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Treinador da seleção brasileira disse que não teme ser demitido após a queda precoce na Copa América

Dunga corre o risco de ser demitido da seleção
Lucas Figueiredo/Mowa Press
Dunga corre o risco de ser demitido da seleção


Após o vexame histórico de ser eliminado na primeira fase da Copa América com a derrota para o Peru por 1 a 0 neste domingo, o técnico Dunga reclamou da arbitragem do uruguaio Andrés Cunha, que validou o gol de mão de Ruidíazor. Com o resultado, o Peru foi o primeiro do grupo e o Equador, o segundo. A única vez que o Brasil havia sido eliminado na fase inicial do torneio foi em 1987.

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"Todo um trabalho pode ser colocado fora por uma situação imponderável. Os jogadores e eu não podemos modificar o que todo mundo viu. O torcedor viu como fomos eliminados, e não foi dentro do futebol", afirmou o treinador, que criticou a maneira como a decisão foi tomada pela arbitragem. O árbitro consultou o auxiliar, mas também estava com um ponto de comunicação no ouvido, esforçando para ouvir outra pessoa, que não foi identificada pelas imagens.

"Não deu para entender porque o bandeirinha não correu e porque levaram quatro minutos conversando. Depois passou no telão, foi mão clara, não tem como lutar contra isso. Eles estavam falando com quem? Não precisavam da comunicação por rádio, estavam os quatro juntos. Quem estava sendo consultado? De que forma? Isso é bastante estranho", afirmou Dunga em entrevista coletiva após a derrota que eliminou o Brasil da Copa América Centenário.

Demissão? Dunga diz 'só temer a morte'

A desclassificação na primeira fase da Copa América deve definir o final da segunda passagem de Dunga pela seleção brasileira. Antes da competição, a CBF considerava que o torneio seria uma espécie de última chance. Chegar às quartas de final era a meta mínima. Fontes ligadas à CBF indicam que não haverá clima para a continuidade. A última vez que o Brasil havia sido eliminado na primeira fase de uma Copa América foi em 1987.

Árbitro valida gol irregular do Peru
Lucas Figueiredo/Mowa Press
Árbitro valida gol irregular do Peru

O treinador afirmou que o imponderável definiu a desclassificação - o gol do Peru foi marcado após toque de mão - e não teme ser demitido. “Só temo a morte. No Brasil, nós queremos que tudo se resolva em um ou dois anos. Tem de ter paciência para reformulação e persistir no trabalho”, disse o treinador. A saída iminente de Dunga prejudica o planejamento para a Olimpíada.

No dia 29 de junho, o treinador deveria convocar o time olímpico. Dunga fala em continuidade. “Sem dúvida, a (busca pela) medalha vai ser uma pressão. O Brasil nunca venceu. Quando se tem uma derrota vai ter a cobrança. Tenho certeza de que o torcedor viu como foi eliminado. O Brasil não foi eliminado no futebol”, diz, referindo-se novamente ao gol ilegal. “Uma solução se encontra na continuidade. O presidente sabe do trabalho. Sabemos das cobranças. Não tendo o resultado, a tendência é que a cobrança aumente”, afirmou.

Assim que o árbitro apitou a final da partida, praticamente todos os jogadores abaixaram a cabeça. Com a cabeça baixa, não conseguiam compreender a primeira derrota para o Peru em 41 anos. “Tentamos de tudo, mas a bola não quis entrar”, disse o capitão Miranda.

Naquele que deve ser seu último jogo como treinador do time nacional, Dunga pecou pela falta de iniciativa nas substituições. Ele trocou apenas Gabriel por Hulk e não fez duas alterações. Na queda da Copa de 2010, Dunga agiu da mesma forma. “Não fizemos as alterações porque o time estava encaixado”, afirmou.

Embora tenha conseguido fazer uma “limpeza” na equipe que fez uma campanha vexatória na Copa do Mundo - nenhum titular da equipe que perdeu por 7 a 1 foi escalado na partida contra o Equador -, Dunga levou o Brasil ao sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018.