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Distância do trajeto até Medellín e manobras decorrentes das más condições meteoreológicas sugerem que aeronave teria ficado sem combustível, analisa presidente de Fórum de Aviação; acidente matou mais de 70

A queda do avião que provocou a morte de mais de 70 pessoas, entre jogadores da Chapecoense, jornalistas e tripulantes , pode ter sido causada por um erro de planejamento, conforme avalia o especialista e presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil, Décio Correa.

O especialista  explica que as más condições meteorológicas obrigaram o voo a fazer alguns desvios, aumentando a distância percorrida. Como a autonomia de voo da aeronave é de 2.963 quilômetros – praticamente a mesma distância entre Santa Cruz de la Sierra (BOL) e Medellín (COL) –, "é provável" que a tripulação deveria ter optado por fazer um pouso de segurança antes de completar o trajeto.

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"Não acredito que a aeronave escolhida para essa viagem não fosse adequada. Mas temos que entender que a tripulação deve ter feito todo o planejamento de voo baseada em perfeitas condições de voo", diz Correa. "Caberia a preparação para alternar o trajeto para outro aeroporto e aguardar."

O especialista analisa que as fotos do acidente dão uma pista de que efetivamente o avião estava sem combustível no momento do acidente. "A investigação ainda vai determinar o que aconteceu, mas, em acidentes assim, é comum a aeronave acabar se incendiando, e não foi o que aconteceu. Isso é um sinal de que de fato poderia estar sem combustível".

Gráfico exibe altitude (azul) e velocidade (amarelo) de avião que transportava delegação da Chapecoense
Reprodução/Flightradar24
Gráfico exibe altitude (azul) e velocidade (amarelo) de avião que transportava delegação da Chapecoense

Conforme os registros do Flight Radar, sistema internacional que acompanha voos em tempo real, a aeronave da companhia boliviana Lamia começou a reduzir a velocidade por volta das 0h36 (horário de Brasília) e depois passou a voar em círculos, no sentdo anti-horário.

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A manobra a cerca de 45 quilômetros do aeroporto de Medellín, conhecida como órbita entre os profissionais da aviação, é considerada "normal" e indica que o piloto poderia estar aguardando a autorização para pousar. "Esse procedimento é absolutamente normal. Agora, havia condições meteorológicas muito adversas, com nuvens pesadas ao longo de toda a rota. Isso é um fator complicador muito sério e causador de acidentes", diz Correa.

Apesar de apontar a possível falta de combustível como provável causa do acidente em Rionegro, o presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil ressalta que "não se pode descartar nenhum tipo de hipótese" e lembra que até 85% dos acidentes aéreos são provocados por falhas humanas. "Erros nas tomadas de decisão também são falha humana. Especialmente quando seria adequado escolher uma alternativa mais segura."

Tragédia na Colômbia

O avião que levaria a delegação da Chapecoense para a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, em Medellín, caiu em uma região montanhosa, por volta da 1h da manhã, no horário de Brasília.

Ao todo, havia 77 pessoas a bordo da aeronave da companhia boliviana Lamia. Segundo as autoridades locais, apenas seis pessoas sobreviveram, sendo três jogadores, dois tripulantes e um jornalista. Os atletas sobreviventes são o lateral Alan Ruschel, o goleiro Follmann e o zagueiro Neto.