Tamanho do texto

Bruno ficava o dia todo fora da sua cela na Apac, em Santa Luzia, e ainda ajudava vigiando outros detentos

Goleiro Bruno deixou a prisão ao lado da esposa
Twitter/Reprodução
Goleiro Bruno deixou a prisão ao lado da esposa

O goleiro Bruno, acusado de participar do assassinato da amante Eliza Samudio, em 2010, foi solto nesta sexta-feira, por volta das 19h35 (de Brasília), após conseguir um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal). Aos 32 anos de idade, ele deixou o presídio de Santa Luzia, perto de Belo Horizonte, bastante sorridente.

Leia também: Bruno chora de alegria com liberdade e já tem propostas para voltar ao futebol

E no período de quase sete anos encarcerado, o goleiro Bruno sempre teve bom comportamento e passava total confiança aos agentes penitenciários da prisão. Tanto que na Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), segundo reportagem da revista Veja do último mês de janeiro, era ele quem carregava as chaves da própria cela, além de trabalhar vigiando os demais detentos. 

Leia também: Veja o motivo pelo qual o STF condeceu liberdade a Bruno

Antes de chegar na Apac, Bruno Fernandes passou por presídios convencionais, como o Nelson Hungria, em Minas Gerais, e o famoso Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro. Em declarações dadas à publicação, o jogador disse que sistema convencional de prisões no Brasil "não recupera ninguém".

Sistema diferente do tradicional

Goleiro Bruno tinha as chaves da própria cela
Reprodução/Sergio Dutti/VEJA
Goleiro Bruno tinha as chaves da própria cela

Na Apac, todos os presos, inclusive os do regime fechado, passam o dia fora de suas celas, nas oficinas e no pátio, onde têm livre acesso a equipamentos que poderiam ser considerados armas, como serras elétricas, pés-de-cabra e tesouras para fazer trabalhos artesanais.

Além disso, todos os detentos estudam. Inclusive, muitos prestaram a última prova do Enem. O local na região metropolitana de Belo Horizonte ainca conta com biblioteca, ‘DVDteca’, computadores e internet para o preso que quiser fazer um curso superior à distância. Todos os presos usam crachá de identificação e têm livre acesso aos diretores para fazerem qualquer tipo de reclamação.

Leia também: Cumprindo pena por matar a ex-amante, goleiro Bruno se casa na prisão

Bruno estava na unidade de Santa Luzia havia um ano e quatro meses, sendo que nesse período fez seis cursos profissionalizantes, como soldador, jardineiro e pedreiro. "A Apac é uma obra de Deus. Devolveu a minha dignidade, restituiu a minha família", finalizou o goleiro à Veja.

O caso Eliza Samudio

Eliza Samudio morreu em 2010
Arquivo iG
Eliza Samudio morreu em 2010

Bruno foi condenado pela Justiça mineira, em março de 2013, a 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima — , a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver.

A pena foi aumentada porque o goleiro Bruno foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador. Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do atleta, de quem foi amante. Na época, ele era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

    Leia tudo sobre: Futebol

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.