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Comissão de ética da Fifa o suspendeu da Uefa por oito anos, no mês de dezembro. Platini quer se dedicar à sua defesa

Michel Platini, presidente suspenso da Uefa
Shaun Botterill/Getty Images
Michel Platini, presidente suspenso da Uefa

O presidente suspenso da Uefa, Michel Platini, anunciou nesta quinta-feira em entrevista ao jornal "L'Équipe" a desistência da candidatura à presidência da Fifa para se dedicar à preparação de sua defesa das acusações de corrupção.

"Não me apresentarei ao pleito da presidência da Fifa, retiro minha candidatura. Não consigo mais, já não tenho o tempo nem os meios de ir ao encontro de eleitores, de me reunir com as pessoas, de lutar contra os outros", declarou o dirigente, cuja entrevista será publicada na íntegra na edição desta sexta-feira.

A candidatura de Platini já estava suspensa desde que ele foi afastado do cargo na Uefa, e o ex-jogador deu lugar a Giorgio Infantino, que o sucedeu também na entidade europeia.

"Preciso de tempo, mas não é só isso. Como posso vencer uma eleição quando não posso fazer campanha? No entanto, quando Blatter desistiu, eu recebi apoio declarado de várias associações. Uma centena de federações e cartas oficiais de 50 promessas. Tudo isso em dois dias. Hoje eu tenho que cuidar de toda a ação que me foi imputada, e seguir os procedimentos. Lutei como sempre fiz na minha vida, mas não me deixaram competir desta vez", completou.

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O antigo astro da seleção francesa e da Juventus garantiu que já tinha recolhido 150 apoios para sua candidatura após a retirada do atual mandatário do organismo máximo do futebol mundial, Joseph Blatter.

Na entrevista, Platini criticou o responsável pela comissão eleitoral da Fifa, Domenico Scala, e a Corte Arbitral do Esporte (CAS) por ter agido para deixá-lo fora da concorrência. "Lutei como sempre fiz em minha vida, mas não me foi dada a possibilidade de concorrer nesta disputa", lamentou.

O dirigente foi punido em dezembro com uma suspensão de oito anos pelo Comitê de Ética da Fifa e não poderá recorrer até que seja notificado sobre os motivos que o levaram a ser investigado.

O organismo considerou não haver base legal no acordo de trabalho assinado entre Platini e Blatter em agosto de 1999, pelo qual o francês recebeu 2 milhões de francos suíços (R$ 8,16 milhões).