresentados pela defesa do goleiro Bruno , que estariam adiando o julgamento. Além disso, Janot pediu que os ministros indefiram o habeas corpus, que está pronto para ser julgado em definitivo.

STF decidiu que o goleiro Bruno deve voltar à prisão imediatamente
Superesportes/Reprodução/EM da Press
STF decidiu que o goleiro Bruno deve voltar à prisão imediatamente

Votaram a favor da volta de Bruno à prisão os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber e Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, que havia concedido o habeas corpus que permitiu a libertação, foi o único contrário e Luís Roberto Barroso não participou do julgamento.

Bruno já havia sido condenado pela Justiça, mas estava preso de forma preventiva enquanto aguardava o julgamento de um recurso apresentado ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). O habeas corpus foi concedido porque o ministro Marco Aurélio entendeu que havia excesso de prazo na prisão do goleiro e que ele tinha o direito de aguardar em liberdade a decisão sobre os recursos.

O caso

Bruno foi preso em 2010 e, no dia 8 de março de 2013, condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, que desapareceu em 2010 e não teve o corpo encontrado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho que Bruno sequestrou e manteve em cárcere privado. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconheceu a paternidade, já que ela era sua amante.

Leia também: Técnico rival diz que para parar Messi é preciso usar "algemas e pistola"

A condenação ficou dividida da seguinte forma: 17 anos e seis meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver.

Absolvição

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve a absolvição de Bruno, no último dia 19, pelo crime de corrupção de menor. A decisão mantém a sentença da juíza que absolveu os réus em referência à participação do primo do goleiro, Jorge Luiz Rosa, à época com 17 anos, no crime, que confessou ter participado do sequestro e cárcere privado de Eliza.

Diretor sem noção

Por meio de sua assessoria de imprensa, o clube mineiro confirmou que não houve nenhuma reunião para decidir o que fazer em caso do jogador ser preso novamente. Afirmou que os diretores vão se reunir para decidir o que fazer. O diretor de futebol, Rildo Moraes, revelou que "nem sabia que Bruno ia ser julgado". Ainda não se sabe se Bruno seguirá como funcionário do clube enquanto estiver preso.

Leia também: "Na área, fui bem melhor que Messi e Maradona", garante Romário

O goleiro Bruno foi contratado pelo Boa Esporte no dia 13 de março, duas semanas depois de ser liberado e criou uma reação negativa de todos. Menos de um mês depois, no dia 8 de abril, estreou pela equipe e desde então tem sido titular na fase final do Módulo 2 e já atuou em cinco jogos.

    Leia tudo sobre: futebol