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Grupo feminista se reuniu no centro de Varginha, cidade onde o Boa Esporte manda seus jogos

Mulheres fizeram ato de protesto contra Bruno no Boa Esporte
Reprodução / Alexandre Guzanshe/ EM DA Press
Mulheres fizeram ato de protesto contra Bruno no Boa Esporte

Enquanto alguns torcedores aplaudiram e tiraram foto com goleiro Bruno no CT do Boa Esporte, nesta terça-feira, o clima no centro da cidade de Varginha foi de revolta e indignação. Um grupo de cerca de 30 mulheres da Frente Feminista Popular da cidade realizou protesto contra a contratação do goleiro, acusado de participar do assassinado de Eliza Samudio, em 2010.

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As mulheres que participaram da ação estavam vestidas de preto, com camisetas, calças ou vestidos, e usando tinta vermelha nas mãos, simbolizando manchas de sangue. O protesto foi silencioso, sem gritos ou palavras de ordem, e durou cerca de quarenta minutos. As manifestações foram através de cartazes.

Confira o vídeo do protesto em Varginha:

A convocação foi feita pelas redes sociais como um ato de repúdio, mas a chuva que caiu no município mineiro fez com que poucas pessoas pudessem participar.

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Segundo reportagem da "Agência Estado", as líderes do movimento não quiseram dar entrevistas depois que foram ameaçadas na internet por criticarem a contratação de Bruno e os casos de violência contra a mulher. Durante o evento, todas usaram máscaras e se deitaram no chão

Mulheres deitaram durante o protesto
Reprodução / Alexandre Guzanshe/ EM DA Press
Mulheres deitaram durante o protesto

"Nós recusamos a ideia da vida de mulheres serem banalizadas novamente em nome de dinheiro", disse um trecho da convocação na internet. Além disso, um dos cartazes apresentados no protesto estava com a seguinte frase: "Não é uma 'Boa' contratar por jogada de marketing", fazendo um trocadilho com o nome do clube, Boa Esporte.

Indignação

Em toda convocação do ato por parte do grupo feminista, o assassinado de Eliza Samudio foi lembrado. 

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Goleiro Bruno acena para os torcedores após ser aplaudido no treino
Alexandre Guzanshe / EM DA PRESS / Superesportes
Goleiro Bruno acena para os torcedores após ser aplaudido no treino

"A vida de Eliza foi tirada por causa da recusa à pensão e agora é usada e diminuída novamente em torno dessa questão. Todos os ex-presos deveriam ser ressocializados e ter direito a um trabalho. Isso não acontece na realidade, nós sabemos a estigmatização que os presos sofrem. A questão aqui não é ressocialização, é de como a vida de uma mulher sempre é deixado de lado em comparação com outras questões", dizia o comunicado no Facebook.

"Convocamos o ato contra a contratação, contra a facilidade que é para um time e seus patrocinadores terem suas imagens ligadas ao feminícidio. Um feminicida não pode continuar tendo uma vida aclamada pela mídia. Bruno deixou de ser apenas um goleiro, sua imagem e sua fama carregam a prontidão de se aliviar violência de gênero, a facilidade de esquecer a vida de uma mulher em detrimento do trabalho em um esporte reconhecido. A carreira de um jogador de futebol não pode ser mais importante que a vida de uma mulher", finalizaram as mulheres.

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